<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510</id><updated>2012-02-06T13:44:45.207Z</updated><title type='text'>estórias em vão</title><subtitle type='html'>da continuação de www.ashistorias.blogspot.com</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>135</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1462949414264885653</id><published>2009-07-12T11:22:00.002+01:00</published><updated>2009-07-12T11:26:10.412+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;CAROS AMIGOS, ESTE BLOG JÁ ERA. AS ESTÓRIAS QUE AQUI ESTÃO PARTILHADAS ESTARÃO BREVEMENTE NUM LIVRO, DE SEU TÍTULO "DESALINHO". QUANTO AO MEU NOVO BLOG, POSSO ADIANTAR JÁ QUE SERÁ WWW.DESALINHOEMVAO.BLOGSPOT.COM, MAS AINDA NÃO O CRIEI. PARTILHAREI NESTE NOVO DOMÍNIO ESTÓRIAS DO TERCEIRO LIVRO. "LIGAÇÕES"&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;ATÉ BREVE.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1462949414264885653?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1462949414264885653/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1462949414264885653' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1462949414264885653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1462949414264885653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/07/caros-amigos-este-blog-ja-era.html' title=''/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-4179010652471282204</id><published>2009-05-18T13:20:00.001+01:00</published><updated>2009-05-18T13:20:45.714+01:00</updated><title type='text'>Olívia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cztery&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dói-me a cabeça. Abro os olhos, percebo a claridade e o ar pesado em todo o lado. Cheira a sono, tabaco, e vinho tinto. Castigo a minha dor de cabeça por me permitir recordar-me do que disse e me foi dito na noite anterior. Porque não pode a ressaca ser mais decidida e levar de mim tudo o que se passou? Levanto-me, nua, procuro a tua presença, e percebo estares na varanda. Uma nuvem de fumo paira ao redor da tua cabeça, como uma auréola perdida por alguém que mais a merecesse. Bebo um copo de água, e apetece-me que a noite anterior desapareça, para sempre. Ao pousar o copo na banca, que te chama com um fresco estalar, penso que dia gostaria, de facto, de reter de ti. A noite de ontem, a última terça, a noite de segunda… tudo momentos infernais, talvez o preço a pagar pelos cada vez mais raros momentos brilhantes que temos.&lt;br /&gt; Visto a minha roupa interior e abro a porta da varanda.&lt;br /&gt; - Que queres, Olívia? – perguntas, sem te virar. Vejo a tua pele desconfortável, anunciando-me o frio que sentes, o sacrifício que fazes para estar noutro sítio.&lt;br /&gt; - Não sei. Não sei mesmo… – respondo, com toda a honestidade. Tiro um dos teus cigarros e acendo. Fazes-me sentir sem valor e suja na maior parte das vezes, e por isso me é difícil aceitar quando não o fazes. Deixa-me numa posição em que não sei que momentos esperam por quais. Esperam os belos pela destruição, ou esperam os maus pelo suave glamour dos teus beijos? É este não-saber que faz com que, quando te encontro amoroso para comigo, escolha esses momentos como os melhores para me vingar – Não faço de propósito, sabes… – admito, como se estivesses na minha cabeça nos segundos que antecederam esta conclusão. Olhas para mim e não dizes nada. Detesto pedir desculpa! Sinto-me frágil e sinto que te esqueces de todo o papel que tens e sempre tiveste nisto tudo – E não sei que te diga. É que… o pior também é que sou sempre eu que não sabe o que dizer…&lt;br /&gt; - O quê? – perguntas, parecendo genuinamente confuso, enquanto se sentas na espreguiçadeira.&lt;br /&gt; - Sou sempre eu que não sabe o que dizer, porque sou sempre eu que quer dizer alguma coisa! Tu pensas sempre que não falar de nada é a melhor maneira, mas adivinha, não é…&lt;br /&gt; - Eu não quero começar outra vez…&lt;br /&gt; - Claro que não queres começar outra vez. É incrível como me dás razão de maneira tão fácil, sem sequer te aperceberes… – digo, a meia voz, dando-te as costas. Ouço-te levantar e entrar. Como me odeio por querer ir atrás de ti. Sinto uma energia entre os nossos corpos como nunca senti, algo galáctico e inexplicável, que deixa a minha racionalidade a encolher os ombros e o meu coração apertado, desapertado. Batalho contra mim mesma, e num gesto de evidente masoquismo, acabo o meu cigarro com calma, e apenas aí entro no quarto. Vestes-te, sentado na cama – Onde vais?&lt;br /&gt; - Sei lá, vou sair daqui, só sei disso. – respondes, cansado.&lt;br /&gt; - Sais assim, sem mais nem menos? – lanço, mostrando-te o que realmente quero dizer com a minha pergunta.&lt;br /&gt; - Olívia, deixa-te de merdas! Há mais alguma maneira de sair? Estou farto disto. Já não vai dar. Está cada vez pior. Fazemos merda atrás de merda. Tu fazes o que te apetece, jogas comigo,… - sento-me na cama, de lado. Vejo-te, pelo canto do olho, a apertar os teus sapatos.&lt;br /&gt; - Diz-me só isto, Bernardo. Faço-te alguma coisa que tu não me fazes?&lt;br /&gt; - Fazes tudo! Eu não mereço metade das merdas que tenho de aturar contigo! E ainda assim levo com tudo, com as tuas mudanças de humor, com o teu talento especial em estragar seja que momento for… pensas que quando estás feliz tenho de estar, que quando te apetece foder, tenho de foder, que quando te apetece ir aos arames, tenho de entender! – soltas, quase violentamente. Aguento o desespero firmemente, com um rosto que demonstra a mais genuína indiferença. Espero que te levantes. Dizes qualquer coisa mas não consigo falar, com medo de rebentar em lágrimas imerecidas. Deixo-te sair, caio para trás, e molho com lágrimas os lençóis que momentos antes nos tiveram. Penso nas tuas cruéis palavras, em como pode ser possível que digas de mim tudo aquilo que penso de ti. O meu interior alterna entre sentir-se como a pessoa mais injustiçada de sempre, e a pior pessoa que já existiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seremos tão parecidos ao ponto de nos afastarmos irremediavelmente? Estarei enganada e serei mesmo eu o problema? Não, tenho a certeza que não. Mas não consigo aceitar que o facto de sermos tão parecidos nos afaste tanto assim. Como é possível termos noutra pessoa uma parte de nós e isto apenas colocar um abismo de diferença entre cada palavra? Deixo a minha mente vaguear e, certa que voltarás, mais uma vez, procuro no passado onde as coisas começaram a correr mal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-4179010652471282204?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/4179010652471282204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=4179010652471282204' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4179010652471282204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4179010652471282204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/05/olivia_18.html' title='Olívia'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1522788760039762474</id><published>2009-05-15T18:28:00.000+01:00</published><updated>2009-05-15T19:28:21.435+01:00</updated><title type='text'>Olívia</title><content type='html'>Olívia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acordo. Não me apetece levantar. Sinto-me meio pesada hoje. Sinto que o esforço de ser feliz às vezes pode ser cansativo. Custa fazer o trabalho todo sozinha. Custa e deixa-me e questionar se consigo. Levanto-me e lavo a cara no quarto-de-banho, ao som de Nina Simone. Penso na minha própria sugestão, faz alguns dias. Perguntei, de mim para mim, qual seria o problema de visitar um psicólogo. Sei lá, para ver como é, para ver se me ajuda a tentar fazer algum sentido destas ideias que tenho, dos pensamentos que me ocorrem todos os dias, todos os segundos. Penso. Não só dos maus, concerteza, mas de toda esta confusão de esforços que tenho. Sinto a minha mente a puxar por tudo quanto é lado. Entro no chuveiro, arrepio-me com a água fria e queimo-me com a rápida mudança para água quente. Sinto que o que tenho e o que quero nunca será o mesmo, e se por um lado tento aceitar isso sem problema, por outro vejo tal tarefa como algo talvez demasiado exigente. Sempre me senti assim, difícil de agradar. O que é mais interessante é que, quanto mais tempo passa, não sei se, nem que só por vezes, o que me davam, ou o que eu me dava, era suficiente. Não tenho um caderno onde possa anotar o que me dão, e o que é suficiente, e isso faz com que, pelo sim, pelo não, queira tudo. Entro no quarto e começo a vestir-me, sem pensar em demasia naquilo que levar. Sim, talvez uma opinião de alguém de fora, treinado em ver as coisas com mais clareza, me pudesse ajudar. Se bem que ninguém tem a fórmula secreta…&lt;br /&gt; Pinto os lábios na fila do trânsito lisboeta. Reparo como me esqueci de ligar o rádio, ritual de todos os dias. Inclinada que estou para pensar e questionar, penso se estarei a pensar em demasia, e isso me deixe assim, alheada do que costumo fazer, de como costumo ser. Como é possível pensar-se que talvez se esteja a pensar em demasia? É mesmo disto que falo! Às vezes parece que a minha VIDA e a minha maneira de ser têm de ter sido criadas por alguém. Tenho pensado (claro) nisto, e pensar em Deus é para mim muito aborrecido. Queria a minha existência mais fictícia, como que preferindo ter a minha própria forma de ser, ainda que irreal, do que a realidade de toda a gente.&lt;br /&gt; Chego à escola e estaciono o FIAT à minha própria maneira, e quando saio acendo um cigarro. Vejo umas dezenas de carros novos. Sempre gostei de Setembro e as novas enchentes de professores que vêm contaminar o espírito de velhice das paredes colegiais. Estou prestes a acabar o cigarro e entrar, quando vejo, ao fundo, saindo de um Renault qualquer coisa alguém que me parece um sério candidato a professor mais bonito do ano. É alto, tem cara de poucos amigos, um rosto redondo e veste-se impecavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Eduardo, prazer! – anuncia, quando finalmente nos apresentamos, na sala dos professores. A sua voz não é tão firme como imaginava, e vi a sua cara de poucos amigos subitamente transmitir-me alguém muito simpático e interessante. Facto é que, apesar de ser diferente do que aquilo que imaginei, passado uma hora de conversa estou caída por ele. Gostei sobretudo da maneira como a conversa saltava de tema em tema, com um fio condutor invisível mas que me deixava com a confortável sensação de ser ouvida e entendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando vim para casa, trazia comigo um sentimento diferente. Afastei um pouco para o canto a ideia de visitar um psicólogo, apenas porque alguém fora capaz de me ouvir por horas a fio. Que quero, então? Que me percebam? Penso nos meus pensamentos de manhã, e em como tudo o que eu queria era perceber-me, e questiono a ligação que há, ou não, entre alguém me perceber, e eu própria o fazer. Talvez seja uma perversa mistura entre ter um potencial amante, e alguém com quem conversar ao mesmo tempo, algo de que (quase) sempre fui privada, nesta contagiante VIDA…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1522788760039762474?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1522788760039762474/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1522788760039762474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1522788760039762474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1522788760039762474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/05/olivia.html' title='Olívia'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-3271815579180215538</id><published>2009-05-13T15:19:00.000+01:00</published><updated>2009-05-13T15:23:41.426+01:00</updated><title type='text'>Pedro (Que Sou Eu?)</title><content type='html'>O que sou eu? O que sou eu e esta matéria que me habita? O que sou eu e estas lágrimas que nunca falam e se limitam a sorrir e acenar timidamente? O que sou eu e esta vontade escrever sem saber o que escrever?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Não sei nem faço ideia. Não sei o que sinto na maior parte das vezes. Não sei o que sinto porque tento defini-lo. Não o tento estudar e reduzir a variáveis ou merdas assim, mas tento agarrá-lo… e é tão estranho, acredita. É tão estranho porque dou por mim perante a estúpida impossibilidade de agarrar um sentimento, tê-lo e guardá-lo só para mim. Dura sempre menos que um segundo, vive sempre mais fugaz que um arrepio. Desaparece e não deixa nada a não ser saudades. Porque tem o sentimento de ser tão irmão do tempo? Porque tem o sentimento de ser nada mais que uma cópia do incopiável tempo dentro de nós? Nenhum se deixa agarrar, ambos deixam devastadoras pedras pesadas no caminho de quem as viver. Sem o tempo o sentimento não tem como existir, sem o sentimento o tempo não tem por que fazer sentido.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ouço uma música excelente. Apetece-me rebentar em palavras, espalhar a minha alma numa virtual folha a4. O que, claro, é uma boa merda, porque nunca, por mais que eu queria, conseguirei definir um milésimo do que sou em palavras. Que caralho, pá… porque tento tanto? Parece que tento o impossível, sempre almejando alcançar a perfeição da perfeita definição dum segundo ou três, preocupando-me mais, quem sabe, com a sua preservação do que com a sua constatação. Viver é excelente. Excelente e excelentemente estranho. Que fazer?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Que fazer se estar bêbedo para mim neste momento me obriga a não largar o teclado? Bebi vinho, bebi cerveja. Bebi e tais elixires deixam, como sempre, em mim uma energia de espalhar. Nem sei bem o quê, sabes, mas quero espalhar. Batalho e penso em... mas quem sou eu para me achar digno de algo partilhar? Ganho a batalha e penso que, em princípio, todos temos algo valioso para dar. Ou será que sim? Não sei, mas gostava de saber... ui, tirem-me!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-3271815579180215538?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/3271815579180215538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=3271815579180215538' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3271815579180215538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3271815579180215538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/05/pedro-que-sou-eu.html' title='Pedro (Que Sou Eu?)'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1376631308809651916</id><published>2009-05-06T17:29:00.000+01:00</published><updated>2009-05-06T17:35:17.474+01:00</updated><title type='text'>Rita - ;oiuhfeuhfou</title><content type='html'>Retiro um certo prazer da incompreensão das outras pessoas. Adoro que não me percebam. Que seria de mim se fosse apenas um mais um na mente da pessoa que me olha de lado? Não, não me quero reduzir a isso. Não quero a indecisão que é estar assim tão certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo, gosto de ser o enigma que sou. As perguntas que trago comigo são pesadas como uma cruz de tijolo. As perguntas que trago comigo arrastam-me para o chão e quase me fazem lambê-lo. Os passos arrastam o meu espírito por uma qualquer clareira de estupidez sem razão nem sentido. O que ofereço ao mundo tem como retorno tudo aquilo que quero ter. Falho completamente ao interpretar seja que sorriso. Não quero saber. Não quero saber. Quero apenas ser eu, sozinha, e caminhar entre os mortos como qualquer ser aparentemente vivo o faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo acredito que a minha consciência desta morte vivida apenas me deixa mais perto de ser do que o meu amigo mortal. Quem sabe o estado em que me encontro seja um salto qualitativo, onde tudo é diferente, onde eu, Rita Real, posso ser apenas esta lágrima de coisas que não existem. Quem sabe eu posso ser um átomo num outro mundo que não existe senão para fazer com que, na cabeça de alguém, tudo seja feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1376631308809651916?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1376631308809651916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1376631308809651916' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1376631308809651916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1376631308809651916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/05/rita-oiuhfeuhfou.html' title='Rita - ;oiuhfeuhfou'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-8542350380964829871</id><published>2009-05-05T16:41:00.002+01:00</published><updated>2009-05-05T17:05:39.517+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/SgBiJ-ka_BI/AAAAAAAABCQ/EnSx0L54eJA/s1600-h/desalinho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 272px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/SgBiJ-ka_BI/AAAAAAAABCQ/EnSx0L54eJA/s400/desalinho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332369882360773650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/SgBebFjKubI/AAAAAAAABCI/6L0kpEhNbLE/s1600-h/desalinho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 272px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/SgBebFjKubI/AAAAAAAABCI/6L0kpEhNbLE/s400/desalinho.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332365778245826994" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-8542350380964829871?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/8542350380964829871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=8542350380964829871' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8542350380964829871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8542350380964829871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title=''/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/SgBiJ-ka_BI/AAAAAAAABCQ/EnSx0L54eJA/s72-c/desalinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-542744973463880127</id><published>2009-04-14T14:59:00.001+01:00</published><updated>2009-04-14T15:09:02.652+01:00</updated><title type='text'>Tempos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas tinham mais piada quando ainda brincávamos de noite. Jovens e ferozes abraçávamo-nos e rebolávamos entre os gigantes fetos que, altivamente, nos invejavam de alma cheia. O que havia para não invejar? A VIDA existia só para nós, as almas que tocávamos eram incandescentes, os segundos estendiam-se diante dos nossos olhos como oportunidades irrecusáveis. O ar, que cheirava a quente, entrava dentro de nós aos pontapés, adormecíamos ao relento e sorríamos com as reprimendas ferozes dos nossos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivíamos cada dia com uma simplicidade que hoje em dia desconheço. O sol nascia, punha-se, e eu gostava da tua companhia. Pouco mais precisava de saber. Lembro-me do teu cabelo louro completamente descontrolado com os quase furacões por que passávamos, lembro-me de esfolarmos os joelhos e beijarmos as nossas feridas para sarar. Que bom que é ter-te tido assim, guardar em mim a memória indelével duma infância incrível. Ida, perdida, mas nunca esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi há tanto tempo… Sinto-me um pouco estranho, sabes… Sinto-me estranho por ver essas imagens tão longe. Éramos tão novos e felizes… Vivendo na ignorância e ingenuidade de pensar que todos os dias seriam os mesmos, para sempre, vimos o tempo passar, a voz mudar, a atracção nascer… A pureza da infantilidade foi desaparecendo lentamente, imagino que mais preguiçosa para comigo do que para contigo. Com o tempo, deixamos de nos rir a bandeiras despregadas, deixamos de ir abraçados para a escola, deixamos de dormir juntos. A minha estranheza inicial era cedo disfarçada pelas tuas razões inexplicáveis. Incrível como num segundo eras como que minha irmã, tudo aquilo que me deixava feliz, para quase repentinamente seres tudo aquilo que me deixava desesperado. Via a tua atracção pelos outros rapazes algo difícil de aceitar, via os teus segredos partilhados comigo como algo impossível de tolerar. Sorria, claro que sorria. Cada sorriso era tão difícil como o tempo voltar para trás… Sorria e ria para não te mostrar o quanto me doía eu não fazer parte das estórias que me contavas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me perguntavas de quem eu gostava, com quem eu queria namorar, nada conseguia fazer senão inventar nomes, datas e acontecimentos. Preocupava-me imenso com os detalhes para não perceberes as minhas mentiras ridículas, esforçando-me por acreditar que acreditavas. Pensava nas razões que te estavam a afastar de mim, e era-me difícil perceber se realmente o estavas a fazer. Porém, não tardei em perceber que não. Não te afastavas, eu simplesmente queria mais, e via o teu não-querer como um terrível afastamento, uma rejeição que levaria, a qualquer momento, à minha própria rejeição, numa estúpida tentativa de ser o primeiro a mostrar ao outro que a sua companhia era dispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas acções e pensamentos iam-se desenrolando mais ou menos conscientemente… Na verdade pouco domínio tinha da minha estupidez que acabaria por te afastar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei por esforçar-me ao máximo por organizar fosse o que fosse, fosse com quem fosse, menos contigo. Hoje custa-me escrever isto. Custa-me a constatação de tudo o que fiz, e de como, pouco mais tarde, te faria chorar, te faria triste, a ti, a pessoa de quem eu mais gostava, de quem eu ainda hoje mais gosto e gostei. Como podemos ser tão cruéis com as pessoas para quem apenas queremos bem? Seremos assim tão inseguros ao ponto de preferirmos evitar a rejeição repudiando as pessoas de quem mais gostamos? (Serei assim tão inseguro por falar no plural?) Tudo o que eu fazia vinha do meu interior, dum estúpido ego, preocupado em evitar a verdade… verdade essa que na minha cabeça se manifestava apenas num grande e redondo não, que nem tinha por que existir. Talvez seja mais fácil magoar quem gosta de nós. Todas as armas são-nos entregues, temos apenas a opção de como as usar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobarde que era, quando me perguntavas se se passava algo, apenas dizia que não, que estava tudo bem, e cruelmente devolvia a questão, perguntando-te se não estarias a ver coisas que não existiam… O teu olhar, para mim, foi-se perdendo com o tempo, em dias que pareciam semanas, em semanas que pareciam anos, até que começávamos a fazer parte de grupos distintos. A tua beleza, por outro lado, não perdoou e continuou a esticar as cordas da minha imaginação a cada diz que passava. Não tendo sido tão generosamente brindado quanto tu, tinha de me esforçar mais para ser popular, e o meu sentido de humor, desobediência e talento para o desporto foram-me tornando numas das pessoas mais populares da escola, como parte dum grupo cada vez mais rival do teu. Já não éramos amigos, mas o passado que partilhávamos, de certa forma, mantinha-nos ligados, e quando me sorrias, do outro lado do corredor, algo estranho se passava de dentro de mim. Era atingido por uma tristeza súbita, fruto da constatação duma realidade onde não sabia como tinha chegado. Ainda caminhávamos juntos para casa um dia ou outro, quando por acaso nos encontrávamos pelo caminho. A conversa mostrava-se cada vez mais difícil de surgir, ainda que, uma vez que aparecesse não permanecesse com essa timidez que em nada ajudava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Engraçado… – disseste-me uma vez. Tínhamos acabado de chegar a tua casa, e depois de um seco “xau”, preparava-me para seguir. Ficaste parada no meio da estrada, a mochila apoiada num ombro apenas, o teu cabelo enrolado numa grande trança de trigo dourado – Antigamente tudo do que falávamos era do futuro… Agora, e quando falamos, é sempre do passado… – soltaste, tristemente. Nada mais te ofereci de volta, perante a tua pragmática afirmação, que um levantar de sobrancelhas e um encolher de ombros. Foi a última vez que fomos juntos para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade doía, e a estranheza perante o que sentia por ti em nada ajudava. Dava voltas e mais voltas à cabeça, e não conseguia perceber como uma amizade de infância se poderia ter transformado num amor tão insólito e mais ainda, como fazia, não só por se manter, mas por se adensar irremediavelmente com o passar dos anos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o passar dos tempos os grupos de que fazíamos parte oficializaram as suas diferenças e ódios de estimação, com mensagens nos quartos-de-banho, brigas ocasionais e piadas a cada segundo. Eu começava a fumar e a vestir-me com casaco de cabedal e calças rotas, tu mantinhas a tua pureza, o teu estilo, fosse o que fosse que tanto te fazia bela e especial. Tínhamos quinze anos, se não me engano, quando te dei a conhecer, ainda que sem o querer, o adverso dos sentimentos que tinha por ti. Passavas no bufete, e ouviste-me gozar com as tuas camisas às flores e as tuas tranças, coisas que, no fundo, adorava em ti. Não quero repetir o que disse, e talvez tenha feito por esquecer, mas algo que trarei sempre comigo é a tua imagem, diante de mim, com lágrimas nos olhos, a olhar estupefacta, como se a tentar perceber se o que se estava a passar era mesmo real… Eu, claro, nada fiz senão soltar um “oops” molhado de sarcasmo, avolumando a chacota por parte de toda a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite, ainda que fizesse por matar qualquer sentimento, não conseguia apagar o buraco gigante e negro que tinha dentro de mim. Não o queria sentir, não o queria admitir, e creio que quase tinha sucesso na arte de a mim próprio ludibriar. Claro que quando tudo aquilo que via, fosse de olhos abertos ou fechados, era o teu rosto choroso, tornava-se demasiada evidente a pesada realidade da estúpida e triste pessoa em que me tornara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era criança, jovem, adolescente… Porém, ainda que por vezes tivesse tentado, nunca consegui realmente desculpar a minha atitude com a minha idade. Não aceitei os sentimentos que carregava dentro de mim, e isso apenas aumentou, de dia para dia, a sua pressão. Quem sabe um par de palavras tornaria tudo completamente diferente. Todavia, deixei-me levar por um estúpido medo, de uma rejeição apenas imaginada. E que fiz com isso? Magoei, antes de ser magoado. Magoei, como se fosse inevitável alguém o ser, e como se fosse muito mais importante ser a pessoa de quem eu mais gostava a sofrer, do que eu, com o meu ego de dois andares…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamo-nos a encontrar.&lt;br /&gt;Nem sabia a última vez em que te tinha visto, mas ver-te quando vi, mais ou menos há um ano, depois de ter passado tantos tempo sem o teu olhar, foi sentido por mim como uma súbita brisa fresca, um instantâneo viajar aos tempos em que era mais feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em Lisboa, onde tinha ido ver um concerto com alguns amigos. Estava no Vasco da Gama, na fila do McDonalds e vi-te a passar ao fundo. Não percebi logo que eras tu, pois dada a improbabilidade de tal acontecer, pensei que fosse apenas alguém parecido contigo. Contudo, quando viraste um pouco a cara, o poderoso disparo de adrenalina que senti dentro de mim disse-me tudo o que precisava saber. Disse aos meus colegas que voltava dentro de momentos, e saí a correr na tua direcção. Estava nervoso, muito nervoso. Não tinha nenhuma imagem ou momento particularmente gravados na cabeça, nada de que me sentir orgulhoso ou envergonhado, nada senão a vontade de te abraçar durante alguns dias. Quando apenas um metro nos separava, abrandei subitamente. Admirava a tua esguia figura, sintia o teu cheiro. Toquei-te na mão direita e voltaste-te para trás. Os anos fizeram-se sentir, mas leve, levemente, pelo que, ainda que sabendo que tinhas trinta e quatro anos, poderias facilmente parecer meia dúzia de anos mais nova. Ainda usavas o cabelo longo, mas tinhas deixado as tranças algures na juventude. Os teus olhos ainda brilhavam, e os teus lábios finos pareciam destreinados em sorrir, quem sabe apenas porque não o fizeram de imediato como os meus, que se abriram largamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mi… Miguel? – perguntaste, ainda sem sorrir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, Ana! Há tanto tempo!! – constatei, sorrindo por mim e por ti. O meu entusiasmo em te ver não era partilhado por ti, notoriamente. Porém, não me surpreendia, e pouco depois dos típicos “tudo bem? / que fazes por aqui? / etc”, atrevi-me. – Olha, eu sei que já não nos vemos há anos, e que fui um parvalhão contigo durante anos a fio, mas gostava muito de jantar contigo hoje, ou fazer qualquer coisa… – o teu olhar da mesma forma se atreveu, e lançou-me um “estás doido” sem querer – Anda lá, pelos bons tempos que passamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é um bocado à filme… “pelos bons tempos”… Mas não vai dar, Miguel, tenho uma reunião e depois tenho umas coisas para fazer… Se calhar para uma próxima vez, sabes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma reunião? – interrompi – São sete da tarde! Anda lá Ana, eu prometo que te explico tudo, e a razão da minha imbecilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que imbecilidade? Eu nem sei do que – tentaste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E podes sair a qualquer momento – voltei a ganhar domínio da conversa – e nunca mais me falar na VIDA, mas anda comigo hoje, por favor! Pensa nas probabilidades de te encontrar aqui! – demorei um pouco mais que isto a convencer-te, mas finalmente acedeste. Sabia que não estavas a vir porque realmente te apetecia, via alguma relutância e uma espécie de última oportunidade. Mas não me importava. Sentia que tinha de explicar tudo o que se tinha passado, os caminhos que tomei e porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, para desagrado de Paulo e João, não fui ao concerto. Os U2 voltariam a Portugal, e não sei se te voltaria a encontrar assim, do nada, tão cedo. Apanhamos um táxi, e perguntei-te por um sítio bom para comer. Estavas diferente. A tua beleza agora manifestava-se forte e independente. Não eras já a ingénua Ana, com um sorriso despretensioso, tinhas-te tornado em outra Ana, segura e quem sabe desconfiada. É sempre difícil analisar alguém acerca de quem temos tantas ideias, com quem crescemos e julgamos, um dia, conhecer perfeitamente. Quando gostamos de nós fazemos tudo por não mudar, quando amamos outra pessoa, rezamos a quem seja preciso para que não tenha mudado. Não acalentava nenhuma esperança, a estrada entre nós era agora muito grande e longa, algo impossível de ultrapassar com um jantar, um café e um pedido de desculpas. Porém, ainda que nunca mais te visse, queria que continuasses a ser tu, queria acreditar que algumas pessoas, simplesmente, nasceram para se destacarem dos demais, existirem num outro nível, dando aos restantes humanos nada mais que uma leve esperança acerca da nossa mortal condição. Deus, como te idealizo…. Não me importo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Levaste-nos para o Bairro Alto, a um restaurante de Tapas, de ambiente descontraído e agradável. Pelo caminho fiquei a saber que vivias em Lisboa quase há dez anos, eras jornalista e tinhas uma filha. O choque da última novidade foi pesado, ainda que aliviado um pouco quando disseste que o pai da menina fazia parte dum distante passado. Uma vez mais, o estúpido egoísmo… como poderia ficar feliz por estares sozinha?... Sei bem que se dependesse de mim, da minha racionalidade, queria apenas que fosses o mais feliz possível, não me interessava como. Contudo, o reverso da medalha que é a nossa irracionalidade ver-nos-á sempre como o centro do mundo, e admitiria apenas a tua felicidade se no meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Disseste que me ias explicar as razões da tua imbecilidade, Miguel. Nem percebi bem do que estavas a falar de início, sabes?... E é estúpido, pois realmente a nossa relação ardeu duma maneira impressionante… – disseste, mordendo um pimento – Mas nunca mais pensei nisso… e por isso hoje quando te vi estranhei a maneira como me senti… – admitiste, fugindo com o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como te sentiste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera. Diz lá tu o que tens a dizer. – ordenaste. A tarefa de expor a minha estupidez, subitamente, mostrou-se dez vezes mais complicada do que alguma vez pensara. Dei um gole no Muralhas quase exageradamente fresco que pedíramos, respirei fundo. Antes de entrarmos de cabeça no assunto, tinha tentado trazer para a mesa algumas estórias engraçadas da nossa infância, talvez tentando suavizar-te um pouco, relembrar-te daquilo que já fomos. “Não éramos nós, se calhar… Éramos pessoas diferentes, que morreram para dar lugar a estes adultos estranhos que somos. Falamos de coisas que se passaram há 25 anos… eu adorava aquelas crianças, mas que temos hoje delas?” – mataste, de imediato, as minhas tentativas, surpreendendo-me com o teu pessimismo e cinismo, mas deixando-me, ao mesmo tempo, a questionar a genuinidade do que dizias. Serias mesmo essa pessoa, ou rejeitavas agora tudo de bom que tivemos um dia, como eu próprio, no passado, fiz contigo, quando tudo era ainda muito mais fresco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, um pouco às cegas, e adiando o meu comentário acerca da tua aparente ideia acerca da nossa infância, expliquei-te que a razão pela qual tinha sido tão estúpido contigo era nada mais nada menos que o medo por aquilo que sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã? ‘Tás a falar de quê? – perguntaste, com um olhar crítico. Estava a custar-me a tua atitude, e não tinhas ainda baixado as tuas defesas. Fá-lo-ias de todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós em crianças éramos como irmãos, Ana. Só que depois começamos a crescer e, basicamente, o que sentia por ti transformou-se de uma maneira assustadora. Como dizer… eu morria de amores por ti! – disse, com um olhar infantil e um sorriso sem resposta – E tu falavas-me dos rapazes e não sei quê, e que gostavas deste e daquele, e que tinhas trocado um beijo com alguém… e sei lá, p’ra mim era impossível ouvir isso – ias interromper mas antecipei-me – E eu sei que isso não, de maneira nenhuma, desculpa, mas por isso mesmo te digo que foi uma estupidez, sem sentido, e sei que te magoei muito, e não sabes como estou arrependido! – o teu marítimo olhar estagnou, apontando numa direcção que não a minha. Parecia-me que estavas a… ceder. Ceder na medida em que sentia que, paulatinamente, deixavas-me de ver como um intruso, ou um inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Miguel, que és mesmo um parvalhão… – disseste, com um sorriso já não sarcástico, mas, arrisco-me a pensar, simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá lá, sabes que não. Fui um parvalhão várias vezes, com quem não merecia, mas pá… foi o que foi, e não há como o mudar. A verdade é que nunca te esqueci… A VIDA continua, sei-o bem, mas não fazes ideia de como fiquei feliz de te ver hoje, e poder, nem que seja apenas tentar, explicar-te o que se passou, e ter alguma paz de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Miguel, que és mesmo um parvalhão pá. E burro! E cego! – hum? – Como é que é possível que não tenhas nunca percebido que eu sentia o mesmo ou até mais por ti do que aquilo que ti sentias por mim? - ? – Está claro que de vez em quando sentia uma ou outra atracção, mas a maioria do que te dizia era para ver se fazias alguma coisa, se dizias alguma coisa, para te fazer ciumento e, sei lá, estimular-te. Que estupidez… – disseste, incrédula. Já eu, não sei se posso dizer se me sentia incrédulo, pois a surpresa era demasiado forte, misturando estupefacção com incredulidade e todos os sinónimos possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não gozes Ana… ou estás a falar a sério?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que estou, burro! Acreditas que sempre me questionei e massacrei, perguntando-me milhões de vezes o que era que me faltava, porque não gostavas de mim e, claro, mais tarde, porque te tinhas tornado tão frio e estúpido comigo… – quando te ouvi dizer isto senti uma tristeza indescritível. É mau quando não temos o que queremos, mas como é tão pior sabermos que, afinal de contas, o podíamos ter tido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem fazes ideia como é estranho ouvir isso…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faço sim, acredita… se calhar fomos ambos muito estúpidos, tu apenas o manifestaste duma maneira pior…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto do jantar desenrolou-se de uma forma que me fez acreditar que tínhamos voltado atrás. Talvez seja mesmo possível viajar no tempo. Talvez o facto de não sermos já os jovens que fomos, não termos o que tivemos, não queira dizer que não os possamos revisitar e ressuscitar dentro de nós. Demorávamos a comer, demorávamos a beber, tudo para termos o máximo que podíamos ter de nós próprios, como se fosse possível, num par de horas, recuperarmos tudo aquilo que tínhamos perdido por medos de arriscar e erros de julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora? – perguntei, após o cansado camareiro ter, subtilmente, expulsado os seus últimos clientes. Era meia-noite e meia, e a noite deitava-se sob Lisboa, num agitado descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora caminhamos. Levas-me a casa? – sugeriste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só se for longe… – sorri. Caminhámos lentamente, agarrando o tempo e colando-as às palavras e memórias, conscientes de que aquilo que fazíamos nesse preciso instante seria, em si, uma bela e inesquecível recordação. Já não tinhas tranças, eu já não tinha as minhas calças rotas. Já não tinhas a pureza de que tanto gostava, eu já não tinha a irreverência que tanto te desafiava. Porém, terá de ser a mudança algo assim tão terrível? O quanto gostei de estar contigo diz-me que não. Quem sabe a mudança seja algo terrível de presenciar se o bom do passado que tivemos nos cegar com falsas promessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos a tua casa, as certezas que tinha acerca de não ter nenhumas esperanças contigo começaram a dissipar-se sem eu me dar conta. Era o momento. Não sabia bem de quê, mas sabia que era o momento. Era, outra vez, o menino nervoso sem saber se teria um beijo nos lábios, se um amigável abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que fazemos agora? Estou mais uma vez às cegas… – admiti – Mas estou a escolher partilhar isso contigo, acho que é um progresso… – sorri. Desta feita, não sorriste de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também estou um pouco às cegas… Como te disse foi estranho ver-te hoje. Não estava à espera e esta noite foi como que se me tivessem dado um abanão… Mas a verdade é que… Ai Miguel porque é que tinhas de aparecer hoje, assim? Quando uma pessoa pensa que finalmente tem tudo sob controlo aparece o passado a bater à porta, que coisa… – sentia que falavas mais contigo do que comigo, e esforçava-me por perceber. – Miguel, eu tenho um namorado! – soltaste, finalmente, sem dó nem piedade. Senti que sentias o mesmo que eu, ou não necessitarias, de todo, de marcar o momento com tal revelação. A desilusão que senti foi algo simpático. Como que um par de palmadas nas costas e um sussurro ao ouvido dizendo “paciência Miguel… no fundo já sabias que nada aconteceria…”. Assim, limitei-me a encolher os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro… Paciência. Quando te vi pensei em tudo menos em voltar a ter alguma esperança em relação a nós… Só que depois, à medida que o jantar foi acontecendo, tenho de confessar que, mesmo sem querer, acreditei um bocadinho em alguma coisa… Há coisas que não mudam, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fazes ideia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;três&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foste para casa depois de um longo abraço e promessas de reatar o contacto. Eu fui a pé para a estação de comboio, de mãos nos bolsos e um sorriso nos lábios. Não era um sorriso triste, mas um sorriso pacífico. Seria pedir de mais, ter-te nessa noite como tive, com a oportunidade de pedir perdão por tudo o que fiz, e ter um futuro diante de nós. Quem sabe um desenrolar demasiado sonhado para ser real. Quem sabe um passado mais em paz fosse tudo o que eu pudesse ter. E, na verdade, devo confessar que me deixa bastante feliz. De certa forma sempre me perturbou, como que uma pedra no sapato, a maneira como (não) resolvemos as coisas. Era algo que queria que mudasse, e mudei. Quanto a voltar a sentir este tipo de paixão, senti-la respirar um pouco mais forte, e vê-la ser correspondida por ti… era algo que desde há muito se me tinha varrido. Assim, acho que numa noite tive o que desde sempre quisera ter, e perdi apenas o que por alguns minutos  voltei a almejar alcançar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-542744973463880127?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/542744973463880127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=542744973463880127' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/542744973463880127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/542744973463880127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/04/tempos.html' title='Tempos'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-2628290899753448836</id><published>2009-04-09T15:28:00.000+01:00</published><updated>2009-04-09T15:29:42.563+01:00</updated><title type='text'>Rita - Triste</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Triste. Triste como um menino perdido. Tristes são as gargalhadas surdas que encosto à parede, o terrível som que se infiltra na minha língua, os lamentos desnecessários. Triste é não me querer ouvir. Ter dias debaixo da minha mão, segundos apertando a minha alma e fotografias dum futuro previsível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; Triste e agoniante. Mas belo. Como é belo. Como é bela a minha tristeza, como é belo o meu desespero e a minha entrega fora de tempo. Como amo, em segundos como este, o meu ser, a minha frívola ambivalência que nada mais quer do que tudo o que existe. Como amo a minha figura habilmente inesquecível, os meus cabelos cor de amor e os meus olhos de aroma adocicado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; Triste. Que seria de mim sem a minha tristeza? Um presente que nos oferecemos, um ao outro, um presente mascarado de um segundo, com o bónus da eternidade. Palavras perdidas algures dentro de ti, sensações em fúria pelo ar. Triste. Triste como tu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-2628290899753448836?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/2628290899753448836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=2628290899753448836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2628290899753448836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2628290899753448836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/04/rita-triste.html' title='Rita - Triste'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-5000354034190378773</id><published>2009-03-04T12:45:00.000Z</published><updated>2009-03-04T12:49:32.671Z</updated><title type='text'>Rita [Viajo]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As tuas mãos de seda embalam o meu sorriso escaldante. Viajo no tempo e tento estar contigo mais uma vez. Tocas no último sorriso que dei, beijas os meus cabelos ruivos e fazes-me promessas que não podes cumprir. Deito-me para trás e transformo-me em lágrimas feitas de pedaços nossos. Sinto-as ameaçar a nossa presença, sinto-as amaciar o teu cabelo, sinto-as morrer na tua boca. Uma mistura de misturas sinto dentro de mim. Uma mistura de tempos passados e presentes, tempos perdidos e imaginados tolda a minha visão completamente. A alteração da realidade não é suficiente, preciso de mais um pouco para poder precisar mais de ti. Preciso de precisar de ti ao ponto de me esquecer de mim, ao ponto de não querer viver senão na tua presença. Quero o nosso desespero, os sentimentos que me ensinaste a ter, as experiências que me fizeste ter. Não quero os teus avisos, quero apenas reviver a ilusão que tive até ao momento de partida. A realidade é tão forte quanto a impossibilidade de a sentir em pleno. Aqui, deitada, nua, com as minhas mãos a fazerem aquilo que já foi o teu dever, percebo como uma vez tendo experimentado o que me deste a conhecer, uma vez tendo-te experimentado, nada mais quero senão sentir-me como um traste que se acha acima de tudo e de todos, menos da imagem que estupidamente sobrevive na minha mente. A imagem de ti como a pessoa mais imperfeita que conheci. A imagem de ti como o materializar de tudo o que nunca quis, mas que uma vez tendo habilmente me deixaste perder.&lt;br /&gt;    Que posso dizer, se desde o início, tão eficaz e cruelmente me mostraste a tua versão da realidade? A versão de uma realidade que para mim nada mais era que um mau sonho distante. Não! Quero viajar no tempo. Que faço a pensar em ti agora, quando apenas quero estar contigo há algum tempo atrás? Tocas nos meus seios e a tua língua aquece a minha pele. Deslizas pelo meu ser com a ponta dos teus dedos, da maneira como só tu fazes, fazendo um arrepio colossal atravessar o meu coração. Sinto frio, muito frio, sendo esta sensação nada mais que o completo adverso do sentimento que a acompanha. O calor da tua pele imprime-se nos meus dentes, que apaixonadamente mordem a tua pele. Lambo o teu sangue licoroso e peço-te para entrares no meu mundo como quiseres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Não consigo. Viajar no tempo é apenas eficaz quando o faço sem querer. Quando me atropelo em estranhos pensamentos e penso em ti sem dar por mim. Quando me dou conta, quando percebo que, pela milionésima vez nesse mesmo dia, ocupas a minha mente, tudo se torna subitamente vago e confuso. A tua imagem esvanece um pouco, a minha desaparece completamente, e o que vejo é uma mistura de borrões de tinta, uma peça a quem alguém chamaria de arte. Perco-te, mais uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-5000354034190378773?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/5000354034190378773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=5000354034190378773' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5000354034190378773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5000354034190378773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/03/rita-viajo.html' title='Rita [Viajo]'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1815704587490142542</id><published>2009-02-21T12:43:00.000Z</published><updated>2009-02-21T12:45:12.025Z</updated><title type='text'>Rita [Sentir]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;PJ Harvey – A Place Called Home&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;    Sabes que sim. Sabes que podes esperar por mim, e um dia voltarei. Espera, e faz qualquer coisa. Sente o que é ser, sente o desespero da distância, sente os segundos em que me ouves mentir, em que me ouves dizer que sou a tua… princesa. Sim, espera por mim, por favor, vá lá. Só quero dar mais uma volta. Gosto de te ter na carteira, ver a tua fotografia, abraçar-te sem fazer nada, saber que andas por aí. Continuas? Sim, faz isso por mim… fazes? Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O dia hoje está quente. Penso nas vinte e três maneiras que tenho de fazer merda, de estragar o bom sentimento que tenho, de te enganar, ludibriar, de ser algo que não sou. Não sei como o fazer. Nem sei se tenho de o fazer. Talvez apenas vá viver mais um bocadinho, aqui e ali, sem necessariamente ser uma parva. Penso na necessidade de estragar presentes como estrago. Penso na necessidade de sentir a minha VIDA como fútil e inútil, na necessidade que me sintas como completamente tua. Porque jogo contigo como jogo? Dou mais um risco de coca e a minha mente esclarece um pouco. Os desejos dispersam-se e vejo melhor como foder o dia. Não sei. Não sei mesmo. Só sei que gostava de te ter aqui agora. Não esperes por mim… eu sei que acabei de pedir para esperares, mas porque é que em vez de esperares não apareces por aqui? Porque é que não entras por aquela porta verde e me dizes olá? Sei lá, era giro, e eu ficava contente. Ia gostar. Claro que ia mandar-te à merda, perguntar se me estavas a espiar ou a testar, mas ia gostar. Tu ias sentir-te triste e desiludido, e com razão. E mais uma vez, aproveitando-me, não da tua estupidez, pois não a tens, mas da tua ingenuidade, eu torceria a realidade daquela maneira tão minha, fodia tanto com a tua mente, que no final estavas a pedir-me desculpa. Sim, mas porquê? É curioso… porque é que eu ia ficar contente mas agiria como uma parva? Bem, posso sempre ligar-te e pedir para apareceres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    - Mas achas que vou apanhar agora um avião para a *****? – ouço-te dizer, na minha imaginação. Enquanto penso nisto, fumando um cigarro no meio do nada, penso que seria giro o desafio. Agrada-me e nasce dentro de mim o objectivo. Tentar manipular-te tanto que faça com que acabes por decidir vir ter comigo a *****. Não. Acho que esta não ia conseguir, e essa frustração ia-me deixar com um feitio de merda, tenho a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Vou para dentro de casa e bebo um copo de água. Vejo a minha pena. Vejo as folhas. Isto gosto. Sim. Gosto de escrever como um poeta há vinte e quatro milhões de anos. Estou a exagerar. Mas sim, gosto de viver assim, escrever, pensar, reflectir. Só não gosto tanto da maneira como me sinto tão bem quando desesperada. O que provoca em mim o desespero? Talvez a incerteza, a ignorância do futuro a curto prazo seja aquilo para que vivo, talvez o sentimento de desespero me aproxime um pouco mais da estúpida humanidade. E se a acho estúpida, porque me sinto bem em me sentir próxima? Isto sim, é curioso. Adoro esta confusão que sinto e vejo dentro de mim. Faz-me sentir especial, e sei que o sou. Sinto que possuo sentimentos que mais ninguém tem. Vejo-me como dona do destino terrestre, apenas porque rios de ideias correm dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Acabo o cigarro e pego na espingarda. Certifico-me que tem uma bala, e encosto a ponta à cabeça. Ponho o dedo no gatilho. Que bom, que maravilhoso é sentir a VIDA tão frágil, tão nada… Até faço um pouco de pressão com o indicador, e vivo este momento como a razão pela qual um dia nasci. Não sinto o desespero, mas um medo que me enternece e quase me faz chorar de alegria. Sinto como verdadeiramente incrível o facto de me sentir tão viva, apenas porque estou a um milímetro de morte. Como sempre, não pressiono o gatilho. Como sempre, nunca o planeei fazer. Como sempre, apenas gosto de sentir o que sinto quando com a morte tão perto, pois é quando sinto o meu coração bater mais forte. Mais forte do que quando estou contigo, mais forte do que em qualquer outro momento. Patológico, estúpido? Pois concerteza que sim, meu amigo, não tenho dúvida nenhuma. Mas eu gosto, e depois?...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1815704587490142542?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1815704587490142542/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1815704587490142542' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1815704587490142542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1815704587490142542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/02/rita-sentir.html' title='Rita [Sentir]'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-3464187333669966201</id><published>2009-02-17T13:12:00.000Z</published><updated>2009-05-18T13:13:27.884+01:00</updated><title type='text'>Olívia Sześć</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt; Sześć&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Olá mãe! – cumprimento a minha amargurada progenitora, por quem nutro eterno afecto, mas de quem sentirei eterna pena. Quem sabe a combinação de um sentido observador, com o facto de ter tido muito que observar no meu próprio lar tenha resultado nesta minha decisão de viver sozinha. Corrijo-me. Na minha decisão de não viver obcecada com não viver sozinha.&lt;br /&gt; - Olá filhinha, como estás? – pergunta, com aquele tom de tristeza que sempre me deixou um pouco irritada. Vejo na minha mãe as minhas amigas daqui a uns a anos, com a tristeza e as queixas como fonte eterna de conversa.&lt;br /&gt; - Estou óptima! – sinto a nítida diferença entre o seu tom e o meu. Penso e volto a pensar, e não quero dizer porque me sinto particularmente… óptima.&lt;br /&gt; - Ui filha, que alegria! Que se passa? – pergunta, curiosa. Se decidi não dizer a razão deste entusiasmo especial, sinto que foi um pouco tarde. Não lhe direi que estou interessada em alguém que vou ver esta noite. Usar na mesma frase palavras como “homem” e “noite” sempre deram a minha mãe, por um lado, falsas esperanças ao perspectivar um, finalmente, genro, e, por outro lado, repulsa com a maneira como certas pessoas – eu – se podem dar ao luxo de se divertirem sem pensarem duas vezes ou sem se irem confessar e purgar no dia seguinte.&lt;br /&gt; - Nada, Piedade – nunca entendi porque trato a minha mãe pelo seu nome tantas vezes… – Que queres que te – nunca entendi porque trato a minha mãe por tu tantas vezes… – diga… Está bom tempo, sou jovem – quarenta e sete? – e a VIDA é bela! - nunca entendi porque o facto de ver o melhor em existir me afasta tanto da “normalidade”… Não sei se ajuda o facto de me ver como um mero personagem… Talvez a VIDA seja mais fácil e leve se imaginarmos que outras mãos as guiam que não as nossas. Não gosto de pensar em deus ou essas tretas, mas dum qualquer escritor carismático e charmoso, da minha idade, envelhecendo um pouco acima da minha existência, ao mesmo tempo que eu, enquanto fuma cachimbo e bebe Licor Beirão. Olívia!! Como é possível que te sintas excitada a pensar num escritor inexistente que escreve a tua inexistente existência?! Certo é que sei ser estranho, mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[certa ideia não me sai da cabeça…]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando termino a chamada, agradeço à Dona Manuela, que trabalha na secretaria do liceu onde trabalho, e vou dar a última aula, para depois ir para casa. Vejo a uma hora de distância um banho de imersão muito prazeiroso e os preparos dum jantar para o qual, sem querer, tenho algumas expectativas. Lanço para a cara dum estranho um sorriso tímido mas atrevido, ao sentir alguma vergonha do quão longe vou nos meus planos e ideias acerca do charmoso Eduardo, meu colega e professor de Português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fecho a porta atrás de mim e a primeira coisa que faço é espalhar o perfume do senhor Ray Charles pela minha casa. Reparo nas paredes beges, escuras quem sabe pelo fumo do tabaco, e penso em mudar isto e aquilo… Deixo a minha bolsa da mesma cor das paredes cair no sofá da mesma cor da música que ouço e dispo-me. Ao som de Walkin’ &amp;amp; Talkin’, entro na banheira, levando comigo um copo e uma garrafa de Rosé Sul-africano, o melhorzinho. Encontro-me sem fuga possível, e a ideia que não me saía da cabeça toma conta de mim. Enquanto a banheira vai enchendo, deixo as minhas mãos percorrerem o meu corpo já denunciador da idade… imagino o meu escritor… alto, mãos poderosas e calejadas, olhos verdes e cabelo grisalho. Faço dos meus dedos as suas próprias penas, e massajo-me com calma e cuidado, adiando com sabedoria o culminar do prazer, o orgasmo que, quem sabe, me deixa mais perto do meu próprio criador por uns instantes. Mergulho bem fundo, tanto o meu corpo na água quente, como os meus escaldantes dedos dentro do mesmo e, imergida em tudo o que sou, permito-me afogar-me um pouco em prazer. Não foi longo, mas maravilhoso. Sorrio e mais uma vez sinto-me lançar aquele sorriso tímido. Não por sentir vergonha alguma em me satisfazer, mas por imaginar, com prazer, as caras das minhas amigas se lhes contasse como conhecia os cantos e recantos de mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; X +2h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meu deus, Olívia, meu deus!! Como é possível que sejas tão tonta?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Felizmente nunca fui, ou se fui, desde há muito tempo que não sou, de me afundar em misérias e tristezas, preferindo levar, tanto quanto possa, as contrariedades com um sorriso. É por isso que, saindo de mim e vendo o que se está a passar, devo confessar que me desmancho a rir! Autor, meu querido autor, como me pudeste pregar uma partida destas?&lt;br /&gt; Vejo-me sentada, bela. Não pareço mais nova, tampouco mais velha. Não pareço nada mais, nada menos, do que aquilo que sou. Madura, bela, sedutora e sabida. O meu vestido vermelho não chega a ser provocador, mas arrancaria uns olhares de escárnio por parte das mais puras das almas. Uso na cabeça, quase como bandolete, os meus largos óculos de sol que nunca abandono. O meu queixo repousa na palma da minha mão direita, cuja extremidade aguenta um cigarro beijando uma boquilha negra. O meu ar… sinceramente não sei bem como identificar, ou definir o meu ar, sendo que sei o que sinto e vejo isso como algo que me impossibilita o distanciamento necessário para um julgamento mais preciso… Pareço atenta, quem sabe, mas com um leve toque de surpresa. À minha frente vejo Eduardo, que fala animado sobre o clima político fervoroso que se vive na actualidade. Volto a entrar em mim, já vejo o que os meus olhos alcançam, e acima de tudo sinto o que a minha mente não conseguiu antecipar. Facto é que vejo em Eduardo alguém muito bonito, simpático, mas que é um paneleiro de todo o tamanho! Como é que é possível? Que seja paneleiro, não me interessa, sabe o autor as coisas que já fiz e me fizeram, noutros tempos, mas como é possível que me tenha escapado tal facto? Os seus pulsos ondulam como quem faz tricot, fala como se precisasse de dizer as letras todas e estivesse constipado, e de vez em quando solta uns agudos que me fazem sentir um júri numa escola de canto para meninas… Vislumbro, na minha imaginação, os seus agudos no vidro do meu pobre copo, à beira do cataclismo vocal…&lt;br /&gt; Talvez para salvar o sagrado recipiente duma rachadela fatal, talvez para me ajudar, com um pouco mais de álcool, a esquecer esta surpresa, agarro o néctar, que bebo dum só gole. Ainda penso se lhe devo dizer, ou não, que estava interessada nele… pensando bem, ele pode até não ser p... homossexual, mas a verdade é que homens efeminados, por mais que possam gostar de mulheres, nunca me atraíram sobremaneira. E isso, naturalmente, faz com que a probabilidade de eu acabar na cama com ele seja parecida com a de ele começar agora a falar de futebol e gajas… Não vai acontecer! Sempre gostei de homens fortes e viris, que tentassem mandar em mim, mas sem realmente o fazer. Que se chateassem, praguejassem e berrassem, mas que passado meia hora estivessem dentro de mim a dizer que me amavam, ainda que não o fizessem. Infelizmente, este meu, quem sabe, estranho gosto por homens, fez com que não consiga arranjar ninguém, pois na altura em que vivo, no país onde vivo, a distância entre um berro e um par de estalos não é mais que uma nuvem e um aguaceiro. Quando um existe, ainda que a consequência nem sempre apareça, a ameaça está sempre presente. E sabe o autor o quanto eu estou disposta a me dar ao luxo de ser miserável…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Bem, Eduardo, está a fazer-se tarde, sabes? – sugiro, pensando ao mesmo tempo que, uma vez ultrapassada a surpresa e a desilusão, seria bom sermos amigos. Sempre adorei amigos gays!&lt;br /&gt; - Óóóó queeerida! – ai Eduardo, ai… - Já vai? – pá, desde o primeiro momento que te trato por tu e ainda não saíste dessa? Sinto-me começar a culpá-lo pela minha própria surpresa, quando ele não tem culpa nenhuma…&lt;br /&gt; - Olha… antes de mais, trata-me por tu, por favor, porque eu já te conheço, e vendo que és uma pessoa muito simpática e porreira, tal como eu, – sorrio – acho que não faz sentido que assim não nos tratemos. Depois, eu tenho de ir, sabes, é que estou um bocado cansada. Mas olha que adorei – blá blá e isso tudo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; X + 3h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Um café, por favor – peço ao simpático empregado, que me responde com um aceno. Estou na Brasileira. Como me sentia ligeiramente tocada pelo champanhe, decidi não ir de imediato para casa. Nem me preocupei com o facto de me poder encontrar com Eduardo, arranjaria uma desculpa qualquer. Creio que, na verdade, talvez esteja a antecipar um certo sentimento… A surpresa algo piadética que senti, as risadas que dei dentro mim… vejo-as, de certa forma, como uma possível escapatória para a tristeza e a desilusão que receio começar a sentir, uma vez que acalme. A minha mente leva-me para quando o meu querido autor me decidiu presentear com uma alma gémea, e a maneira cruel como a retirou de mim, e como desde então me resignei perante a ideia de uma impossibilidade em arranjar alguém. Acho que é impossível resignar-nos verdadeiramente com alguma coisa. Lado a lado com a resignação, caminha o sentimento de estagnação e morte. Talvez eu tenha simplesmente confundido as minhas palavras, tenha falhado como me exprimir, ainda que de mim para mim. Talvez usemos com frequência o termo resignação, quando no fundo o que queremos dizer é que continuaremos a procurar, mas já não estamos propriamente aos saltos no sofá perante a mais leve ideia de que possa correr bem… Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; X + 4h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A cama vazia é algo com que poderei sempre contar. Tento controlar a tristeza que antecipei, e deixo um ameno sorriso espalhar-se no meu espelho. Olívia, tu és quem tu és! Toda a gente, no seu interior, gostaria de ter muito do que tens, de quem és! O facto de eu não ter, ainda que não o queira admitir, algo que outros têm no seu exterior, como uma companhia, talvez valha a pena para ter o que tenho, no meu interior, e que os outros querem ter, ainda que não o queiram admitir. Que estranho equilíbrio, autor…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-3464187333669966201?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/3464187333669966201/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=3464187333669966201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3464187333669966201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3464187333669966201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/02/olivia-szesc.html' title='Olívia Sześć'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1313469821000283166</id><published>2009-01-27T12:19:00.000Z</published><updated>2009-01-27T12:20:08.359Z</updated><title type='text'>K.I.S.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Sinto palavras que quero dizer acumularem-se na minha mente. Aos pontapés lutam por um lugar, por um materializar de tudo o que não sinto, de tudo o que sinto e não quero sentir, de tudo o que não sei nomear… Deixo a tocar uma música qualquer de Zero 7 e saio à rua para fumar um cigarro. O tempo, que merda de tempo… Tento não sair demasiado, fazendo apenas os possíveis para que não me molhe. Vejo a chuva rebentar no chão, misturando-se de certa forma com estranhas gotas de alguma coisa dentro de mim.&lt;br /&gt;    Saio do meu corpo por uns instantes e entro no vendaval diante de mim, criando uma certa harmonia com os furacões que sinto vasculhar os cantos da minha mente. Vejo-me de braços abertos, imune aos carros que, cansados, passam à minha volta, imune ao frio solitário, imune a tudo menos aos pensamentos de que não me consigo livrar.&lt;br /&gt;    Debaixo dos meus pés o alcatrão que, mais cedo ou mais tarde, me levaria até ti, sejas tu quem fores. Penso quanto tardaria a chegar até ti, se me deitasse a correr o mais rápido que pudesse. Quem sabe, imune fosse eu também ao cansaço, estaria do teu lado mais cedo do que imagino… Quem sabe, se tudo fosse um bocadinho diferente, se cada um de nós fosse um bocadinho diferente nunca teria de deixar de te ver. Quem sabe… quem sabe se eu não fosse bom a escrever não escreveria esta merda que nada me faz senão afundar-me mais na profunda inocência do não-saber…&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;    Sento-me na cama, sento-me na secretária. Penso nas palavras que me disseste e questiono porque será que tudo tem de ser complicado. A inocência do não-saber… a inocência de não saber o que te dizer, de mal saber o que me disseste deixa-me encurralado, fechado num canto algures dentro de mim, sem saída possível senão um terrível silêncio que me assusta mas que me seduz. Repito para o ar as palavras que me ofereceste da última vez que nos vimos, daquela vez em que te devolvi apenas um misterioso e sensual sorriso, que nada mais era que o único disfarce que tinha para devolver, face a minha total ignorância e inabilidade em perceber os teus significados nem sempre precisos.&lt;br /&gt;    Penso no quão estúpido serei, penso se será normal que veja com tanta dificuldade esta empreitada de perceber as mensagens escondidas nos lábios de uma mulher. Dou uma olhada ao meu passado e revejo as vezes que me deitei acompanhado. Não as consigo contar… 31 anos de existência e um palmo e meia de cara fizeram com que tenha acumulado um número confortável quando partilhado em banais conversas de café. Porém sinto que, ano após ano, fico cada vez mais estúpido. Já não salto para relações, já não salto para ninguém, porque desta vez quero acertar…&lt;br /&gt;    Desta vez quero acertar e isso faz-me pensar como, tantas vezes no passado pensei ter acertado em cheio, quando estava profundamente errado. Faz-me pensar em como era tão brilhante não pensar, entrando, mergulhando em cada alma leve e descontraidamente, procurando com leviandade uma outra parte de mim que, com um sorriso me dizia para continuar a procurar. Agora quero acertar, e ouço as palavras que me dizem com uma atenção que nem sabia ter. Dou voltas e mais voltas à minha cabeça, dou voltas e mais voltas às frases que me dizes… penso, mais uma vez, se estarei mais estúpido e me estará a escapar o óbvio, apenas para, cedo, perceber que não… simplesmente esta inocência do não-saber manifesta-se tardiamente, fruto de demasiados dias ao sol, de demasiadas fugas de mim mesmo, de demasiadas demasias…&lt;br /&gt;    Sinto-me como um professor que não sabe ler, e isso mata-me por dentro. Sinto que posso escrever o que quiseres acerca do que sinto por ti, sabendo eu que te deslumbrará, mas sinto que não o sei fazer se o quero relacionar com aquilo que sentes por mim… porque não faço ideia… Penso na tua cara e nos gestos que me lançaste, misturo com as tuas palavras o resultado apresenta-se insolúvel…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    - Alexandra, tudo bem?&lt;br /&gt;    - Tudo óptimo Luís! E contigo? – responde, do outro lado da invisível linha. Entusiasmo, marasmo? Não sei, mas parece-me entusiasmo… Desde quando sou este conas que questiona um mero cumprimento?&lt;br /&gt;    - Queres ir tomar café?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Quando chega à minha beira traz consigo a usual atitude mais ou menos indecifrável. Como pode ser algo mais ou menos indecifrável? O seu aroma é o mesmo, o seu tom de voz o mesmo, tudo é o mesmo menos eu que, nervoso, me levanto para a cumprimentar, batendo com a perna na mesa, derrubando uma chávena de café na sua bolsa de pele branca. Tento perceber a sua reacção como nada mais do que aquilo que vejo. Uma expressão de surpresa, seguida de um descontraído sorriso e um levantar de sobrancelhas que me diz que está tudo bem, para não me preocupar.&lt;br /&gt;    Os primeiros minutos passam problematicamente. Quando há tanto que se sente, tanto que se quer dizer, cria-se como que um engarrafamento emocional, funcionando nós apenas em auto-piloto, que nada mais sabe do que falar do tempo, trabalho e, por vezes, no caso das versões mais actualizadas, da última semana. Deixem o auto-piloto a falar de sentimentos e o choque é certo. Contudo, uma vez ultrapassada esta desconfortável congestão, algo mudou. Não sei se Alexandra reparou na minha atrapalhação e decidiu ajudar, ou se eu próprio de repente subi de escalão… ou se a cerveja ajudou… Quem sabe um pouco de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    - Então, Luís, explica-me lá a tua confusão… – diz-me, passado um pouco, quando se volta para mim, depois de pedir um whiskey com seven-up. Apanha-me um pouco de surpresa.&lt;br /&gt;    - Bem, posso dizer-te, desde já, que me sinto confuso em relação ao teu pedido.&lt;br /&gt;    - Não é bem, um pedido, talvez uma… sugestão.&lt;br /&gt;    - Pois, acredito perfeitamente… E, como vês, está à vista a minha confusão. Mas jogos à parte, que queres dizer mesmo? – pergunto, fingindo não perceber o que quer dizer, ou esperando que eu esteja enganado com a minha própria interpretação.&lt;br /&gt;    - Pá… apetece-me dizer-te, sugerir-te, ou mesmo pedir-te para te deixares de merdas, porque sabes muito bem do que estou a falar, mas&lt;br /&gt;    - Repara que estás a dizê-lo sem o dizer – interrompo, a meia voz.&lt;br /&gt;    - … mas vou alinhar e explicar-te direitinho. Ok, não direitinho, mas mais ou menos. Sabes que te vejo como um enigma… Desde que te conheci, ainda que apenas soubesse o teu nome e tu o meu, e nada mais, que sempre te vi a mexer-se nestes meios como um pássaro no céu. Mas comigo vejo-te muito estranho!&lt;br /&gt;    - Estranho?&lt;br /&gt;    - Sim, estranho. Fazes cara de puto envergonhado sempre que nos encontramos. Isso é o quê? – penso que rumo quero tomar com esta conversa. Vejo duas nítidas e distintas opções. Do lado esquerdo a consequência misteriosa fruto da verdade como antecedente… do lado direito o controlo da conversa pela manifestação da ausência de controlo em relação ao seu tema.&lt;br /&gt;    - Não sei… – parece a opção da direita, mas na verdade é a da esquerda… – Contigo tenho reacções e… sentimentos que não tive dantes, e isso deixa-me um bocado… atarantado, digamos. Talvez isto de não saber o que fazer passe como misterioso, não sei… e repara que estou a ser muito sincero agora, não sei porquê…&lt;br /&gt;    - Pois, estou a ver… – sinto a sua expressão comunicar mais do que ela me quer mostrar. Por uma vez, creio perceber exactamente o que vai dentro de si. Vejo uma certa desilusão… – Engraçado como continuas a ser diferente, mesmo quando pões a nu a razão pela qual tens sido diferente até agora… Gosto! – diz, com força, os olhos brilhantes. Percebo ter errado, afinal, na minha interpretação – Que sentes, então? – começa a fazer-me confusão a conversa, facto que decido partilhar…&lt;br /&gt;    - P’ra ser sincero, sinto-me meio desconfortável com esta conversa e apetece-me mudar de assunto… não que queira mesmo, mas apetece-me, e sinto-me meio estúpido por isso…&lt;br /&gt;    - Porquê?&lt;br /&gt;    - Porque é que me sinto desconfortável com o tema, ou porque é que me sinto estúpido em querer mudá-lo?&lt;br /&gt;    - Ambos.&lt;br /&gt;    - Pá… Sinto-me desconfortável porque, para ser sincero, nunca tive este tipo de conversa com outras mulheres. Não só nunca me senti assim meio desamparado como me senti, ou sinto, contigo, mas também, e especialmente, nunca falei destas m… coisas. Nunca me pus tanto a nu, como dizes, se é que percebes… Sempre foi muito mais fácil manter o assunto em temas superficiais e divertidos, como se… – faço uma pausa, para me organizar um pouco, perante o olhar atento de Alexandra – É assim… se calhar não somos todos tão seguros como gostamos de mostrar que somos. E se mostrarmos apenas aquilo que queremos mostrar, que está sob controlo, talvez possamos manipular melhor a opinião que se forma acerca de nós… – desta feita a pausa que faço não é para me organizar, mas espero, apenas, ouvir a sua opinião. Quando se mantém calada, percebo que não respondi à segunda questão – Sim, claro… e a razão pela qual me sinto estúpido com o facto de querer mudar de assunto é que… talvez ficasse melhor, ou mais confortável, vá lá, por agora, mas isso era só mais uma escapatória, e daí que diga que, ainda que me apeteça, não quero!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Quando acordo, na manhã seguinte, ainda não percebo muito bem o que se passou na noite anterior. Levanto o braço de Alexandra, deslizo pelos seus lençóis verdes claros, e vou preparar um café. Tenho alguma dificuldade em perceber como é que, precisamente quando penso que estou a perder toda e qualquer hipótese de alcançar bom porto, vejo-a sair da sua cadeira, sentar-se no meu colo e beijar-me. Incrível! E o mais incrível é que o beijo foi terrível! Sentia-me tão à vontade em manifestar o que dentro de mim ia que decidi não parar, e aquele beijo foi a mais simples e crua manifestação da minha surpresa. Eram dentes por todo o lado, baba e sorrisos. Sim, talvez não tenha sido assim tão mau…&lt;br /&gt;    Sinto-me contente e divertido. Depois da conversa de portas abertas que tivemos, passamos para si, e depois para um milhar de temas. Incrível como as coisas podem ser tão simples uma vez que nada se queira ser senão o que realmente se é. Quando me senti perto de a perder, descobri estar errado. E uma vez que descobri o caminho onde me encontrava, nada tinha a fazer senão explorar a nossa compatibilidade da maneira mais natural possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Vejo as palavras que atravessam a minha mente como mais simples. Sinto-me mais organizado e menos desesperado. Interessante. Não sei, nem faço ideia, o que será de nós, mas sei certamente que nunca me senti tão perto de alguém como de si na noite anterior, e nesta manhã, ao acordar. Não memorizo estratégias, não aponto truques. Não penso em nada senão na simplicidade a quem tantas vezes pedi para desaparecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1313469821000283166?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1313469821000283166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1313469821000283166' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1313469821000283166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1313469821000283166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/01/kis.html' title='K.I.S.'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-2857511991202737250</id><published>2009-01-19T23:02:00.000Z</published><updated>2009-01-19T23:03:29.624Z</updated><title type='text'>Escolhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei bem o que fazer agora. Que pena é que a VIDA não venha com um manual de instruções… Olho à minha volta. A destruição que vejo ao meu redor entra em combate com a paz que ganhei nos últimos dois anos e que tento fazer permanecer. O peso da solidão faz-se sentir, mas tento, ainda que por vezes em vão, combatê-lo, com o tão útil “agir como se” (tudo estivesse bem), que vai perdendo as suas forças. O desaparecer do sentimento de isolamento no mundo está à distância dum par de telefonemas, dum par de pedidos. Sento-me na cadeira e penso no paradoxo que é o facto de sentir que a única maneira de não me sentir tão só, neste momento, seria entregar de novo a minha VIDA ao destino cruel de uma agulha qualquer. Com tudo isso vêm os “amigos” de novo, e o sentimento de solidão é mascarado com pessoas que procuram o mesmo, ou com um tiro de heroína, que não o mascara mas o afoga, assim como o faz com todos os restantes sentimentos. Penso se quero sentir o que sinto, ou se prefiro voltar a não sentir. Encosto-me para trás na cadeira, acendo um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O tratamento por que passei acabou faz uns anos… Depois de sair, a ilusão de que estava completamente curado ainda se prolongou por algum tempo. Diria mais do que o esperado, mas se esperasse que acabasse, não seria grande ilusão, creio, mas a consciência de que aquilo que se sentia não era real. Na verdade, desde o primeiro dia até um dia qualquer (que vivi há pouco tempo) vivi acreditando que a droga fazia parte apenas do passado, sem me aperceber que, na medida em que o passado faz, por mais que não queira, parte de mim, da mesma forma a substância milagre também o faria. Nunca tive problemas com a bebida, ainda que tantas vezes mo fizessem acreditar nisso enquanto em tratamento. Nunca percebi muito bem. Não tanto os técnicos, mas os meus colegas residentes, pelo facto de terem problemas com o álcool, pareciam não perceber como outras pessoas, também toxicodependentes, não teriam necessariamente que ter. Certo é que me encharcava uma ou duas vezes por semana, mas nada do outro mundo, nada que uma pessoa “normal” não o fizesse. Sim, normal. Porém, apesar de, como dizia, não ter tido nunca problemas com o álcool, ainda me mantive longe da dourada tentação por alguns meses, prolongando o recorde longe dos copos para 30 meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    - Se já estiveste tanto tempo longe e tens estado bem, para quê beber, Niklas? – dizia-me um jovem vestido de branco, sentado no meu ombro direito.&lt;br /&gt;    - Niklas… sabes que beber nunca foi algo com que tivesses problema, e ainda assim já andas sem isso há mais de dois anos! Para quê continuar? Não achas que já provaste algo a ti mesmo no que a isso diz respeito?! – contra-argumentava o ardiloso personagem empoleirado no outro ombro.&lt;br /&gt;    Acabei por dar ouvidos ao diabinho, e numa saída com alguns dos poucos amigos que mantive, atrevi-me a beber uma cerveja. Recordo-me do desgosto terrível e incompreensível que senti dado o primeiro gole. Falando racionalmente, creio que não foi, efectivamente, algo terrível ter recomeçado a beber… todavia, algo dentro de mim ruiu, algo muito frágil e pequenino, mas que deixou mais frágeis outras estruturas cujas fraquezas sofro agora. Bem, já não sei se falo racionalmente ou não. Sei que não estava bem preparado para isto…&lt;br /&gt;    Continuando… depois dessa noite, em que me emborrachei fortemente, outras noites vieram. Cheguei a assustar-me com o meu padrão, pois nas primeiras duas semanas fi-lo com muita frequência. Felizmente, depois destes 15 dias de festa e inconsciência voltei a um ritmo, suponho, aceitável. O que não foi aceitável foi o que veio de seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    - Nem penses!! – dizia o anjinho, nem se esforçando sequer com mais argumentos.&lt;br /&gt;    - Niklas, sabes que o teu grande problema era a heroína… e daí tens de te manter afastado. Mas um charro de vez em quando nunca te fez mal. E se não te aliviares com uma moca aqui e ali, vais começar a flipar e vais querer algo ainda pior que alivie esse flipanço… – “estou fodido” – pensava eu próprio ao ouvir estes dois argumentos, de alguém que me queria um desprazeiroso bem, contra alguém que me queria um prazeiroso mal. O pior era que a minha indecisão entre estes dois lados da acção deixavam-me numa ansiedade terrível, e esta ansiedade fazia-me pender nitidamente para o alívio dado apenas por um bom charro… Estranho como apenas se cem por cento certos de algo o “bem” pode vencer, e como a indecisão joga tão favoravelmente para o outro lado. Na verdade será sempre mais fácil estragar do que criar, ou manter algo bom, isso não é nada de novo, sabemo-lo bem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Apesar de nunca ter percebido muito bem a necessidade que nós, não apenas os toxicodependentes mas os humanos em geral, temos de testar os nossos limites, aprendi em tratamento que não teria de o perceber, desde que jogasse pelo seguro, tendo sempre em mente que a recaída poderia estar à espreita em qualquer esquina, caso não jogasse as cartas certas. O jogo de que disponho não é mau de todo, mas tenho poucos ases. Sempre achei que se não fizesse bluff e jogasse pelo seguro poderia sair a ganhar. Mas a piada de viver sem o bluff é algo a que nunca me habituei, e quem sabe nunca me habituarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Sentindo todos estes receios, e necessitando de um aliado ao anjo que lutava, no meu ombro, por se fazer ouvir, marquei um café com Bjornstein, para que pudesse contar o que se estava a passar, os passos estúpidos que estava a dar e pedir ajuda para evitar que acabasse onde sempre acabou.&lt;br /&gt;    - Como estás? – perguntei-lhe, assim que o vi, quase não lhe dando espaço para ser o primeiro a o fazer. Sinto-me algo irrequieto, batalho com a necessidade de lhe contar que estou a um passo dum charro, a alguns de males maiores… Quero contar, mas ao mesmo tempo tenho um estúpido receio de estragar a imagem perfeita que tem de mim, de não ouvir mais os rasgados elogios que me tece, com que adorna o meu percurso na Comunidade Terapêutica…&lt;br /&gt;    - Estou bem, muito bem, felizmente! – respondeu, cheio dum energia que apenas me fez querer espancá-lo. Sinto-me mal com sentir isto, mas a inveja que senti deixou-me quase tonto. Vi-nos a nós os dois, sentados no Mono, um cheio de confiança e com tudo a correr perfeitamente, e outro, eu, sem saber o que se passa, porque se passa, e acima de tudo, o que se passará. – E tu, como estás? – devolve. Quero dizer o que vai dentro de mim, mas não consigo. Não quero verbalizar a minha estupidez. Quando se vive constantemente a fazer merda, é-nos estranho começar a agir bem… é-nos estranho pois ouvimos palavras que não sabíamos já existir… Palavras de afecto, incentivo, de amor. O espanto é tão grande que somos inundados por um medo terrível de o perder, como cada elogio e prova de afecto seja a constante lembrança de que só temos mais uma oportunidade, mais uma cartada, e já a jogamos… Nem o simples facto de ter aprendido a pedir ajuda me salva. Vejo tudo e todos, a excelente equipa técnica com quem trabalhei, a pedirem-me para eu pedir sempre ajuda, e da maneira mais estúpida e inconsciente, dou voz apenas ao que quero ser, esquecendo quem estou realmente a ser…&lt;br /&gt;    - Estou bem, corre tudo perfeitamente, se queres que te diga! – ouço estas palavras abandonar a minha alma, ditas de uma forma impressionante. Tal é o meu entusiasmo que quase me acredito no que digo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Ficamos por ali cerca de uma hora mais. Niklas bebeu uma Coca-Cola e eu, apesar de me apetecer uma cerveja, fiquei-me por um café. Não falamos muito mais acerca de como estávamos ou deixávamos de estar, e devo confessar que foi bom, pois consegui, ainda que por momentos, afastar-me um pouco de mim. Nada como a capacidade de não pensar…&lt;br /&gt;    Foi nessa mesma noite que chegou o momento. O momento em que vi que ainda que a droga fizesse parte do passado, nem por isso deixava de ser parte de mim… e que se assim era, um charro apenas por ínfimos e insignificantes instantes faria parte do presente. Uma vez acabado, quem sabe conseguisse arrumá-lo, quieto, na gigante caixa na minha mente, que era a caixa do passado.&lt;br /&gt;    Não me senti arrependido de imediato. Não precisei de mais que quatro passas para me sentir instantaneamente a voar. Os meus braços ficaram mais leves, o meu cérebro mais frio, os meus temas de conversa mais sem sentido. Porém, toda esta ausência de sentido e todo o reviver destas sensações foi algo que apenas me fez fumar mais, e mais, e mais, até que adormeci no sofá… Quando acordei não sabia onde estava. Recordava-me com dificuldade de como tinha ido parar àquela festa, àquela casa, àquele charro…&lt;br /&gt;    Se dantes, das primeiras vezes, me sentia bem e como um menino rebelde, desta vez fui acompanhado até casa por um sentimento de culpa pesado e lúgubre. Tinha ansiado por este momento. Todos temos um mecanismo de auto-destruição, e funcionando movido por esse mesmo mecanismo, antecipava e rejubilava com esse sentimento de culpa que me deixa com uma dor inconfundível no peito. Todavia, uma vez que vem, não tenho como dele me livrar. Sinto como a desilusão personificada, como alguém sem valor nem direito à felicidade. Sinto-me, acima de tudo, profundamente assustado, pois sei onde estes tipos de sentimentos geralmente me levam…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Não quero ver ninguém, não quero ver nada senão a minha parede nua que nada tem para me oferecer. Sinto-me já recaído, sinto que o vou fazer a qualquer momento, e sendo assim, penso porque não o fazer de imediato? Porque não ir directo ao assunto e não sofrer mais? Porque não acabar com estes pequenos passos e entregar-me de uma vez por todas. Tremo bastante, sinto-me nervoso, ansioso, excitado. Vou ao quarto de banho, estou branco como a neve, tenho uma expressão de pavor que me leva para o passado. Tanto tempo, tanto tempo! Não posso ter passado tanto tempo para sair, e apenas um par de semanas para voltar a entrar. Preciso de ajuda mas não a quero ter, ninguém me consegue ajudar! Vomito o pouco que tenho no estômago, sento-me no quarto de banho a tentar reunir-me por uns segundos. Levanto-me, tenho a porta à minha frente. A porta vai levar-me à estação, o meu olhar vai pedir tudo o que preciso por mim. Tenho a porta à minha frente e o meu telemóvel dentro do bolso. Penso na ajuda que não quero ter, penso que tenho de decidir. Talvez dramaticamente, vejo a minha VIDA reduzida a duas opções, reduzidas a um pequeno momento, que está a acontecer agora mesmo. Não é o passado, não será o passado mas um presente lamacento que se estica, misturando tudo de uma forma agoniante. Escolho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    - Bjornstein, preciso que venhas aqui, não estou bem…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-2857511991202737250?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/2857511991202737250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=2857511991202737250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2857511991202737250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2857511991202737250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/01/escolhas.html' title='Escolhas'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-887236131515650642</id><published>2009-01-13T21:31:00.000Z</published><updated>2009-01-13T21:33:08.809Z</updated><title type='text'>Rita [Foste]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    Agora foste. O que me separa de ti é um não-saber. Uma nova etapa dentro desta pequena fase. Em pouco tempo tanto vivemos. Subimos, descemos, subimos… Tudo aos tropeções, tudo ao sabor do momento, nunca do destino. Em cada partida sempre um “até já”, apenas para hoje te ver ir e pensar num “até”…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    É estranho. Ouço a nossa música, quase sem querer, e sinto aquela tristeza, já não tanto a quentinha, mas aquela um pouco mais fria e inquieta. O dia, como tem de ser, vestiu-se a condizer, e brinda-me com pesadas e sombrias cinzentas nuvens, apenas a adornar a realidade. Bem, assim o é, assim o será.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Longe de casa, quem sabe estaremos mais perto de nós, para o melhor e para o pior, para o que der e vier. Tens diante de ti meses de loucura, eu tenho diante de mim anos de algo que ainda não sei bem o que é.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-887236131515650642?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/887236131515650642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=887236131515650642' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/887236131515650642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/887236131515650642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2009/01/rita-foste.html' title='Rita [Foste]'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-798704435749541714</id><published>2008-12-16T11:31:00.001Z</published><updated>2008-12-16T11:31:39.658Z</updated><title type='text'>Rita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pego numa flor, cheiro. Abro tudo o que posso de mim e deixo-a mergulhar no meu olhar com intensidade. A tontura que sinto em nada se assemelha à loucura que é respirar outro ser. Passeio lentamente pelos campos ingleses e viajo com a palma das mãos deslizando entre os pequenos arbustos. O frio que sinto é estranho e desconfortável, mas ao mesmo tempo apelativo. Pede-me para ficar, pede-me para ficar duma forma que nem entendo nem me esforço por entender. As palavras por vezes fazem mais sentido quando desprovidas de lógica nem verdade. Deito-me nas tuas palavras perdidas e adormeço, saltando de planeta em planeta até estar junto de ti.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Sonho. Sonho algo que passou, aconteceu, tive e não terei. Sonho com os meus próprios olhos cor de fogo, alegres e tempestivos, beijados pelo teu toque caloroso. Vejo-te a ver-me, olhar para os meus longos cabelos ruivos, a minha pele branca e feroz, o meu olhar perdido e nunca inocente. Vejo-te aproximar de mim, esticar os braços e pedir um ou dois segundos. Sem roupa nem pecado entrego-me a ti, viro do avesso as promessas do tempo, tomo as piores decisões e embriago-me das tuas lágrimas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Acordo. A luz morre lentamente, o sol escapa-se um pouco, segundo a segundo, até desaparecer completamente, deixando um aroma não mais de frio confortável mas gélido e desesperado. Não tenho nada a fazer senão voltar para casa. A flor que cheirei, que matei, jaz nua no chão, ao meu lado, tremendo com questões, questionando o meu tremor.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Açambarco tanto quanto possa de tudo o que o mundo tem para me dar, na esperança de que esta overdose de sentimentos, ideias e sensações me possa fazer esquecer por alguns segundos a tua imagem cruelmente vincada. Nada sou senão o nosso passado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-798704435749541714?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/798704435749541714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=798704435749541714' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/798704435749541714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/798704435749541714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/12/rita.html' title='Rita'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-6454932342775420185</id><published>2008-12-12T17:51:00.000Z</published><updated>2008-12-12T17:52:28.992Z</updated><title type='text'>Pedro [Tristeza]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new;"&gt;Há tristezas que são quentinhas. Como que um cobertor leve e confortável, mascarando-se de um par de dias, de um par de horas. Afunda-nos apenas o suficiente para podermos pensar com outra mente. Encolhemo-nos um bocadinho e, do nosso novo canto, podemos ver quem somos duma forma mais apurada, mas ainda assim enviesada. Vemos algumas coisas que fazemos, que somos, como estranho e sem grande sentido. Como é uma tristeza apenas quentinha, como não é fria, gélida, permite-nos sorrir como quem não quer a coisa, achar-nos piada, achar-nos um bocado estúpidos mas ingénuos.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ouve-se, classicamente, uma música nada alegre, para prolongar mais um pouco o sentimento que dizemos não gostar de sentir. Deus nos livre de admitirmos que por vezes gostamos de estar tristes. Seria terrível… sorrio. Fecho os olhos e deixo a melodia amarelada entrar por mim adentro. Encosto a cabeça na parede de estranha tinta atrás de mim e deixo-me levar, por uns segundos, para dentro de mim. Às vezes, uma parte mais preguiçosa de mim gosta de não gostar da euforia. Tudo seria muito mais fácil se tivéssemos apenas um caminho a seguir. Deus, que seria de nós apenas com uma estrada, sem decisões… Entendo estes meus pensamentos. Não fico assustado, ou nervoso, porque sei que deixar em palavras questões que apenas esporadicamente me habitam não me acostumará a esta normalidade aborrecida. Sei que daqui a uns segundos, minutos, horas, a alegria do não saber voltará, como sempre o faz. Mas… que dizer? Por mais fortes que nos sintamos em relação a uma ideia, a uma filosofia ou modo de estar, que significaria se não o questionássemos de vez em quando? Não seria algo cego e sem sentido? Que são das ideias sem questões? E a minha questão de agora prende-se única e exclusivamente com a infinidade de estradas que vejo, ou gosto de ver, diante de mim. Vejo estender-se à minha frente mil e um futuros, cada um me seduzindo por diferentes razões, cada um me afastando terrivelmente. Sei apenas que não escolherei não escolher. Sei apenas que, faça o que fizer, sempre o verei, em mim, como ir para algum lado, mais do que fugir doutro sítio qualquer. Ai, não sei… É estranho quando certas certezas que temos de repente decidem que afinal… não é bem assim. Mas como sabe tão bem ter razões para esta tristeza quentinha… Como sabe bem saber que temos tudo à nossa frente… Não interessa a idade, o quando, o porquê… Nada interessa senão o tudo de que nunca abdicaremos. Vejo esta tristeza quente como a irmã e amante incondicional da euforia da indecisão. Abraça-me e não me deixes, ou deslizarei a caminho da nulidade de tudo saber…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-6454932342775420185?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/6454932342775420185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=6454932342775420185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/6454932342775420185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/6454932342775420185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/12/pedro-tristeza.html' title='Pedro [Tristeza]'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-2099798995370292407</id><published>2008-12-10T12:20:00.002Z</published><updated>2008-12-10T12:25:49.316Z</updated><title type='text'>Não Sei</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Que saudades tenho do mundo que inventámos… Posso dizer-te com precisão a última vez em que te vi, o último beijo que te dei, o último passo que dei nessa fantasia, caminhando em direcção ao sempre conhecido. Vivo, neste segundo em que escrevo, ora no passado ora no futuro, seja na última vez que te sorri, seja na próxima que me sorrirás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Tenho saudades da complexa simplicidade da dimensão que inventamos segundo após segundo e onde mergulhamos sem pensar no que pode acontecer. Mergulhamos fundo, bem fundo, sem nunca saber se o ar nos nossos pulmões será suficiente para voltar à superfície. Pensei duas vezes nesse risco, sabes? Quem engano… pensei mil vezes nesse risco, mas hoje penso mil vezes em como valeu a pena vivê-lo. Dói-me que o tenha feito, as feridas da tua presença marcam-me como ácido na alma, mas a dor que sinto envolve-me e deixa-me com um triste sorriso que se recorda da tua presença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Ai como me apetece chorar! Não me perguntes porquê, por favor, ou poderei dizer coisas que não quero ouvir. Não me perguntes porquê e limita-te a não ler o que agora te escrevo. Tenho saudades tuas como a lua tem da noite. Tenho saudades tuas como tu tens de mim… penso. Desta vez não penso mil vezes. Penso uma, quem sabe duas… forço-me a parar o sacrifício que é examinar o teu sentimento por mim. É-me difícil, mas consigo vivê-lo como algo que, por mais indefinido que possa parecer, será sempre aquilo que é… estranho a minha estupidez ao, num esforço qualquer ao tornear a definição de ti para mim me fico por algo estupidamente vago. Assim me apetece…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Os dias que me separam de ti, ou dum novo esporádico mergulho no pequeno mundo que criamos, são cada vez menos. Penso se será melhor uma inventada e azul realidade do que a cinzenta existente. Penso nos quilómetros que separarão estas duas, penso em qual delas será aquilo que posso tocar. Porque terá de ser a minha realidade algo que me entregaram? Porque não a posso criar, porque não a posso escolher e abraçar? Estará na consciência da nossa brevidade tudo aquilo que te eleva para mim? Não sei, não sei! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-2099798995370292407?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/2099798995370292407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=2099798995370292407' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2099798995370292407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2099798995370292407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/12/no-sei.html' title='Não Sei'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-6538854895844490158</id><published>2008-11-27T11:18:00.001Z</published><updated>2008-11-27T11:22:44.937Z</updated><title type='text'>Quero</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;a ouvir &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=MzEWPI2Ttvo"&gt;Radiohead - Bodysnatchers&lt;/a&gt; [clique para o link]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que passeio delicioso é esta VIDA! Apetece-me saltar para um qualquer lado desconhecido. Sobreviver às custas de sorrisos, comer lamentos desnecessários. Correr em cima de carros, beijar estranhos e fugir, deitar-me na estrada e adormecer a sorrir. Lembrar-me de tudo o que tenho e fiz e embrulhá-lo num estranho embrulho de alegria. Fazer merda a torto e a direito, pensando apenas no próximo segundo, estalar o verniz da sociedade que me olha de soslaio por não me perceber. Ser o verdadeiro rebelde sem causa, o mau exemplo que ninguém deve seguir. Foda-se como me apetece ser de tudo um pouco. Desfazer-me em elogios aos transeuntes, beijá-los com uma gargalhada e dar-lhes uma palmada nas costas. Dançar todo nu o mais estúpido dos tangos, numa bebedeira sem elixir nem consequência. Partir-me a rir e com vontade, até me doer a barriga, e rebentar em lágrimas sem aparente razão. Quero sentir coisas estranhas e sem grande significado, quero sentir vulcões e euforias dentro de mim, deixar-me mal disposto e querer vomitar num exercício de não compreensão da beleza que cada segundo tem. Quero olhar para um relógio e adivinhar o próximo segundo, pará-lo na impossibilidade de tal acontecimento, ficar fodido com a desilusão. Quero envelhecer, não quero envelhecer. Que se foda, quero alguma coisa. Quero sentir a vontade e a necessidade de querer coisas que não tenho sem me preocupar porquê. Viver a essência de momentos irrecuperáveis e morrer de tristeza face a constatação da sua brevidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero querer e querer o mais que possa sem me arrepender. Quero querer e não ter porque o não ter. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-6538854895844490158?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/6538854895844490158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=6538854895844490158' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/6538854895844490158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/6538854895844490158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/11/quero.html' title='Quero'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-3743754876878116373</id><published>2008-11-22T16:04:00.000Z</published><updated>2008-11-22T16:09:08.412Z</updated><title type='text'>Não</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;a href="http://uk.youtube.com/watch?v=VqoVjkvB0K4"&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Amiina – Rugla&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Não me perguntes como me sinto se não te sei responder. Sinto o meu estilo crescer, sinto-me mudar, sinto a minha pessoa saltar níveis, perdida à procura daquilo que eras para mim. Sinto a minha alma à deriva em sentimentos que pareço já não ter. Por isso não quero que me perguntes nada. Silencia-te mais um ou dois anos, quem sabe com o passar do tempo esqueço o que é sentir de todo e não preciso de te mentir. Quem sabe com o tempo esqueço quem sou, quem fomos, e não seja nada mais do que a imagem ilusória que guardamos num canto qualquer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Não fales comigo nem me questiones. Continua a brindar-me com a tua diária presença, os teus lendários carinhos e a tua infinita atenção. Sê como sempre foste para mim por favor. Não mudes, ou terei de pensar se ainda gosto de ti. Não mudes pois assim é mais fácil. Não mudes para poder viver agarrada a tudo o que juntos criamos, sem consciência da VIDA que sempre aconteceu fora da nossa rotina…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Não me faças sentir velha. Não me faças sentir que o vestido de princesa que me ofereceste quando nos conhecemos já não me serve. Não me faças sentir que nada mudou, ou que tudo mudou… não me faças sentir de todo, e quem sabe assim o sorriso que vês se possa mais aproximar da realidade ilusória que é o que vai dentro de mim. Não me faças sentir que as rugas se aproximam e o sentimento esvanece. Não me faças, sobretudo, fazer o que agora faço, colocando as tuas defeituosas qualidades num papel e olhá-las com tristeza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Não quero fazer nada mas as linhas aparecem diante de mim. Sento-me frente à máquina de escrever, o teu vivo corpo a dois metros, no mesmo sítio de sempre, com uns indesejados pontos de interrogação a circundá-los ávidos, quais abrutes esfomeados. Não quero fazer nada mas as perguntas que trago comigo e tento afogar são demasiado pesadas. Não as consigo fazer ir embora, não me consigo, acima de tudo, fazer ir embora. A porta é demasiado pequena e o futuro demasiado incerto. Olho com saudades para o passado em que não pensava, em que apenas existia e tudo era perfeito. Quero sorrir de boca cheia, sentir que te amo, quero, como nunca, não pensar em mais nada a não ser no que fazer no próximo segundo…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-3743754876878116373?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/3743754876878116373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=3743754876878116373' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3743754876878116373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3743754876878116373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/11/no.html' title='Não'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-996656064344692098</id><published>2008-11-16T17:15:00.000Z</published><updated>2008-11-16T17:17:51.887Z</updated><title type='text'>Fá-lo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;Fá-lo, meu querido, fá-lo. Não tenhas pressa, estou aqui ao teu lado. Abraça-me no teu abraço sôfrego e luzidio. Aperta-me nos teus braços dourados e diz-me que tudo vai correr bem, que um segundo é tudo aquilo que poderíamos desejar. Pára o tempo um bocadinho, eu sei que podes. Pára o tempo e deixa-me existir à vontade neste segundo, deixa-me ser eu só para ti, deixa-me abrir os braços e sentir quem és.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Abraça-me devagarinho e pede-me o que não posso dar. Não vou dizer que não. Fala comigo baixinho, deixa-me adormecer. Deixa-me dobrar o tempo, deixa-me dobrar o espaço, deixa-me fazer tudo o que é impossível e que me permita abrir os olhos só mais um bocadinho. Sente a minha pele a envolver-se na tua, sente o meu sentimento crescer, acalma-o, desafia-o, beija-o. Deixa-me afundar-me em ti e percorrer tudo aquilo que não me contaste. Deixa-me saber o que não queres que saiba. Tem calma, não digas uma palavra. A minha fortaleza é o teu olhar que, atento, me despe de mim. Fá-lo. Faz desaparecer da minha alma tudo o que não sou. Descola a pouco e pouco as partes de mim que me afastam de quem és. Funde-te comigo. Lentamente conseguimos. Sofre comigo.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Fecha os olhos e entra comigo onde nunca quiseste entrar sozinho. Agarra-me e não me deixes cair. Agarra-me até que me doa, mas agarra-me com calma. Aperta-me devagarinho, faz a minha pele queixar-se, dá-me beijos pequeninos. Fala com os meus lábios, abre os meus olhos e olha para nós. Podes esticar o tempo um bocadinho. Estica esse segundo, congela-o, não me interessa o que faças, mas fá-lo. Fá-lo com calma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-996656064344692098?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/996656064344692098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=996656064344692098' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/996656064344692098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/996656064344692098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/11/f-lo.html' title='Fá-lo'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-7988927017798409628</id><published>2008-11-12T22:24:00.000Z</published><updated>2008-11-12T22:25:19.515Z</updated><title type='text'>JR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Ryan Farish – Pacific Wind&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso vezes sem conta na minha decisão. Disseco cada segundo do meu passado e tento viver de novo o momento em que decidi vir, sair, para poder fazer diferente. Vejo os meus dedos a beijar o teclado, os meus olhos passearem pela proposta de dois meses em Balsall Common, esse pedaço de desconhecido que, a alguns milhares de quilómetros de distância, me tenta seduzir. Quero saltar para esse passado para poder escolher diferente. Odeio-me por isso. Odeio-me por o querer fazer e estranho-me totalmente por saber que não o faria, tivesse eu mais mil viagens a esse momento…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Penso no meu dia-a-dia, penso nas ilusões que alimentei e em como em tantos casos não mais que isso foram. Ilusões e promessas de algo diferente. Penso no meu dia-a-dia, mas volto a pensar. Concentro-me nas palavras que me dizem, nos conselhos que me dão. Fazem-me sentido. Sentir esta dor que sinto e o massacrador peso da saudade criará uma Rita diferente. Alimenta a minha VIDA com estórias, alimenta o meu ser com pensamentos, que me inundam e me deixam confusa. Percorro o meu caminho de todos os dias, divertida aprecio o clima intermitente inglês, que ora me brinda com viscosas gotas de água que servem apenas para destruir o meu penteado, ora oferece aos meus olhos a magnífica visão dos bravos raios solares ganharem a dura batalha que é oferecer um pouco de calor a quem por terras britânicas se aventura. Penso no meu dia-a-dia… mas volto a pensar. Paro uns segundos que, gozões, em minutos se transformam enquanto enrolo um doce cigarro, e entrego-me à estrada e às dezenas de metros que me separam de onde posso ser um pouquinho mais feliz. Ouço Ryan Farish, sinto a minha alma dançar um pouquinho com a sua melodia, à medida em que me sento na sebe de madeira molhada. Fecho os olhos e quero ser tudo o que me rodeia. Sinto-me pequenina mas extremamente importante para o equilíbrio do mundo que me abraça. Penso no que por vezes me dizem, e na incompreensão que me mostram acerca de como posso gostar tanto de algo tão simples. O cheiro a lavanda da planta que apanhei minutos antes agarra-se aos meus sentidos, o verde que tenho diante de mim faz-me feliz. Penso e volto a pensar. Penso em como sei que, no final, tudo valerá a pena. As pequenas batalhas do dia-a-dia, por mais que custem passar parecem desaparecer, ou transformar-se, nos momentos em que me vejo apenas comigo, no meio de tudo o que mais amo, a natureza que não faz mal a ninguém. Penso, penso, penso. Não consigo, tampouco o quero, deixar de o fazer. Os pensamentos misturam-se com imagens de sorrisos caseiros nunca esquecidos, e a vontade de voltar volta a fazer-se sentir. Entrego-me ao futuro e vejo-me chegar, descendo, imperial, as escadas do avião, alguns artigos na mala e nada além de orgulho na bagagem. Vejo os rostos dos meus amigos e vejo-me chorar de alegria por os ver. Penso se realmente pensarei, ou terei consciência do importante que isto está a ser para mim, e da maneira como recordarei os dias aqui passados, para sempre. Penso no porquê de me sentir triste por ter finalmente deixado o berço, se sempre o quis fazer. É difícil, e a resposta afigura-se difícil. Queria tê-la diante de mim, quem sabe um pedaço de verdade traria consigo alguma paz e sossego. Sim, traria alguma paz e sossego, mas tenho 20 anos, que farei com paz e sossego?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-7988927017798409628?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/7988927017798409628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=7988927017798409628' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7988927017798409628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7988927017798409628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/11/jr.html' title='JR'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-2217353275127040742</id><published>2008-11-09T21:38:00.001Z</published><updated>2008-11-09T21:41:22.378Z</updated><title type='text'>Jovem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: verdana;"&gt;XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que temes? – perguntou-me o doce e apaparicado menino de vinte anos.&lt;br /&gt;- O que temo? – respondi, tentando ganhar algum tempo para responder a sua inteligente questão. Sorriu-me, dizendo-me sem se pronunciar que não repetiria a questão. Fechei os olhos, beijei-o mais uma vez, e tentei explicar-lhe, com um subtil olhar, os milhares de quilómetros que nos separavam. Não me respondeu, sentindo eu que a minha inexistente resposta não chegara à sua atenção. Como explicar o que se teme, quando se batalha por não o querer saber? – Porque tens de pensar tanto nas coisas, e não podes simplesmente abraçar este momento? – respondi, fugindo à sua questão, enquanto pegava no seu braço e o impelia a me acariciar, suavemente, o pescoço.&lt;br /&gt;- Porque já não consigo viver sem ti. Já não consigo sobreviver com a mera ideia de que o que se está a passar é apenas uma louca aventura. Já não me consigo agarrar à excitação que me dava estar com uma mulher casada trinta anos mais velha que eu… – disse-me, cruamente. O peso das suas inocentes palavras apenas acentuaram o peso das minhas rugas. Começava a nascer algo que eu própria nunca havia previsto, e que se revelava assustadoramente real. Se por um lado tentava zombar dos sentimentos do pobre jovem, tentando mostrar-me a mim própria como passiva e intocável, por outro lado receava admitir que o que ele dizia era o que eu pensava vezes sem conta. Esticava ao máximo as horas em que estava na sua presença, sofria como nunca quando longe. Já deixara de o ver como “o meu jovem” e já o via como… “o meu homem”. Deus, como me é estranho dizer isto!...&lt;br /&gt;- Queres agarrar-te a quê? – pergunto, brincando com o seu cabelo. Temo a sua resposta. Seja o que for, não vou gostar. Seja aquilo de que não goste, o passado que implicou, o presente que implica ou o futuro que pode implicar. Cada desfecho é assustador, cada alternativa relembra a possibilidade de tudo o que se passou entre nós ser um erro.&lt;br /&gt;- Quero assumir o que temos, ou desaparecer, ou fazer alguma coisa! Fazer alguma coisa que nos permita estar juntos sempre que nos apetecer, sem estas mentiras e arranjos… – diz, elevando-se. Estava deitado na cama, de barriga para baixo, agora olha-me doutra perspectiva, com os cotovelos apoiados no confidente colchão. Vejo o seu olhar carregado de algo que me parece uma mistura de desespero com esperança. Não faço a mínima ideia do que lhe responder. O que eu queria fazer era largar tudo, e assumir, para poder, como ele diz, estar junto de si a toda a hora…&lt;br /&gt;O que tenho a favor é “apenas” um ponto, o que tenho contra são inúmeros. E como pode apenas este ponto colocar numa situação tão frágil tudo o resto? Como podem algumas coisas, por mais simples que sejam, ser tão poderosas a ponto de nos fazerem questionar tudo? Admito que me perturbaria imenso saber que as pessoas falavam de mim na rua. Sei que a ele não, é romântico e jovem… e isso é outro pormenor que me faz afastar terrivelmente a possibilidade de termos um futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XY&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu não queres estar comigo… – diz-me, tristemente. Preparava-me para uma rejeição, mas esta frase… não sei bem em que categoria a posso incorporar dentro de mim…&lt;br /&gt;- Que queres dizer com isso? – pergunto. Tento apanhar o seu olhar, puxá-lo para mim para quem sabe mexer na sua opinião, mas olha algures que não para mim…&lt;br /&gt;- Tu tens a VIDA toda pela frente! Tens a universidade, paixões para viver, erros para cometer… eu estou no processo completamente invertido… estou a descer…&lt;br /&gt;- Mas – tento interromper.&lt;br /&gt;- A cada segundo que passa sentes mais VIDA dentro de ti, eu sei-o bem. Mas eu, a cada segundo que passa, sinto menos VIDA dentro de mim! E não penses que vou querer roubar-te um segundo da tua jovialidade…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas será que não posso ter algo a dizer em relação à minha própria felicidade? – pergunta-me, quase irritado – É quase certo que se ficares comigo, não vou viver toda a minha VIDA do teu lado! – faz uma pausa, imagino que ganhe coragem para dizer o que tem a dizer – Provavelmente morrerás muitos anos antes de mim, e a minha VIDA continuará. Mas isso está tão longe… Já é tarde demais para procurar o meu primeiro amor! Encontrei-o em ti, e não ficarmos juntos vai apenas deixar-me amargurado!&lt;br /&gt;- Mas&lt;br /&gt;- Não há “mas” que possas dizer! É a verdade… – impossível saber a razão que tenho, o sentido que as suas palavras fazem em mim. Se ouvisse a mesma estória contada por outras pessoas, o que sinto dentro de mim seria estúpido e irresponsável. Mas a diferença que vai entre o que nos contam e o que sentimos será sempre, ela mesma, estúpida, e eventualmente sem sentido. A decisão que eu quero tomar é apenas uma. Desaparecer. Assumir, admitir, seja o que for, e entregar o meu amor ao jovem de 20 anos que sente tal sentimento pela primeira vez… É difícil, como é, afastar a maneira como o mundo, por detrás do meu ombro, espreita cada jogada e opção que tomamos, mas a minha vontade é uma…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XY&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desespero que sinto quer explodir em lágrimas. Aguento-as, sinto que isso apenas a relembraria da minha tenra idade, sinto que viajasse instantaneamente ao primeiro momento, em que eu não era um homem aos seus olhos, mas um interessante rapaz. Sei a sua resposta.&lt;br /&gt;- Tudo bem, querido, tens razão. – diz-me, passeando seus dedos pelo meu braço. Sinto adrenalina inundar o meu ser, e a eventualidade da minha previsão estar errada deixa-me perto do êxtase – Vamos assumir o que temos, e ser felizes tanto quanto possamos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei voz aos sentimentos que tinha dentro de mim e senti-me estranhamente confortável e feliz perante a ideia de futuro que se começava a desenhar. Porque não? Tenho 50 anos e ele tem 20, mas será isso assim tão errado? Sou casada, e isso é errado de acordo com quem gere as nossas VIDAS e tomas as nossas decisões. Mas não será mil vezes mais errado viver em relações cujo sentimento é um mero nada a que nos agarramos? Sim. Será difícil, mas vê-lo, a um metro de mim dá-me o conforto e a energia para enfrentar tudo o que terei de enfrentar. A ideia de o ter comigo sempre que quero, a ideia de poder pousar em si os meus olhos é apenas um milhão de vezes melhor que a tristeza de lhe dizer adeus para sempre. O futuro não será tão longo assim, mas o presente será bestial…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-2217353275127040742?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/2217353275127040742/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=2217353275127040742' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2217353275127040742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2217353275127040742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/11/jovem.html' title='Jovem'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-8100098924308700310</id><published>2008-11-06T12:07:00.000Z</published><updated>2008-11-06T12:10:24.046Z</updated><title type='text'>Como O Mundo Avançou</title><content type='html'>um&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num Domingo. Era de manhã, creio que por volta das dez e qualquer coisa… Tinha acordado fazia pouco tempo, e punha café a fazer. Tomaria banho de seguida. Estávamos em Maio e a temperatura era agradável. Ouvia Getaway Car, dos Audioslave… O telefone tocou algures enquanto eu caminhava da cozinha para a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele acordou!! – gritei, com um sorriso viajante e um tom que, apesar de muito elevado, nunca exagerado. Dava a notícia à única pessoa no mundo que eu sabia que ficaria tão contente quanto eu com a novidade, e isso unia-nos eternamente, apesar do tempo passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quanto tempo… estive… em coma? – pergunto – Onde está a A.? –tudo o que me passava pela cabeça relacionava-se com estas duas questões. Quanto tempo estive fora? Dois meses, seis meses, um ano?? Fiz A. perder muito tempo da sua VIDA, esperando por mim? Esperou por mim? Noto como me custa algo tão simples como falar, algo tão simples como pensar. Sinto-me terrivelmente cansado, sinto-me terrivelmente ansioso, sinto-me, acima de tudo, destreinado de sentir. Quando tempo estive fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando A. me ligou, não pude acreditar. Não pude acreditar como, ao ouvi-la pronunciar aquelas duas palavras, tanto entrei em contacto com a minha natureza animal. Como pode ser possível que eu tenha ficado triste ou desiludido pelo meu amigo ter acordado de um coma? Acho que chorei, e ninguém estranhou, pensando que as lágrimas que viam correr eram de alegria, quando representavam nada mais que um misto de desilusão comigo mesmo, traição ao meu melhor amigo, o constatar de que nunca poderia ter A. para mim, que o tempo que esperara por ele fizera sentido… que o tempo que eu esperara por ela nenhum fez…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando treinamos tanto tempo sentimentos e reacções, encontramo-nos completamente sem saber como acontecer quando surpreendidos pelo esperado. O choque foi tal que me recordo de tantos pormenores do que fazia antes, mas não faço ideia do que respondi a B…. O momento de que me recordo presenteia-me a imagem de um espelho choroso, de uma pessoa a chorar compulsivamente. Sentia que podia finalmente libertar duma vez toda a mágoa e tristeza acumulada. Não precisava já de disfarçar que acreditava que acordaria, de vestir sorrisos, de me dar falsas esperanças. O meu amor tinha acordado… não me senti mal por ter tantas vezes duvidado se alguma vez o faria. Não me senti mal pois isso nunca me impediu de o visitar quase todos os dias, não me impediu de dizer não a D., por mais que me custasse, por mais que, no fundo, me apetecesse dizer que sim…&lt;br /&gt;Fiz a viagem com calma. Não porque queria ser cuidadosa para nada me acontecer agora que estava tão perto de o ver. Não por isso, mas porque sentia uma ansiedade inexplicável rebentar dentro de mim. Sentia-me… e isto sim, custa-me admitir… sentia-me como se fosse encontrar um desconhecido por quem me tinha apaixonado através de… cartas, ideias, imagens… Levava comigo as memórias de todos os bons tempos passados, a que me agarrava com unhas e dentes, com medo de esquecer o amor, agora que o tinha de volta.&lt;br /&gt;Vi-o. Vi-o e tudo rebentou. Mais uma vez não aguentei o choro, não aguentei nada, e simplesmente desabei sob o seu corpo, no mesmo sítio dos últimos tempos, mas com alguém a habitá-lo. Senti-o tocar-me, e tudo voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vi o meu filho de olhos abertos, com os mesmo pregados em mim, senti as minhas lágrimas correrem pela sua cara. Ignorei a sua cara de surpresa ao olhar com mais atenção para mim, agradeci a deus por estar presente nesse momento. Abracei-o com força, como o abracei… Abracei-o com força, senti os seus delgados braços tentarem, frustradamente, fazer o mesmo, senti a sua mente confusa e sem saber.&lt;br /&gt;- Mãe, que se passou? – perguntou-me, baixinho. Como é que passei tanto tempo imaginando como seria quando acordasse, pensando em tudo o que faria, e nunca me passou pela cabeça como lhe explicaria?... Que se passou?&lt;br /&gt; - Filho, tu tiveste um acidente. Foi muito grave. Lembras-te de alguma coisa?&lt;br /&gt; - Não sei… não me lembro da última vez que conduzi… – responde, após um olhar carregado de pensamento – Quanto tempo estive em coma? – perguntou, a medo.&lt;br /&gt; - Não, filho, tu não ias a conduzir. Ias para casa com o D. Era uma Quinta, final da tarde. Num cruzamento houve um carro que… não parou – sinto algumas lágrimas quererem estragar o ambiente. Empurro-as para dentro – e bateu no vosso. Foi uma sorte não terem morrido os dois…&lt;br /&gt; - Que aconteceu ao D.?&lt;br /&gt; - O D. partiu algumas costelas e estalou a coluna. Quase ficou paralítico… Mas agora está óptimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; C&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora… quando é agora? Quando vi a minha mãe, senti esse agora como algo muito longe e perdido. Vi entrar pela magra porta do hospital a mesma cara de sempre, a mesma cara que me acolheu há não sei quantos anos atrás neste mundo, mas vestida de um rosto mais pálido, triste, e rugoso. Vi como os anos deslizaram, e saltei na minha mente para um estado em que não queria saber o tempo que havia passado.&lt;br /&gt; - Não sei… não me lembro da última vez que conduzi… Quanto tempo estive em coma? – ouvi alguém dentro de mim perguntar, para minha surpresa. O medo fez-se sentir de uma forma estranha e inquietante. Vivendo numa dormência de sentimentos constante, cada um era sentido como novo e misturava-se entre as definições aprendidas… O rosto envelhecido da minha mãe disse o que os seus lábios não tiveram coragem de admitir. Foi muito.&lt;br /&gt; Tentava focar-me no que me era dito, relembrado, mas queria apenas ver B. diante de mim. Queria saber se tinha esperado por algo que era tudo menos certo. Sentia o reboliço de emoções sem nome dançar no meu interior, sentia os meus pensamentos como contraditórios. Se por um lado queria que estivesse feliz, por outro queria que estivesse à minha espera nesta espécie de eternidade.&lt;br /&gt; - O D. partiu algumas costelas e estalou a coluna. Quase ficou paralítico… Mas agora está óptimo! – não queria continuar, por mais um segundo que fosse, na minha ignorância. Agora que penso nisso, protegido pela segurança dos anos que me separam desses momentos, percebo a confusão que sentia dentro de mim. Queria, não queria, sentia, não sentia, sabia, não sabia…&lt;br /&gt; - Mãe, quando tempo estive em coma? – perguntei, tentando ser o mais sério e veemente possível. Enfrentei o seu olhar com o meu, prendendo a sua atenção e exigindo um número. Tinha de saber o mais cedo possível. Tivesse sido o tempo que tivesse sido, cada segundo agora era precioso, e o domínio do não-saber era um luxo a que não me podia dar.&lt;br /&gt; - Sete. – ouvi a voz, à minha direita, dizer. Ao olhar para a sua face, não consegui distinguir anos ou expressões. Toda ela era as minhas lágrimas. Correu para mim e explodiu no meu peito, abraçando-me e chorando. A minha saudade era artificial. Como podia sentir a sua falta se apenas a tinha a uma noite de sono de distância. A minha memória estava confusa o suficiente para poder parecer que tinha adormecido a seu lado e que agora a via ao acordar. O vazio dos anos que sentia era para mim, tal como a saudade, artificial, algo que eu não sabia se sentia porque sentia, ou se sentiria algo completamente diferente se me dissessem que tinham sido sete dias.&lt;br /&gt; A. beijou os meus lábios secos, chorou por eternos momentos e disse que me amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Algum tempo depois de tudo, A. falou-me da dificuldade que tem tanto treinar e imaginar reacções e posteriormente desempenhar esse papel… Hoje não me recordo do que lhe disse mas o que senti ainda hoje sinto vez por vez. Senti como completamente injustas e estúpidas as suas palavras… Estúpidas porque estar dentro de mim naqueles momentos foi das coisas mais difíceis que alguma vez tive de enfrentar. Ver C., o meu amigo de infância, sorrir, despertava uma alegria imensa… que rapidamente era manchada pela imagem quase satânica de ver A. do seu lado, a sorrir igualmente, feliz por ele estar de volta. Tremia, tinha medo de tudo o que pudesse dizer, de tudo o que pudesse fazer. Mas sabia que conseguiria esquecer o idílio que era ter A. para mim, que conseguiria abandonar uma ideia que nunca tinha tido nada para ser real, e que tudo voltaria ao normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; três&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma vezes desfeitos os sorrisos, veio o silêncio. Tinha diante de mim alguém que não conhecia. Como seria possível que tanto tivesse mudado se nada na verdade tinha acontecido? Como pode o nada ser tão forte a ponto de mudar tudo?&lt;br /&gt; Depois de C. acordar, depois da surpresa deixar, lentamente, o meu corpo, vieram as obrigações. O constante cuidado, as viagens para a fisioterapia, as perguntas intermináveis acerca do que tinha acontecido… o tanto para dizer que se atropelava e não passava no final de um triste soluço. Acho que apenas contava com o sacrifício da espera, imaginando que tudo seria rosas daí em diante. Acho que talvez achasse que tinha sido castigada o suficiente, que ele, sem culpa nenhuma, tinha-me arrancado o passado… e sentia uma injustiça cruel ao ver o presente desaparecer dia após dia, juntando-se a essas memórias que fazia por esquecer…&lt;br /&gt; Sentia-me cruel, sentia-me desprezível, e via o seu olhar de incompreensão como pesados fardos que tentava aguentar, numa tarefa impossível que era ser para ele tudo o que tinha já sido. Os meus últimos anos nada tinham a ver com o que ele era. Quem eu era, a pessoa em que me tinha transformado, susceptível à nem sempre triste erosão do tempo manifestava-se em desalinho com a pessoa que ele deixara no tempo.&lt;br /&gt; As decisões acerca do que fazer foram tomadas por mãos que não as minhas. Mas não conseguia deixar de me ver nos bastidores, sem maldade mas com intenção, a manejar as minhas incontroláveis reacções, e acabar por ser eu a decidir, sem o fazer, o que fazer connosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; B&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ver os olhos tristes dele era quase tão difícil e pesado como os ver fechados. Com o passar do tempo, face a dura realidade do que via, sentia nascer dentro de mim um ódio por A. que não conseguia compreender. Tentava ouvir a minha própria e suposta voz da razão. Tentava equilibrar o meu interior, procurando perceber o porquê do que via acontecer. Mas não conseguia, nunca consegui. Os olhos dele sempre falavam mais alto do que alguma coisa que eu conseguia ouvir. Os olhos dele sempre me mostravam o cinzento que ia dentro de si, as perguntas sem resposta, a espera…&lt;br /&gt; Eventualmente, o que começou num acidente, acabou aparentemente acidentalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; C&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O fim pode ser mais pesado que a terrível consciência do tempo. Não sei quanto tempo dura um fim. Se escassos milésimos de qualquer coisa, se dias, meses, sete anos… Hoje, não sei se tudo acabou no momento em que o carro embateu na minha alma, se quando os zangados olhos de A. massacravam a minha pele, se quando tudo se materializou numa palavra…&lt;br /&gt; A paixão sentida no dia em que acordei abraçou-me de uma forma estranhamente reconfortante. Uma vez u… não. Ia dizer uma vez ultrapassado o choque… mas acho que nunca ultrapassei realmente o choque de ter perdido sete anos da minha VIDA, e com eles o meu primeiro amor. Passei, isso sim, por períodos. Tantos que já não lembro. Com o passar do tempo, sentia-me a alternar. Ora me sentia conformado e vazio, feliz por ter sobrevivido, desesperado com vontade de desaparecer… &lt;br /&gt; Passados os primeiros momentos, em que os nossos olhares falavam por nós, as palavras revelavam-se arrastadas e forçadas. Eu tinha curiosidade acerca de tudo o que se tinha passado, e sentia a vontade de A. em me contar, mas a dificuldade em o fazer. No meu interior, muitas vezes sentia-me zangado, triste, revoltado… como seria possível que tanto tempo se tivesse passado, e por vezes me apetecesse perguntar-lhe se também tinha estado em coma…&lt;br /&gt; O seu olhar castigava-me frequentemente. Sentia-me estranhamente culpado por ter estado tanto tempo distante. Sentia-me vulnerável e frágil, dependente de si, e sentia isso como injusto… sentia como injusto porque não queria pedir mais que os sete anos que me tinha dado, e sentia como injusto pois A. fazia, sem o querer, por mo recordar constantemente. Algo se tinha perdido, e os anos que desapareceram de mim acabavam por se revelar importantes apenas por significarem a perda de uma relação que em tempos julgara perfeita…&lt;br /&gt; Como pode o tempo ser tão importante? Como pode algo tão relativo determinar termos tão absolutos? Se os sete anos passaram para mim como uma noite de mau sono, como podem ter passado como décadas para A.?... Estas questões inundavam qualquer pensamento que tinha, revelando-me algo que eu fazia por afastar, por negar.&lt;br /&gt; As discussões, quando existiam, eram marcadas por tudo o que não era dito. Via as frases em todo o lado menos nos seus lábios. Queria ouvi-la dizer que estava farta, que tinha de seguir o seu caminho, mas nunca acontecia… As palavras ficavam suspensas no ar, apenas eu as via, apenas eu as sentia doer…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Que foi? – perguntei, ao vê-la chorar. Abraçava-se a mim com força, e sentia o seu choro como exagerado. Não sei porquê, não conseguia imaginar o que quer que fosse que fosse justificativo…&lt;br /&gt; - O C. acabou com tudo! Com tudo… – respondeu, entre soluços. A surpresa foi tanta que, recordo-me, não tive a certeza que tinha ouvido correctamente.&lt;br /&gt; - Acabou?... com…&lt;br /&gt; - Sim, disse para eu seguir o meu caminho… – não fazia a mínima ideia de como me sentir… Não me sentia feliz, porque dois amigos meus tinham acabado um relacionamento, não me sentia triste, porque dois amigos meus tinham acabado um relacionamento. Hoje percebo as suas razões, mas ao ouvir A., que entre lágrimas me contava o sucedido, uma onda de incompreensão tomava conta de mim e um ódio que não queria sentir toldava a minha visão. Só pensava na injustiça que era A. ter esperado tanto tempo por C., apenas para este, passado uns meses acabar com tudo, deixando-a de rastos…&lt;br /&gt; Porém, como disse, hoje percebo. Não sei quando foi a última vez que vi o meu amigo. Talvez há quatro, cinco anos… Ainda vejo partes de si, apesar de que cada vez menos. Vejo partes de si em olhares esporádicos e perdidos de A., vejo partes de si no meu dia-a-dia que conta com a presença de alguém que foi, em tempos, eternamente sua. Hoje percebo o quanto lhe custava ver o olhar triste de alguém que já tinha abdicado de tanto, o quanto ele sentia que não lhe podia pedir para o continuar a fazer. Talvez simplesmente A. não pudesse colocar um final enquanto C. dormia, e talvez tenha tido a cobardia de o fazer quando este acordou, obrigando-o a oferecer-lhes as palavras que, sem querer, A. tanto queria…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-8100098924308700310?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/8100098924308700310/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=8100098924308700310' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8100098924308700310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8100098924308700310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/11/como-o-mundo-avanou.html' title='Como O Mundo Avançou'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-3505880997701607495</id><published>2008-10-31T17:25:00.000Z</published><updated>2008-10-31T17:26:23.649Z</updated><title type='text'>Ella</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Glassjaw – Losten&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vi Ella à minha frente, fui instantaneamente transportado no tempo. Já não era eu, o eu dos últimos tempos, o eu que sempre receei e que tomou conta de mim. Já não era o eu que trabalha 12 hora por dia, que se aborrece todos os dias, que vive aborrecido, que castiga os outros pela suas frustrações. Que merda… no que me tornei. Incrível os milhares de quilómetros que sinto em relação ao que fui, ao que quis ser, ou continuar a ser, e no que me tornei… Penso no meu próprio pensamento, e dou-me esperanças, pensando que o facto de questionar e de ter esta noção possa ser um presságio de que ainda é possível voltar atrás. Iludo-me conscientemente, sendo que sei que é impossível. Se comecei por ver os meus deveres como meras responsabilidades a que não deveria falhar, agora vejo essas responsabilidades como uma terrível sina e castigo, de quem deixou o trabalho, o mundo, tomar conta de si… Sou apenas mais uma formiga nesta indústria que é a sociedade… Levanto-me da cama, enquanto penso no pedido de Ella, que me deixou estarrecido, e sento-me na secretária. Fim-de-semana, batalho contra a vontade de adiantar trabalho para a semana. É Sábado, foda-se! Recordando-me da existência cheia de VIDA que já tive, da pessoa que já fui e que a visão de Ella infiltrou na minha memória, abro uma gaveta. Retiro alguns dos meus escritos e percebo, tristemente, que a última vez que escrevi foi há anos… Retiro alguns dos mesmos e com dor leio os meus sonhos, as minhas perspectivas, que julgava eternas e deixei perecer com o Vento… Que merda… Penso que os deveria queimar… se por um lado servem para me recordar que já fui feliz, por outro lembram-me que já não o sou… Como é possível darmos tantos passos errados fazendo o que achamos estar certo? Penso no pedido de Ella… Penso em Ella…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A primeira vez que a vi, não a vi. Era apenas mais uma cara entre tantas outras, num mundo de rostos novos, aglomerados no meio dum ano completamente diferente que se avizinhava. Pisara o solo australiano pela primeira vez faziam duas semanas, quando realmente a vi. Pisara o solo australiano pela última vez, da última vez que a vi. De volta a casa, trazia comigo o melhor ano da minha VIDA, e a dor duma paixão, dum amor que conheci, que vivi, e que não mais poderia viver.&lt;br /&gt; - Não percebo o que se está a passar, nem o que vai dentro de mim… vim para aqui à procura de tudo menos do que estou a sentir… – disse-lhe, daquela vez. Estávamos deitados na sua cama, depois de uma noite de sexo e de três horas de conversa – Mas… se estivermos conscientes da realidade… se percebermos que não vamos conseguir fazer durar a nossa relação comigo a viver na Noruega e contigo a viver na Croácia… se percebermos que tudo o que temos é o agora, acho que vamos viver cada segundo como se fosse o último, vamos amar como nunca mais… – as palavras custavam-me a sair, pois queria contrariar o idílio de pensar que poderia durar para sempre. Na ânsia de sentir tudo duma vez, pensava ter descoberto a solução para ter tudo de si e dar tudo de mim… Hoje em dia raramente sinto, quase sentindo que esgotei os sentimentos a que tinha direito com aquela relação, com a minha juventude fugaz e apaixonada.&lt;br /&gt; Uma estúpida desculpa para justificar a ausência de vulcões dentro de mim. Contrariamente ao que pensava, ao que tantas vezes escrevi, descobri que é melhor não sentir, é melhor não pensar, que o fazer e questionar toda a nossa VIDA, sentirmo-nos uma merda e uma desilusão para connosco próprios. Eu devia-me muito mais que isto. Mas sinto-me sem forças para mudar. Sou forçado a olhar o futuro de frente, e não o consigo distinguir do presente. Se dantes vivia para o momento, não vivendo cada dia como se fosse o último (ninguém o faz), mas sentindo-o como se fosse, agora tudo é muito disperso e confuso. As linhas que regem a minha VIDA estão sempre no amanhã, na semana seguinte, no mês seguinte…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas ver Ella… Falar com Ella. Sinto a minha existência posta a nu, sinto tempestades de questões dentro de mim, sinto a necessidade perdida de me olhar no espelho e procurar, no meu olhar, quem sou. Apesar de serem tímidas imagens do que já fui, assustam-me, face a consciência de que me é impossível conciliar o que tenho com aquilo que na altura queria ser. Sou tudo menos livre, e faço tudo menos escolher o que mais me fará feliz. E, mais uma vez admito e me revolto… como é possível, se pensava estar a fazer o que era certo? No momento em que deixei de querer a minha felicidade no hoje, para estudar e garantir a felicidade do amanhã perdi tudo. Perdi tudo porque quando esse amanhã chega, não consigo nem posso apreciar a felicidade para que trabalhei, pois estou demasiado ocupado a pensar e a trabalhar na felicidade de… amanhã. Assim, sinto cada amanhã como um tiro que não mata, mas que adormece a minha VIDA, deixando-a numa interminável lista de espera…&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Ainda não consegui assimilar este impacto que Ella teve em mim, tampouco o seu pedido. Combinamos encontrar-nos amanhã, e sinto um pânico terrível de a ver. Sinto um pânico terrível de ver a maneira como me vai ver. Ela foi o amor da minha VIDA, e sei que fui o dela. A última coisa que quero é ver a imagem intocável que tem de mim abalada, destruída. Acho que talvez Ella para mim seja, não só a pessoa que é e por quem daria tudo, mas também a prova que eu existi, que eu fui o que fui, que não sou louco… que é verdade a imagem que tenho de mim, que guardo com saudade, num infeliz canto qualquer da minha mente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Olá Magnus… – ouvi, ontem, ao sair do trabalho. A imagem que tinha diante de mim era nítida, um sonho a acontecer. Ao me aperceber de que era a VIDA a acontecer, e não uma qualquer alucinação, consegui apenas balbuciar o seu nome. Permanecia bonita, muito bonita, sobressaindo entre qualquer mulher em quem eu sequer tenha pousado a vista nos últimos tempos. Porém, algum do seu brilho parecia perdido, gasto. Ver o brilho da minha VIDA sem o seu próprio brilho foi um pouco assustador, na medida em que me senti, em parte, responsável… Disse-me que tinha tido de vir a Oslo para uma reunião e se lembrara de mim. Faziam doze anos desde que a vira pela última vez. Sugeri um café no Café Con Bar, para falarmos, pormos as coisas em dia, sei lá…&lt;br /&gt; A caminhada foi desagradável. Acho que tínhamos tanto para dizer um ao outro que as palavras se atropelavam, criando um magistral engarrafamento, e impedindo a comunicação de existir. Não foi até uma boa meia hora depois que este engarrafamento deu de si, e nos demos um pouco a oportunidade de sermos nós próprios, de falarmos. Dei por mim num triste acto… Ouvia-me falar, e gostaria de me ouvir… fosse o que dizia verdade… Não mentia acerca do meu trabalho, dos meus hobbies, na verdade não mentia acerca de nada. Dizia a verdade, mas fazia-o duma maneira completamente enganadora, espalhando energia e felicidade, espalhando aquilo que queria ter, muito mais do que aquilo que tinha. As horas passaram, e com elas o meu coração lembrou-se que, algures no tempo, tinha já batido, e com esse bater veio o martelar na minha cabeça daquilo em que me tornei. Mantive o meu acto, mas muito mais custosamente, já com plena consciência do que se estava a passar.&lt;br /&gt; - Sabes… tinhas toda a razão quando disseste, daquela vez, que deveríamos viver o nosso amor o mais intensamente possível… – diz, sem me olhar. O seu ar sugere-me que aparecerá, a qualquer momento, a verdadeira razão pela qual está em Oslo. Em três segundos imagino-a a dizer que se quer mudar para aqui e viver comigo – E… Bem, não sei se… bem, deves saber, mas foste o amor da minha VIDA – desta feita olha para mim a custo, e perturba-me. Perturba-me olhar para mim e não ver o mesmo eu, da mesma maneira que me perturba a mim próprio o fazer – Tive alguns relacionamentos, um ou dois até duraram mais de um ano… Mas havia sempre algo que corria mal, algo que… não sei, por mais feliz que estivesse… podia estar sem pensar em ti meses, mas uma vez que o fazia… era como que se entrasse numa guerra contra o meu próprio relacionamento… e quando dava por mim estava a sabotar uma relação que, na verdade, me estava a fazer feliz… – as suas palavras trazem consigo um misto de dor e arrependimento. Sinto-me ameaçado face a possibilidade do arrependimento se poder prender com o facto de nos termos conhecido – E… bem, e já desisti de lutar. Tive o que tive, tivemos o que tivemos, e foi bom, foi lindo, mas foi o que foi… – faz uma longa pausa – É por isso que… bem, já deves ter percebido que eu não vim aqui porque tinha uma reunião…&lt;br /&gt; - Já…&lt;br /&gt; - É por isso que… vim aqui para te pedir uma coisa… – estou completamente às cegas. Não quanto ao seu pedido, pois sei que quer vir para Oslo, mas quanto à minha resposta – E quero que tentes perceber, por favor… mesmo que o que queiras dizer seja não, dá a ti mesmo uns minutos. Não penses que é fácil para mim… Bem, como te disse, já percebi que não vou ter mais nenhum outro amor, e estou com 35 anos e… Magnus, eu queria ter um filho teu… – os seus olhos, perfuradores e húmidos, atravessam-me a direito, deixando-me sem saber respirar. Quer ter um filho meu? Mas… – Por favor, não digas já que não… Podemos fazê-lo da maneira que quiseres, e não tens responsabilidades nenhumas, eu juro-te. Eu volto para a Croácia e nunca mais me vês, se for isso que tu queres… mas entende-me, por favor…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hoje, passado quase um dia, o pedido, estranhamente, faz-me sentido. Ou algum sentido. Não percebo como tal pode acontecer… penso que concerteza seja a única coisa a pensar quando se passaram as últimas 24 horas com a mente no mesmo sítio. Talvez seja a minha maneira de dizer: Eu desisto. Massacro-me com a vontade de a querer feliz, e com a evidente injustiça desse pedido, não sequer contemplando que nos reunamos. E… por outro lado, quem sou eu para questionar isto?... Eu que, desde o primeiro momento, carimbei o fim da nossa relação, quando esta aprendia ainda a ser… Não sei que lhe dizer. Na altura quis chamar-lhe nomes, perguntar se estava doida, mas, para meu agrado, algo que conservei com o passar dos anos, foi o intenso carinho por si, e a incapacidade de a magoar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Combinamos encontrar-nos novamente no Café Con Bar. Quero dizer que sim, mas quero, ao mesmo tempo, dizer-lhe que não tem de ter um filho meu, mas podemos, ambos, ter um filho juntos. A perspectiva disso poder acontecer assusta-me. Assusta-me a gigantesca mudança que teria na minha VIDA sem ritmo nem cor. Assusta-me a ideia de poder descobrir que afinal não somos feitos um para o outro. Penso na infeliz estabilidade que tenho em eternalizá-la na e minha mente como o futuro que poderia ter sido, e penso no risco da instabilidade em poder perceber que não o é. Penso em tudo, em tudo o que me aproxima e distancia de si, e numa eventual tentativa de ser quem já fui, sou romântico, e penso que talvez nunca seja tarde demais…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Olá… – o seu sorriso é triste. Creio que adivinha uma resposta negativa. Sento-me a seu lado e não devolvo o seu cumprimento. Estabeleço uma ponte sem qualquer interferência entre o que vai dentro de mim e os meus lábios, e ouço-me.&lt;br /&gt; - O que há a criticar, ou apontar, ou seja o que for que de estranho tenha o teu pedido… tu sabe-lo, por isso não o vou dizer. Não vou dizer nada senão pedir-te que tenhamos, então, uns momentos como os que tivemos, e que… e que nos vamos embora. Agora. Para minha casa. Agora. – a avalanche que desaba sob os meus sentidos, sob o meu ser é de tal intensidade que quase não me consigo levantar. Ela olha para mim surpreendida, sorri abertamente. Eu levanto-me, finalmente. Vejo-a fazer o mesmo, e temos um metro entre nós, até que, impelidos por uma energia já desconhecida, colamo-nos instantaneamente, os nossos lábios num beijo tão agressivo que dói, mas que é infinitamente bom.&lt;br /&gt; Se o caminho para o café, no dia anterior, foi desagradável por não saber o que se estava a passar, nem como reagir a isso, hoje, o caminho do café é desagradável apenas por saber o que se está a passar, e saber a vontade incrível de roubar a mim mesmo uns minutos da minha VIDA e estar já em minha casa com Ella, e quem sabe um futuro diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Senti cada toque na sua pele como pequenos momentos de eterno êxtase. A violenta energia de anos acumulados de distância dissipava-se lentamente, e uma vez em completa harmonia e contacto, deixamos o amor que sentíamos um pelo outro fluir com mais calma, com mais de cada um de nós em cada segundo, agarrando os pedaços de tempo perdidos por uma má decisão ou um erro de julgamento… O seu cabelo dispersa-se na minha almofada, estou por cima. Aguento-me já a custo, até que vejo os seus olhos fecharem-se e um leve e sensual gemido soar algures no quarto, sendo para mim a mensagem de que poderia acontecer.&lt;br /&gt; Tendo ambos recordado com exactidão os imensos momentos vividos doze anos antes, desabo ao seu lado e sinto algo estranho dentro de mim. Aquele sentimento que eu julgava perdido. Sinto-me feliz. Por uma vez tenho ao meu lado na cama alguém de quem realmente gosto, alguém por quem daria a minha VIDA… E connosco, um grande ponto de interrogação que me deixa a querer que simplesmente não parta, que Ella não parta.&lt;br /&gt; - Sabes…&lt;br /&gt; - Diz… – pede, girando um pouco, ficando de lado na cama.&lt;br /&gt; - Este filho… não tem de ser só teu… Podes ficar aqui, comigo… – o seu olhar assume uma expressão estranha. Curiosamente, sou capaz de jurar que é a mesma expressão que me lançou quando, há muito tempo, lhe disse que não tínhamos futuro… – Que foi? – pergunto, sentindo o perdido sentimento voltar ao seu estado normal… Não diz nada. Não consegue dizer nada – Ouve… tu própria o disseste! Eu fui o amor da tua VIDA! E tu és o meu! Não temos de cometer os mesmos erros! Não temos, tu agora estás aqui! A única coisa que tens a fazer é deixar-te estar, Ella! – digo, tentando não deixar as minhas palavras levar consigo o desespero que sinto. Tive, deixei de ter, pensei que poderia voltar a ter, estava errado…&lt;br /&gt; - Magnus… não… não posso simplesmente deixar tudo para trás – aguenta o choro – Não sei… Pelo menos não agora. Tenho o trabalho, tenho… – levanto-me da cama e deixo de a ouvir. Talvez queira que eu insista, mas não consigo fazê-lo. É demasiada dolorosa a imagem que tenho de si, como um espelho perdido de mim. Ambos desistimos de ser felizes. Talvez eu esperasse que me resgatasse do que me tornei, imaginando que ela permanecera com o brilho com que a conheci. Mas… da mesma forma, talvez seja impossível qualquer um de nós resgatar o outro se estamos ambos no fundo. Estamos ambos perdidos, e tudo porque um dia eu me permiti a perdê-la, e permiti que ela me perdesse…&lt;br /&gt; Estou sentado no sofá na sala. A uns metros de distância, Ella veste-se, e prepara-se para me deixar novamente, desta vez, sinto-o, para sempre. Um vazio agoniante faz-se sentir dentro de mim, juntamente com a ameaça que não desaparecerá.&lt;br /&gt; - Quando eu não tinha nada que deixar para trás… deixaria tudo por ti por mais que tivesse… – diz, perto da porta. Vejo pelo canto do olho que espera uma despedida, que espera algo. Não sei o que mais tenho, neste momento, para dar senão um silencioso adeus…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-3505880997701607495?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/3505880997701607495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=3505880997701607495' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3505880997701607495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3505880997701607495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/10/ella.html' title='Ella'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-4391197783933298166</id><published>2008-10-26T23:44:00.000Z</published><updated>2008-10-26T23:46:09.560Z</updated><title type='text'>Vazio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sedução funciona tão melhor quando não sabemos onde estamos… quando o que vemos de nós é nada mais que o reflexo dos olhares em rostos perdidos na multidão. Quando passeio, imersa em tudo o que não tenho, e busco por anónimos sorrisos, busco por partes de mim que um dia me fizeste perder.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Carrego no meu pensamento o esforço duma expressão, que a custo sobrevive nos meus lábios, sorri dentro de mim e apaixona estranhos. Viajo pelas mentes dos transeuntes, vejo o que vêem de mim, procuro perceber porque me sinto tão perdida. Vejo o quão errada cada alma está nas ilações que retira acerca do que sou. Olho o espelho, cru, e reflecte-me pedaços de mentiras em que escolho acreditar dia após dia. Abraço as linhas e imagens que saltitam entre os olhos de quem me olho, tento concentrar-me em cada segundo, tento ser o sorriso que me devolvem.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Perco-me nas palavras que ouço, nas poucas frases que solto. O mistério, pleno em confusão, que habilmente transmito, nada mais é que o materializar de todo o não-saber que explode no meu interior e que sai na mais estranha forma de sensualidade. Escolho, ou tento escolher, os trejeitos que me entregam, os adjectivos que me oferecem. Colo-os, um a um, no meu interior, e busco alguma identidade em frases sem sentido e parcas em verdade.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;É-me difícil este constante acto em que me encontro. Quero apenas ser eu, mas a estranheza desta estranha realidade que sinto deixa-me completamente perdida… olho a minha face e não encontro nada de mim senão o profundo olhar marcado pela tristeza da falta que alguém me faz. Da consciência que quero renegar… de que ninguém preencherá este vazio…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-4391197783933298166?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/4391197783933298166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=4391197783933298166' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4391197783933298166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4391197783933298166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/10/vazio.html' title='Vazio'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-3457257940721787719</id><published>2008-10-21T13:15:00.000+01:00</published><updated>2008-10-21T13:19:13.033+01:00</updated><title type='text'>Voltarei Para Ti</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Beirut - Cherbourg&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Florbela,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Ouço os meus colegas falar das suas namoradas de uma maneira que não consigo falar de ti… Talvez pensem que não tenho ninguém, que trago comigo apenas um nome inventado e uma descrição imaginada… Falam das namoradas de maneira que não consigo falar de ti. Descrevem as linhas dos seus corpos, a cor dos olhos, do cabelo, a tez da pele, e quando me perguntam, consigo apenas balbuciar alguns detalhes aos quais não presto tanta atenção. Isso deixa-me a pensar… Faz hoje dezanove meses desde que te vi pela última vez, com lágrimas a querer brotar, a incompreensão na expressão e a dor a todo o nosso redor. Lembro-me do que os meus olhos viram com exactidão, mas a razão pela qual não sei o que dizer aos meus colegas é que, mais que a cor dos teus olhos, mais do que qualquer bela característica que tenhas e os meus olhos alcancem, apenas consigo pensar na maneira como me fazes sentir, na maneira como és tudo para mim, nas coisas que sinto quando me sorris… Fico sem saber o que dizer, meu amor, pois creio não ser bom que chegue para definir com precisão o que, passado tanto tempo, ainda me fazes sentir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Vejo o declínio no olhar de toda a gente. Todos os dias perdemos um amigo qualquer, pensamos sempre que podemos ser o próximo. Cada dia tem sempre o potencial de ser o último, e vejo a desistência instalar-se em todas as almas que me rodeiam. Eu aguento-me com o meu sentimento por ti, e a esperança de poder passear de mão dada contigo mais uma vez, a esperança de poder amar os teus lábios novamente. Vejo, igualmente, o declínio no olhar de toda a gente da esperança de encontrar um par de braços abertos em casa… Quando me perguntam, poucos compreendem a fé que tenho de que ainda me amas, de que ainda me esperas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Sou teu como nunca fui de ninguém, sou teu como nunca mais vou ser de alguém. Sinto-te como minha, como o meu amor eterno que nunca quero perder, como a paixão juvenil que para sempre quero guardar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Assim me despeço, meu amor. Sabe que te amo e voltarei para ti. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Deste para sempre teu,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Cesário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-3457257940721787719?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/3457257940721787719/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=3457257940721787719' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3457257940721787719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3457257940721787719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/10/voltarei-para-ti.html' title='Voltarei Para Ti'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-4211760042660575128</id><published>2008-10-20T02:22:00.000+01:00</published><updated>2008-10-20T02:23:55.573+01:00</updated><title type='text'>passado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new;"&gt;PJ Harvey – One Line&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero comer os teus olhos. Quero entrar dentro da tua alma e sentir como é ser tu por uma vez. Quero olhar para mim através de ti, quero sentir a minha própria pele com o delicado toque dos teus dedos. Quero-te ser tu para poder experienciar por uns segundos como sabe ser tão maravilhoso. Quero voar pelos teus neurónios, desaparecer e respirar o teu sangue. Quero abraçar os teus braços, quero alimentar a minha alma com a tua. Quero-te a ti em cada segundo, quero-me a mim desfeito em pedaços por uns breves instantes que me aproximam do sol. Quero elevar-me ao estado de espírito em que vives, sorrir abertamente e não me importar com nada mais a não ser o próprio segundo em que existes e esqueces tudo o que fui. Quero-te a ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembras-te como existíamos naqueles tempos? Lembras-te de como tudo o que conseguíamos ver era o olhar apaixonado no espelho da alma de cada um? Quero esses momentos, e destrói-me saber que eventualmente estão perdidos. Embarco nesta jornada de pensamentos e reflexões e a única coisa que quero é mais um segundo. Penso e peço a quem tenha de pedir, talvez ao diabo, para levar consigo a minha alma e me trazer de volta para os momentos em que acordava contigo. Abdico, sem pensar duas vezes, da minha alma, pois estando como estou já não a tenho. Se entregar o que resta a quem tenha de entregar, sei que posso viver mais feliz por uns momentos. Sei que trazes consigo a imagem e a distância do que fui, do que já senti. Por isso quero que voltes. A VIDA aconteceu demasiado rápido e os erros cometidos diluíram-se em promessas completamente sem sentido e impossíveis de alcançar. O arrependimento sabe bem, estupidamente, mas as memórias e o significado de não te ter têm o travo estranho de vinho estragado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é bom enquanto é bom, e como foi maravilhoso…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-4211760042660575128?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/4211760042660575128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=4211760042660575128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4211760042660575128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4211760042660575128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/10/passado.html' title='passado'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-2029039012028973529</id><published>2008-10-13T19:34:00.000+01:00</published><updated>2008-10-13T19:36:03.225+01:00</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;[PJ Harvey – When Under Ether]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;O silêncio vem devagarinho. Passeia, desliza pelas paredes, traz consigo a escuridão que instala no meu interior. Fecha-me os olhos por uns segundos, corta-me o ar por uns minutos. Ouço a calma que sinto, sinto o barulho silencioso como o peso das decisões tomadas. Imagens saltitam pomposamente na minha mente, espalham-se pelos meus pulmões, controlam os meus sentidos. Pestanejo algumas vezes, encosto-me para trás. Pestanejo lentamente, vejo a ausência de luz esporadicamente como o reflexo da falta de sentido que tenho. Encosto-me para trás e penso. Deixo a minha mente viajar para longe, deixo-a magoar-me com o peso de saber o que fiz. Procuro o esquecimento total, mas as imagens, as lágrimas, o vazio… tudo é demasiado esclarecedor e presente para enterrar algures no passado. O arrependimento abraça-me completamente, espalhando os seus tentáculos ao redor do meu coração, não o matando, mas permitindo apenas que bata muito devagar. Apenas o suficiente para não morrer, apenas o suficiente para me sentir completamente sem VIDA. O silêncio vem devagarinho. Com a descrição como característica terrivelmente vincada, vem tão devagarinho que apenas me apercebo da sua presença quando nada mais há para ver. As imagens que quero ver permanecem escondidas atrás das memórias, funciono como um robô, agindo apenas respondendo a estímulos, com a minha mente em conflito com a realidade desta espécie de presente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-2029039012028973529?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/2029039012028973529/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=2029039012028973529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2029039012028973529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/2029039012028973529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/10/silncio.html' title='Silêncio'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-7196445909806085251</id><published>2008-10-01T20:09:00.001+01:00</published><updated>2008-10-01T20:12:48.753+01:00</updated><title type='text'>Rita [Poesia]</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: courier new;"&gt;Sigur Rós – Gong&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentir o teu coração bater acelerado contra o meu peito dá-me VIDA. Arranca-me de tudo onde existo e puxa-me para ti, para o significado de ter e ser. Deitamo-nos e a nossa pele desaparece, os nossos músculos deixam de acontecer, somos duas almas que se fundem e incendeiam. Descansas em mim e eu desapareço em ti. Não sei onde estou, com a única certeza de saber que nada disto pode ser real. Dás-me momentos da tua VIDA e esticas os meus sentidos, penetrando no meu olhar como uma flecha num coração saudoso. Agarro-te e tento sentir os cantos da tua música, que me embala em suaves murmúrios. Tenho tudo num segundo, e tenho o nada a quatro instantes. À beira do abismo agarro-te com força, sentes o meu toque e beijas-me violentamente, despedaçando a minha energia e construindo tudo o que tens no meu interior. Toda eu sou tua, toda eu voo, lado a lado contigo e com o que me fazes sentir. Viajo loucamente, de olhos fechados, completamente entregue ao doce sabor de desaparecer sem nada fazer, de existir sem nada temer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu mundo é teu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-7196445909806085251?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/7196445909806085251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=7196445909806085251' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7196445909806085251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7196445909806085251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/10/rita-poesia.html' title='Rita [Poesia]'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-4479243523118320906</id><published>2008-09-24T18:52:00.001+01:00</published><updated>2008-09-24T18:53:44.094+01:00</updated><title type='text'>Movimentos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;XX&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;Dançamos. Suavemente. As palavras saem do meu corpo e tocam nos teus cabelos. O teu ritmo embala o meu e o meu ama o teu. Peço ajuda às minhas emoções, para se guardarem mais um pouco e não estalarem a minha passividade. Os teus braços são fortes mas o teu toque é delicado. Não vejo o teu olhar mas sinto-me pacificamente invadida. Viajas pelas minhas linhas com a ponta dos teus dedos, aproximas os teus lábios dos meus. Sinto a tua respiração quente misturar-se com a minha e o meu beijo pede para nascer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; Afasto-me. Vejo-te no meio da pista de dança, imponente e solitário, a pedir, sem o fazer, a minha companhia. Óculos escuros, não sei porquê. O misterioso ar de quem apenas veio para estar sozinho, mas que me quer do seu lado. Negligencio a minha companhia inicial, quero estar contigo. A tua força impele-me a te tocar. Danças agora sozinho, vejo que olham para ti. Sinto-me ameaçada. Desespero com a demora da bebida que não vem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; XY&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; Sinto o teu cheiro passar por mim. Diferente, agrada-me. Sinto a tua energia rondar-me, os teus aromas flutuarem pelo ar, misturando-se com um pouco de tudo que não é já teu. Sinto o teu toque. Quero estar sozinho, mas o teu toque traz consigo a delicadeza e paz. Respondo ao teu toque, simplesmente por não o afastar. O teu corpo aproxima-se uns centímetros e sinto o teu calor. Tocas na minha mão, e permito que os meus dedos se entrelacem nos teus. A outra mão, invejosa, não desiste enquanto não toca na tua cinta, firme e sensual. A música, sem o fazer, baixa de tom, e puxo-te suavemente para mim. Aproximas os teus lábios dos meus, e dançamos o nosso próximo ritmo, independentes de tudo o que se faz ouvir ao nosso redor. Afastas-te. Não sei se voltas, mas quero que sim. Vim para estar sozinho, mas agora que te conheço, quero-te perto de mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; XX&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; Vejo na bebida que aguento na mão nada mais que uma autorização para voltar para a tua beira. Gosto da maneira como me tocas, gosto da maneira como me sentes e olhas para mim, ainda que o teu olhar permaneça um mistérios, escondido atrás duma máscara que não sei porquê usas. A fluidez dos teus movimentos altera-se ligeiramente quando me vês novamente, entramos novamente na nossa própria dança. Tento adiar os segundos em que te vou beijar, vivendo um pouco mais estes momentos em que te quero conquistar, em que não sei se serás meu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; XY&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; Quando te vejo voltar, o prazer que sinto revela-se estranho, quem sabe a falta de treino em ter alguém tão belo como tu nos meus braços. Com o tempo deixei de procurar contacto, e viver a minha VIDA isolado, longe de tentativas de sedução que caiam na frustração. Vejo-te como um presente do destino, face a minha prolongada ausência das estúpidas competições sexuais… Não estou nervoso, controlo os meus sentimentos, com a absoluta certeza que, a qualquer altura, nesta noite, vais-me deixar, envergonhada, e não te voltarei a ver. Aprendi a usar cada segundo de prazer e bem estar como algo divino, que tenho agora e não sei quando voltarei a ter. Dás-me um pouco da tua bebida, e sinto o ácido cítrico da tua caipirinha prazeirosamente irritar as minhas papilas gustativas. Sinto os minúsculos cubos de açúcar dissolverem-se na minha boca, e espero um beijo teu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; XX&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; O tempo passa duma forma impossível de acompanhar. Deixo-me levar pela magia em que me envolves, e apenas por vezes tomo consciência do sítio onde estou, com quem vim, a que hora ir. Pensando que quero que vás comigo, que não me quero despedir, percebo que não posso adiar por muito mais tempo o beijo que, triste, continua esperando nos cantos dos meus lábios. As tuas mãos, comandando o meu movimento, apoiam-se nas minhas ancas. Subo-as um pouco, e toco-te, com as minhas no teu queixo. Os nossos lábios apaixonam-se por uns momentos, beijamo-nos, as línguas, tímidas, percorrem cada canto uma da outra. Gosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; XY&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; Sinto o sabor da tua bebida na tua boca. Beijo-te, percebendo que não me esquecera, nem me esquecerei, passe o tempo que passar, e sinto as nossas bocas assumir o ritmo dos nossos corpos, dançando sem medo, entregando-se. Estranho a ligação estabelecida, penso nas poucas palavras ditas, penso se sentirás o mesmo. Penso se haverá algo de diferente neste duo, ou se estarei completamente enganado e tudo não passa de uma ilusão prestes a ser descortinada. Quando os nossos lábios se descolam, elevas-te um pouco e sussurras ao meu ouvido, pedindo para irmos embora, juntos. “Vem o momento” – penso, prestes a encarar a dura realidade. Aceno timidamente, dizendo que sim, que quero ir embora contigo. Dás-me a mão, quero imaginar que com medo de me perder, e saímos da pista, deixando a música mais longe. Paro. Estamos próximos da saída. Sinto a tensão na tua mão, ao não encontrar fluidez nos meus movimentos para te acompanhar. Viras-te para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; - Há algo que não percebeste, talvez… e tenho de te dizer… – digo-te, não precisando já de aproximar os meus lábios dos teus ouvidos. Aproximas-te.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; - Que foi? – perguntas, intrigada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; - Eu sou cego. – respondo, com a frase que geralmente não preciso de dizer. A frase que as pessoas fazem por evitar ouvir, mantendo a distância, mantendo o frio. Fazes uma pausa e dou-te tempo para assimilar a surpresa e a desilusão. Sinto-te aproximar mais um pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: courier new;"&gt; - Eu sei. Vamos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-4479243523118320906?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/4479243523118320906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=4479243523118320906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4479243523118320906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4479243523118320906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/09/movimentos.html' title='Movimentos'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-5214272246785096569</id><published>2008-09-22T16:23:00.000+01:00</published><updated>2008-09-22T16:24:12.981+01:00</updated><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>- A VIDA são 3 dias pá, ouve o que eu te digo! E eu simplesmente decidi quando a minha vai acabar! – dizia-me Rui, todas as vezes em que as cervejas começavam a não caber na mesa. Nesse dia, a última vez que o ouvi dizer isso, estávamos no Académico. Era Quarta-Feira, lembro-me como se fosse hoje… Não se passava grande coisa em Coimbra, mas uma noite de conversa com Rui era sempre uma noite bem passada.&lt;br /&gt; - ‘Tá bem, ‘tá bem… deixa-te de tretas! – eu despachava, entre cigarros cravados e goles de cerveja. Desde há alguns anos que Rui dizia ter decidido que ia viver a VIDA ao máximo e que se ia suicidar no dia antes de fazer 30 anos. Eu nunca acreditara. Hoje está morto.&lt;br /&gt;- ‘Tou-te a dizer, pá! E já te disse mil vezes! Não vai ser um suicídio daqueles de pessoal deprimido! Vai ser o suicídio de alguém que viveu ao máximo, e apenas quis ter algo a dizer quanto à maneira, e à altura em que ia!... – debrucei-me na mesa e, com um sorriso, olhei-o nos olhos.&lt;br /&gt;- Ok, vamos supor que não estavas na tanga… Não achas que 30 é muito cedo? – perguntei, curioso.&lt;br /&gt;- Não, pá! Ouve lá, o que é cedo? 30 anos são 1560 semanas de VIDA! Vou em grande, e não vou ver o meu próprio declínio. E posso dizer que a minha VIDA foi feliz, sempre! Tu, por outro lado, vais envelhecer, vais perceber que já não consegues fazer as coisas que gostavas de fazer, vais tornar-te num adulto cínico, como até já te estás a tornar – diz, gracejando – E vais morrer com a ideia que não foste tão feliz como realmente foste. Só porque os teus últimos anos não o foram! – a maneira como me dizia isto era sempre cheia duma certeza impressionante. Agora que penso nisso, sentado ao lado da sua campa, no 13º aniversário do seu suicídio, quase não acredito como na altura não me acreditei! Talvez em algum momento tenha percebido que poderia ser verdade, e tenha dado um instantâneo salto do “não acreditar” para o “não querer acreditar”…&lt;br /&gt; - Mas ouve lá, ó Rui… que é que tu sabes? Já pensaste que podes ‘tar enganado? E que… sei lá a VIDA comece aos 40?&lt;br /&gt; - Acreditas mesmo nisso?&lt;br /&gt; - Não, mas isso não interessa! – rimo-nos. Na verdade não acreditava, e os seus argumentos, ainda que aparentemente estúpidos, sempre me assustavam, talvez por, ainda que eu não o quisesse admitir, achar que, no fundo, faziam sentido…&lt;br /&gt; - Claro que interessa! Pá… Zé, eu já percebi que não vou lidar bem com o declínio…&lt;br /&gt; - Mas não tem de ser um declínio! – interrompo, efusivamente.&lt;br /&gt; - ‘Tá bem, chama-lhe o que quiseres! Eu chamo-lhe declínio. Eu já percebi que não vou lidar bem com o declínio, e por isso prefiro ir em beleza, do que ir indo em tristeza.&lt;br /&gt; - Ok, ok… – geralmente era assim que acabavam as nossas conversas. Eu não o conseguia convencer de nada, e ele não me conseguia convencer de nada… Ou melhor, eu dava sempre a entender, tanto para ele como para mim… que ele não me conseguia convencer de nada. Foi das últimas vezes que o vi. Que saudades tenho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acho que não reagi com muito choque. Apesar de não querer acreditar, talvez uma parte de mim soubesse que aquilo ia acontecer. As pessoas estranharam o facto de eu não me sentir devastado… Senti-me mal, mas como quando um grande amigo vai de viagem e não sabemos quando o vamos ver. Só isso. Talvez por me ter pedido, milhares de vezes, para eu não ficar triste, e para saber que tinha sido a sua decisão, e que tinha ido bem. Mas foda-se Rui, podias estar aqui ainda…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sentado ao lado da sua campa penso neste meu amigo. Ensinou-me o que é viver. É irónico, mas a maneira apaixonada como deixou a VIDA, levou-me a querer aproveitá-la ao máximo. Realmente não sei quando o meu corpo vai começar a falhar, quando a minha mente vai desistir de algumas actividades que tanto prazer me dão. Não decido acabar com a minha própria VIDA, para não sentir esse declínio… Mas decidi, no dia do seu funeral… não adiar. Adiar sempre é o pior que podemos fazer. Hoje é hoje, e quando quero fazer alguma coisa, faço. Hoje… é hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-5214272246785096569?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/5214272246785096569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=5214272246785096569' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5214272246785096569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5214272246785096569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/09/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-8650900773830906837</id><published>2008-08-19T22:21:00.000+01:00</published><updated>2008-08-19T22:22:18.499+01:00</updated><title type='text'>Como Me Sinto</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;A&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como me sinto… Dizem-me ter dado um passo importante, fulcral, vital na minha VIDA, mas o que mais quero, a cada segundo que passa, é ter o que tinha semanas antes. O que me dizem agarra-se aos meus ouvidos com toda a força pedindo, ora com jeitinho, ora violentamente, para entrar. Quero deixar entrar, e puxo a porta com toda a força que tenho, mas sinto cada esforço como um movimento &lt;st1:personname productid="em v￣o. Cansa-me" st="on"&gt;em vão. Cansa-me&lt;/st1:PersonName&gt;, como me cansa. A porta que quero abrir é pesada e está enferrujada, mexendo-se apenas uns centímetros quando a queria escancarada. Desistir do que desisti manifesta-se tão difícil como nadar com um colete de ferro. Sinto no corpo o pedido das benzodiazepinas, e resisto contra a vontade de ceder pela enésima vez. Vou tentando nadar, mas as braçadas são pesadas, e a necessidade de, com um aceno, ao mesmo tempo pedir ajuda torna tudo complicado e inconsequente. Desistir desistindo é difícil. Ter a ajuda que vou tendo a cada dia ajuda, mas ao mesmo tempo deixa-me a sentir-me como um extraterrestre no meio dos restantes residentes… que batalham com os seus problemas psicológicos, quando eu apenas os tenho em lista de espera. Vejo &lt;b style=""&gt;B&lt;/b&gt;, minha “irmã mais velha” cheia de força, de energia e boa disposição e, mais uma vez, os sentimentos contraditórios me recordam da sua existência… vejo-a como o personificar duma meta, duma possibilidade, um olhar para algo em que me posso tornar… mas ao mesmo tempo sinto a distância galáctica entre os nossos estados tão assustadoramente grande… grande demais, de tal forma que penso ser, para mim, simplesmente impossível…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;B&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Como me sinto…ou como me sentia, já que neste momento não faço ideia. Ou não quero fazer ideia, face à notória evidência de que agora me sinto pior que há pouco tempo atrás. Toda a gente gabava o meu progresso, e eu sorria, por dentro e por fora, contente com a constatação daquilo que sentia mudar &lt;st1:personname productid="em mim. Hoje" st="on"&gt;em mim. Hoje&lt;/st1:PersonName&gt;, toda a gente continua a gabar o meu progresso, e eu continuo a sorrir, mas apenas o faço por fora. Esta mudança, que no fundo nada mais foi, quem sabe, que um neutralizar da errónea ideia antes tida, passou-se nas últimas semanas, a uma velocidade que, não sei se lenta, se veloz, sei apenas que sub-reptícia. A verdade é que, quando vi &lt;b style=""&gt;A&lt;/b&gt; entrar na Comunidade Terapêutica, vi-me a mim mesma, meses antes… vi aquela imagem de mim que julgava esquecida e que sufoquei num qualquer canto da minha memória… Magra, muito magra, os olhos a querer fechar a toda a hora, o silêncio como carrasco e o nulo como constante. O corpo já a não necessitar de substâncias mas ainda assim a pedi-las. A mente, pobre mente, completamente às escuras, sem saber o que fazer. Falo com &lt;b style=""&gt;A&lt;/b&gt;, vezes sem conta tentando incentivá-la e ajudá-la a abandonar esse funcionamento. Quem sabe mais para me ajudar a mim, mas o seu olhar vazio não me escuta, e só me apetece gritar-lhe aos ouvidos, garantindo assim a sua atenção. Ou tentando, já que não consigo ter garantias de si. Porém, não deixo transparecer, não sei porquê, esta súbita fraqueza e vulnerabilidade recentemente adquiridas. Talvez admitir, ou falar disto num grupo ou em aconselhamento, seja dar ainda mais um passo atrás… Ouço os meus próprios pensamentos e penso que eles sim representam, não um passo atrás, mas que a realidade é que não dei tantos em frente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;C&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Depois do almoço, como todos os dias, retiramo-nos para fumar um cigarro. Com a Primavera ao virar da esquina e o Inverno esquecido, os sorrisos são mais abertos e as gargalhadas mais sonoras. Mas esta é estranhamente sonora. Não sei se é o nível, o tom, o que é… mas apenas confirma o que já há algum tempo imaginava. Quinze anos de toxicodependência, mais outros quinze, já livre, de trabalho com toxicodependentes, acabam por nos dotar com algumas características não raramente infalíveis. Os residentes voltam para dentro, e &lt;b style=""&gt;B&lt;/b&gt;, já com o olhar descansado, e por isso mesmo reflexivo e distante, deixa-se ficar, iniciando o seu segundo cigarro, sentada a admirar a sua caneca de café.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Podes baixar a guarda agora…. – &lt;/b&gt;digo, sentando-me a seu lado. O seu olhar é de surpresa, e nasce um sorriso amarelo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Como? – &lt;/b&gt;pergunta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Sei como te sentes. Já passei por isso, não precisas de esconder. Nem de mim, nem de ninguém, e muito especialmente, de ti – &lt;/b&gt;tenta interromper, imagino para dizer que não sabe do que estou a falar, mas o meu olhar pede mais um minuto de antena – &lt;b style=""&gt;Sabes… não foste a única a perceber as semelhanças entre ti e A. Assusta, não assusta? – &lt;/b&gt;volta a assumir a postura que assumira quando se julgara sozinha. O seu verdadeiro eu tem permissão para respirara uns minutos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;O que é que faço? – &lt;/b&gt;pergunta, perdida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;O que é que tens feito?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Nada. não percebo isto que se está a passar. É frustrante! Pensava que estava num lugar comigo completamente diferente! E agora parece que me vejo… ao espelho, de cada vez que olho para A. e… sinto-me a regredir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Pois eu sinto-te progredir…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Como assim? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunta-me, notoriamente sem saber o que quero dizer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Se aprendi alguma coisa, em 30 anos a lidar com drogas, é que simplesmente não existe algo como um percurso perfeito em recuperação… e quando tudo corre bem, sem mácula, com um desempenho notável… acho que quer dizer que tudo vai mal. Porque se estás aqui, é porque há merda aí dentro… merda de que precisas de falar, de deitar cá para fora! E a razão pela qual digo que acho que estás a progredir é que começaste a sentir, começaste… a ver-te na minha perspectiva…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;B&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Ficamos a falar mais uns minutos, até que tive de ir lavar o chão dos corredores. &lt;b style=""&gt;C&lt;/b&gt;. surpreendera-me duma maneira que não achava possível. Como é possível sermos tão transparentes quando julgamos que estamos a ludibriar toda a gente?... Odiei-o por me ver tão bem, mas a verdade… disse-me o que eu já sabia, e fez-me ver que o progresso, a minha recuperação, não está em querer tudo perfeito dentro de mim, mas aceitar o que não está… tentar melhorar e conseguir… falhar e aprender a lidar com isso…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como me sinto. Triste. Triste pelo tempo perdido a tentar mostrar aos outros uma imagem minha que não era real. Mas fe… mas contente por o ter percebido a tempo. E feliz por estar agora numa posição tão melhor para ajudar &lt;b style=""&gt;A.&lt;/b&gt;, mostrando-lhe que o meu percurso também é difícil. Mas juntas, todos juntos, chegaremos a bom porto…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-8650900773830906837?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/8650900773830906837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=8650900773830906837' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8650900773830906837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8650900773830906837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/08/como-me-sinto.html' title='Como Me Sinto'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-220907649566408158</id><published>2008-08-15T16:33:00.000+01:00</published><updated>2008-08-15T16:34:25.015+01:00</updated><title type='text'>Vivo!</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;Sigur Rós - Gong&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;.&lt;br /&gt;Mysen. No meio do nada, comigo mesmo como companhia, a alma que me habita ao meu lado e a música de Sigur Rós dentro de mim. Sento-me na sebe branca de madeira e a música cresce. Cresce. Cresce e sinto-a entrar dentro de mim. Fecho os olhos e um arrepio imenso e interminável entra dentro de mim. Quero sair! Quero sair e correr e nunca mais parar. Quero ficar aqui e apreciar o céu azul às onze da noite. Quero voar e quero parar. Quero sair. Sinto os pelos dos meus braços eriçarem-se e sinto-me plenamente vivo. Quero sair do meu corpo e voar, e beijar, e abraçar. Quero fazer tudo o que posso num momento, quero ficar parado a sentir a VIDA lamber as minhas veias. O coração não acelera mas a mente dispersa-se. Sinto-me plenamente vivo. Como uma pequena partícula dum organismo infinitamente maior, que quer elevar-se, experenciar cada detalhe da existência fugaz e injusta a que temos direito. Quero viver! Quero chorar, sorrir, quero sentir! Estou sozinho, mas não estou sozinho. Um oceano de questões, sensações, medos e sentimentos habitam-me e quero dar atenção a cada um, amá-los, tê-los como meus e agradecer-lhes por me darem VIDA.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;.  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Quero viver! E vivo, plenamente dentro de mim aceito tudo o que tenho para me dar, satisfeito por tudo o que sinto… Se sinto amor não sinto ódio, se sinto saudade não sinto a satisfação da presença, se sinto paz não sinto fúria. Não me interessa, quero sentir, seja o que for, quero sentir. E sinto-o. Sinto tudo, sinto a satisfação de olhar para dentro de mim, a insatisfação de não ter tudo o que quero e a satisfação de possuir o que tenho. Sinto-me plenamente vivo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-220907649566408158?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/220907649566408158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=220907649566408158' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/220907649566408158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/220907649566408158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/08/vivo.html' title='Vivo!'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-3935179020366099119</id><published>2008-08-12T22:14:00.000+01:00</published><updated>2008-08-12T22:18:29.960+01:00</updated><title type='text'>Positivo [Estória Experimental]</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Um dia, o Positivo matou-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;É um dia triste para todos nós – &lt;/b&gt;anunciou a jornalista – &lt;b style=""&gt;Foi&lt;/b&gt; e&lt;b style=""&gt;ncontrado morto em sua casa… Paulo Olívio Soares Ilha, mais conhecido pelo povo português como o Positivo. Tudo indica que terá cometido suicídio…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Profissão? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;perguntou a senhora do ginásio, ao preencher a ficha de inscrição de Positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Técnico de Vibrações Positivas. – &lt;/b&gt;respondeu o mesmo. A empregada olhou para si com cara de não-sei-o-que-é-isso-mas-deve-ser-uma-engenharia-qualquer, e acabou de preencher a ficha uns minutos depois. E o que era, na verdade, isso de Técnico de Vibrações Positivas?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Então e que fazes? – &lt;/b&gt;perguntou a senhora, enquanto fazia o gelo rodar e se diluir no Martini Rosso, visivelmente interessada em Positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Sou Técnico de Vibrações Positivas! – &lt;/b&gt;respondeu o personagem desta estória, à espera que a sua companhia lhe perguntasse o que isso era.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;E isso é o quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Basicamente, espalho energia positiva… Trabalho para o governo. Este recebe pedidos de instituições sociais, como orfanatos, comunidades terapêuticas, hospitais, entre outros, para eu passar uma ou duas semanas a trabalhar com eles… o governo envia alguém para aferir a situação e ver quem mais precisa de mim, e eu vou… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;respondeu… pela milésima vez na sua VIDA… a cara que recebeu como resposta à sua resposta foi a mesma que já recebera no passado, não mil vezes, mas muitas mais – &lt;b style=""&gt;Não, não sou nenhum bruxo, nem nada do género. Sou normal. Quer dizer, não sei se será bem isso, mas simplesmente sou bom em pôr as pessoas… numa boa onda. E passo uma ou duas semanas (três, em casos excepcionais) em instituições cujo ambiente esteja, ou à beira de rotura, ou com muitos mal entendidos, entre outras coisas, e geralmente consigo aligeirar um pouco, algumas vezes muito e outras completamente, o ambiente… Não faço nada de especial, nem sei porque se passa isto…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Nessa noite, o Positivo levou a sua companhia para casa, e ambos libertaram muita energia. Nessa noite, o Positivo explicou a sua profissão uma das últimas vezes. Não porque foi antes de se suicidar, não foi isso. Mas porque foi pouco depois do governo ter reconhecido, pela primeira vez na história do mundo, a profissão de Técnico de Vibrações Positivas. Após muita resistência por parte deste organismo, e de muita insistência, não de Positivo, que não se importava do nome que lhe davam, mas das instituições que reconheciam o seu trabalho, o governo cedeu, e criou esta profissão, que não só não existia, como dito, em mais nenhum país, bem como era a única profissão no mundo apenas com um profissional. E realmente é estranho… Técnico de Vibrações Positivas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tudo começou muito cedo. Não a sua profissão, claro, mas o facto das pessoas perceberem que havia algo de diferente com Paulo. Sempre fora uma criança muito simpática, sabia dizer a palavra certa no momento certo e até as suas palavras erradas era no mesmo momento, o certo. Contudo, talvez o seu maior trunfo fosse esse sorriso. Tinha um rasgado sorriso que irradiava alegria e bem-estar. Claro que apesar de tudo começar muito cedo, ninguém adivinharia que ele, um dia, faria disso uma profissão. Apenas o viam como alguém muito simpático e divertido. Não era melhor, nem pior, que os outros, não era muito mais inteligente, simplesmente era mais… qualquer coisa… qualquer palavra que quem sabe não exista, assim como a sua profissão não existia. Se bem que… positivo, sim, é simples e existe. Fiquemos com positivo. Simplesmente era mais positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Chateava os seus pais, como qualquer pré-adolescente o faz, chateava-se com os seus amigos, como qualquer adolescente o faz, e cometia estupidezes com as suas namoradas, como qualquer jovem adulto o faz. Mas, de uma maneira ou de outra, tudo sempre se recompunha, e nunca quebrava relações com ninguém, a menos que estas se desvanecessem lentamente com o tempo e distância. Mas nunca com uma ruptura. Porque não o queria, e porque, sem o saber, fazia com que os outros também não o quisessem. Costumava dizer aos seus amigos, nos últimos tempos da sua VIDA, em que beijava sorrateiramente a ternura dos quarenta, que talvez tenha ficado pela fase de jovem adulto, e fosse isso que o fazia tão… positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Claro que todas as qualidades são fruto de inveja. Todas. Não por toda a gente, mas haverá sempre alguém que inveja a beleza da Joana, a inteligência do Joaquim ou o dinheiro do Júlio… e, para dizer a verdade, toda a gente invejava esta influência positiva que Positivo tinha com as pessoas. O que é mais curioso é que invejavam a qualidade, mas ficavam por aí, não conseguindo sentir algum tipo de sentimento negativo pelo personagem. Havia quem o quisesse odiar, mas quando na sua presença, duas palavras e três sorrisos subitamente pareciam relativizar as coisas e tornar o ar mais fácil de ser respirado…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas um dia, o Positivo matou-se…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vamos sabendo, ainda que com breves frases (pois isto será uma estória e não um romance) como começou a sua estória. Mas como continuou a mesma?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sendo que as pessoas tão bem se sentiam na presença de Positivo, este não teve grandes dúvidas acerca do seu futuro. Faria isto de profissão. Seria um psicólogo. Os seus pais torceram o nariz. Tinham outros planos para si, mas a sua mente estava decidida. O seu percurso na universidade foi o dum típico estudante. Ia passando, por vezes boas notas, outras vezes nem por isso, uma queca aqui, uma queca ali, e quando deu por si, tinham passado cinco anos e na sua mão pousava um canudo… que não era um canudo, mas uma folha normal… canudo soa sempre melhor, ainda que o escritor esteja a estragar tudo referindo-o… &lt;b style=""&gt;“Txi, foda-se, para onde foram estes anos todos?...” – &lt;/b&gt;perguntava-se Positivo, sem saber o que responder a si mesmo. Era tempo de procurar por emprego, e enfrentava tal empreitada com dificuldade. Não o dizia a ninguém, pois sabia que ninguém compreenderia mas na verdade, sabia que seria favorecido por ter esse… talento. Efectivamente, custara-lhe admitir de si para si, que tinha um jeito especial com as pessoas, mas uma vez que o fez, prometeu a si mesmo que não o utilizaria para benefício próprio. Se algum tempo demorou a aceitar a sua qualidade, muito menos tempo tardou em perceber que o que prometera a si mesmo era impossível de cumprir. Percebeu-o certa noite, no Porto, em que tentava seduzir uma rapariga aparentemente inacessível, mas que eventualmente… aconteceu. E isto deixa-nos na posição ideal para explicar um pormenor acerca do falecido. O seu talento não era o de seduzir. Não era um sedutor. As pessoas sentiam-se bem quando consigo, apenas isso. Os sedutores fazem com que as pessoas se sintam, muitas vezes, algo que não são. Um pouquinho mais bonita, muito mais inteligente, etc. Positivo apenas fazia com que as pessoas se sentissem bem. É simples, não há, na verdade, muito mais a explicar. Pois estava o personagem com esta rapariga, chamemos-lhe, Júlia, e ao sentir a resistência da mesma baixar, pensou se estaria a “usar” o seu talento para a conquistar… estaria? Não sabia. Portanto, qual a única coisa que poderia fazer? Ir embora. Claro que não o fez, e nessa noite houve muita energia de cada um para o outro…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Continuando, não foi difícil encontrar emprego pois acabou por ser convidado para trabalhar no sítio onde tinha estagiado. Um orfanato, para ser mais preciso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Pá, isto já não era o mesmo sem ti…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Passou-se um ano, passaram-se dois, e quis o destino… ou melhor. Quis a inevitabilidade das coisas, já que teria de acontecer mais cedo ou mais tarde, que alguém de fora reparasse no talento de Positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Ele é tão simpático! Mas não é graxa, percebes?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Sim, sim Julieta! E então?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Olha, fofa, e então – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;respondeu Jacinta, sacudindo a farinha do seu pastel de feijão. Estavam sentadas na sala de chá da primeira, envergando os seus vestidos aos quadrados que, em conluio com o penteado, presenteavam quem tal teatro observasse, o cliché do que é ter irmãos com filhos – &lt;b style=""&gt;acho que ele é a pessoa ideal para discursar na nossa festa de angariação de fundos! – &lt;/b&gt;podíamo-nos questionar se foi aqui que alguém colocou um revolver na mão de Positivo, e o disparou, à Kurt Cobain, debaixo do queixo… mas não terá sido… Aconteceria mais cedo ou mais tarde. Quis isso a inevitabilidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Escusado seria dizer, foi um sucesso. Claro que este talento de Positivo não era algo que se espalhasse às massas, portanto os seus ouvintes, apesar de gostarem do personagem, não se sentiram de imediato completamente cativados. Isto, claro, até que o foram cumprimentar, e por uns largos minutos não conseguiam sair da sua beira…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Foda-se ó pá, ‘tás popular! – &lt;/b&gt;disse Jaime, num dia de Outono. Positivo estava no quarto-de-banho a defecar, e por isso o seu amigo e companheiro de trabalho teve de gritar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;O quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- ‘Tava a dizer que ‘tás popular! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;repetiu Jaime, quando Positivo voltou da casinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Então?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Nesta semana chegaram duas propostas para duas palestras e uma outra para visitares um orfanato em Vale de Cambra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Vale de Câmara?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Cambra!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Isso é onde? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;perguntou Positivo, realmente curioso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Sei lá ou o caralho… Ah, espera, diz aqui que pertence a Aveiro…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Positivo percebia, e não percebia o porquê destas chamadas, que rapidamente se tornaram numa constante. Percebia, pois conhecia a sua arte, mas não percebia… bem, porque talvez não quisesse perceber… Tentava ir sempre, pois era algo que o apaixonava, poder contribuir para o bem-estar de crianças que tinham tido menos sorte que os demais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Dividir o seu percurso em passos torna-se complicado, pois pode ser difícil escolher que acções terão sido passos ou não. Mas se trabalhar foi o primeiro, ser convidado para a primeira palestra, o segundo e convidado para visitar outras instituições, o terceiro… o quarto terá sido quando Positivo foi convidado, pela primeira vez, para passar três dias numa instituição que não um orfanato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Orientação de estagiários no Apoio à Vítima?? Que caralho é que tens a ver com isso? – &lt;/b&gt;perguntou Jaime, a rir. Jaime abria sempre o correio de Positivo, que não se importava. Jaime era assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Sei lá pá… – &lt;/b&gt;mas sabia… “&lt;b style=""&gt;Começou…&lt;/b&gt;”, pensou, no mesmo instante. Não sabia se estava contente ou triste. Sentia a pressão em si, e não sabia se tudo aquilo fazia muito sentido. Colocava a si mesmo a questão que, alguns anos mais tarde, muita gente viria a colocar. “&lt;b style=""&gt;Sou um bruxo ou quê?...&lt;/b&gt;”. Foi lesto, feliz, ou infelizmente, em descartar esta hipótese. Pois facto é que não disse que não àquele convite, tampouco aos outros que começaram a chover, já não apenas no seu consultório, nas mãos de Jaime, mas também na caixa de correio de sua casa. Sentia cada argumento como uma desculpa reles. Sabia a verdadeira razão por detrás de tudo, mas admiti-lo, ou sugeri-lo… tinha medo da maneira como o poderiam julgar. “&lt;b style=""&gt;Quem é que tu pensas que és?&lt;/b&gt;” ouvia os seus ouvidos dizer para bem dentro da sua mente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim, semanas eram planeadas &lt;st1:personname productid="em que Positivo" st="on"&gt;em  que Positivo&lt;/st1:PersonName&gt;, tentando fazer o máximo que podia sem faltar ao seu trabalho no orfanato, encetava tarefas como orientação de estagiários, sessões de esclarecimento de relações interpessoais (umas das célebres desculpas), supervisão, entre muitas outras. Como dito, permanecia no orfanato, e isso obrigava-o a fazer todo este trabalho extra em horário pós-laboral, nos fins-de-semana ou então, porque tinha de ser, faltando…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eis que o quinto e penúltimo passo… não… se pintar o tecto do seu quarto de vermelho-sangue foi o último, este quinto passo terá sido o antepenúltimo… eis que o quinto e antepenúltimo passo da sua VIDA nos termos em que está a ser contada se aproximava gigantemente, até que o abraçou, e fê-lo duma maneira tão forte, que Positivo não teve como dizer adeus. Nem quis. Recebeu uma carta do Ministério da Saúde a pedir uma audiência. Dessa vez não penso “&lt;b style=""&gt;Começou&lt;/b&gt;”, por duas razões. A primeira, prende-se com o facto de que tudo tinha já começado e a segunda com o facto de nunca ter antecipado o que lhe ia ser proposto. Daí ter ficado quase tão surpreso como ficou quando, alguns anos mais tarde, lhe propuseram a atribuição do estatuto de Técnico de Vibrações Positivas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Gostaríamos que abandonasse o seu posto no orfanato e trabalhasse directamente para o Ministério da Saúde. – &lt;/b&gt;propôs o engravatado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Hã? Como? A fazer o quê? – &lt;/b&gt;perguntou Positivo, que estava de ressaca, por acaso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Como Supervisor de Rendimento. Todos os meses vai estar em sítios diferentes, sem fugir muito à sua zona de residência. Isto é, viajará por toda a Delegação Regional do Centro. Quero dizer, todos os meses damos-lhe o seu plano, consoante o sítio onde achemos que seja necessário intervir. Que diz?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Hum… não sei… nem sabia que isso existia…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Mas existe…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Então… mas seria mais ou menos o que já estou a fazer, mas a tempo inteiro, certo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Mais ou menos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Então… porque é que me estão a pagar três vezes mais? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;perguntou Positivo, olhando para o contracto que aguardava, impacientemente, a sua assinatura. Os engravatados riram entre si e tentaram partilhar o mesmo riso com o personagem, que lhes devolveu uma pergunta muda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Bem… – &lt;/b&gt;começaram, percebendo que estava a ser genuíno – &lt;b style=""&gt;Você está, para todos os efeitos, a subir na carreira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Positivo começou então esta nova etapa na sua VIDA. Todos os meses davam-lhe um novo roteiro, de todos os sítios que teria de visitar. As desculpas, ou pretextos, para a sua visita apresentavam-se de todas as formas. Seminários, orientação, supervisão, entre muitos outros, e o nosso amigo fazia das tripas coração para dar o melhor de si, e isso, felizmente, funcionava. Porém, é justo dizer que não eram raros os dias em que chegava a casa completamente esgotado. Por vezes chegava ao seu apartamento nos arredores de Lisboa, por volta das 20h, e ia directamente para a cama, sem sequer jantar. A sua conta bancária, satisfeita, dava a ilusão que tudo corria bem, apesar de Positivo raramente ter oportunidades de gastar o imenso dinheiro que ganhava. Estava a ficar rico, mas o dinheiro sentava-se, imóvel, pedindo um pouco de contacto, que o personagem não tinha oportunidade de dar. Assim andou por uns três ou quatro anos, até que as diversas instituições que visitava, cansadas das desculpas que tinham de inventar, e cansadas da maneira como poderiam rentabilizar tão mais a presença de Positivo se este não tivesse de se ocupar com actividades fachada propostas pelas mesmas, começaram a pressionar o Ministério para a atribuição de um novo estatuto para Positivo. Inicialmente, pediam apenas para que trabalhasse como um agente livre, que fizesse o que, na hora, achasse mais conveniente junto de cada instituição. O governo, obviamente, não queria dar esta liberdade. Muito a explicar a muita gente, não se poderia simplesmente ter alguém como agente livre, era necessário um monte de papelada a explicar as funções deste indivíduo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Certo dia, os pássaros preparavam-se para abandonar Portugal, com suas malas feitas e despedidas agendadas, João, director dum CAT &lt;st1:personname productid="em Torres Vedras" st="on"&gt;em Torres Vedras&lt;/st1:PersonName&gt;, enquanto tomava uma Água Castelo com gelo e uma rodela de limão, teve a ideia que nós conheceremos como o penúltimo passo na VIDA de Positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Técnico de Vibrações Positivas? Você está a brincar connosco? – &lt;/b&gt;perguntaram os engravatados. Eram uns cinco ou seis, sentados em fila, cada um com a sua pasta a seu lado, como o estereótipo assim ordena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Não estou a brincar – &lt;/b&gt;retorquiu João – &lt;b style=""&gt;Toda a gente sabe que é isso que ele faz! Ele tem uma técnica qualquer que ainda ninguém conseguiu descortinar e que deixa, simplesmente um melhor ambiente onde quer que vá! – &lt;/b&gt;e pronto, foi o início desse longo processo que, após um ano e meio se deu mais ou menos por concluído. Mais ou menos pois durante outro meio ano seria uma experiência. Mas “first things first”, como diriam os nossos amigos ingleses. Não soa tão bem em português… as primeiras coisas primeiro…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Técnico de quê?? – &lt;/b&gt;perguntou, abismado, Positivo, naquela noite. Estava sentado em sua casa a ver televisão, e tinha acabado de receber a visita de João, alguém com quem trabalhava frequentemente, mas de quem não era, propriamente, amigo. Daí que tenha estranhado o convite que João fez a si mesmo de aparecer. Tinham passado seis meses desde a visita deste aos engravatados. Apesar de, como sabemos, ainda terem mais doze meses pela frente antes da aceitação, esta pessoa empreendedora começava a perceber que era uma possibilidade, e só aí contactou Positivo, que permanecera, até então, na mais escura sombra no que a este assunto diz respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Sim! Vá, você sabe que é verdade, por isso não se faça de surpreendido! Ouça, eu ando em negociações com aqueles gajos há meses, e hoje demos um passo gigante pá, eles ‘tão a pensar avançar com isto… – &lt;/b&gt;disparava, entusiasmado, João. Positivo, sentado no seu sofá, num dos poucos momentos que tinha livres, bebia uma cerveja, comida tremoços, e via o Benfica-Estrela. Via, pois deixou de ver. Mesmo depois de João ter abandonado o seu apartamento, os olhos do personagem continuaram pregados ao pequeno ecrã, mas a sua mente apalpava terreno um pouco por todo o lado, digerindo a novidade. “&lt;b style=""&gt;Técnico de Vibrações Positivas… foda-se…”&lt;/b&gt;, pensava, incrédulo. Estava contente, mas estava renitente. Tinha medo. sentia-se bem em ajudar, mas nos últimos tempos chegava a casa um pouco cansado de dar o melhor de si. Pois afinal de contas, e não obstante o seu talento, também se sentia triste, por vezes. E quem é que uma pessoa triste anima? Ninguém, a menos que falemos daquele grupo de pessoas cuja maneira de se animar é sabendo que há alguém numa pior situação… E como, para a maioria das pessoas, uma pessoa triste não é muito animadora, Positivo dava o melhor de si para contrariar os seus próprios sentimentos, encenando sorrisos, encenando a sua própria realidade interna.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;À medida que o tempo passava, Positivo sentia a energia crescer ao seu redor. Não a energia que ele, ok, espalhava, mas a energia, o fulgor de todos com quem trabalhava que, conscientes do processo por que Positivo passava, não podiam esperar pelo novo estatuto. Se nesses momentos sentiam a ajuda incrível do nosso amigo, ainda que “desperdiçando” o seu tempo com meros… ensinamentos, a ideia do que poderia acontecer, do que poderiam receber uma vez que a sua única função fosse melhorar o ambiente estava para lá dos seus sonhos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim, uma belo dia, em que os pássaros permaneciam calados, Positivo, ao chegar a Santarém, onde daria uma acção de formação sobre ética do trabalho, vê, na instituição que visitaria, um número anormal de carros. Mais, muitos mais. Entra, não vê ninguém… sobe a escadas, respira fundo e, ao abrir a porta, vê largas dezenas de pessoas, que desatam a gritar “parabéns”! Tinha acontecido. Ele percebeu de imediato, questionando-se como o Ministério poderia alinhar em algo assim, e deixou-se levar pela euforia que via ao seu redor, festejando… sem perceber que as pessoas ao seu redor muito mais alegres estavam com a novidade do que o próprio Positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Como é que foi isto tudo, pá? – &lt;/b&gt;pergunta Positivo a João. Estavam na varanda do Centro de Saúde de Santarém a fumar um charuto trazido pelo amigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Olhe…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Olha… já é alturinha de nos tratarmos por tu, não achas? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;interrompe Positivo, com um sorriso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Ok, ok. Pá é o seguinte&lt;/b&gt;… &lt;b style=""&gt;como te fui dizendo, fomos batalhando com o Ministério para que te libertasse de todas essas tretas que andavas a fazer… ok, ok, eram, e são importantes – &lt;/b&gt;corrige João, devido ao olhar de Positivo – &lt;b style=""&gt;mas a questão é que qualquer pessoa as pode fazer… Sendo assim marcamos várias sessões com os gajos, em que vinha sempre alguém diferente, duma instituição diferente, servir, vá lá, como uma testemunha do teu desempenho… Eles aceitaram, mas estamos com rédea curta…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Como assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Todos os sítios onde fores vão ser alvo de monitorização… vão passar testes de rendimento antes e depois das tuas visitas, fazer entrevistas, visitas surpresas, etc… Isto porque os primeiros seis meses serão um período experimental… Ah, e os gajos da televisão querem falar contigo! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;alertou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;O quê? ‘Tás a gozar! Para quê?? – &lt;/b&gt;perguntou, incrédulo, o nosso amigo a poucos minutos da fama…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Que é que achavas? Que o Ministério cria uma posição que não existe em mais lado nenhum no Mundo e ninguém vinha fazer perguntas? Não marquei nada por ti, mas não estranhes se amanhã fores interpelado por eles no Ministério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Que é que eu vou fazer ao Ministério? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;perguntou o personagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Foda-se pá, parece que andas na lua. A partir da próxima semana tens uma profissão nova! Não sei quanto vais ganhar, mas tenho a certeza que vão ser balúrdios, cabrão… Mas isto para dizer que o resto desta semana tens não sei quantas reuniões no Ministério… – &lt;/b&gt;largou João. Positivo não conseguia perceber como tudo isto acontecera à sua margem… Nem imaginava que tal fosse possível. O que é certo era que, se dependesse de si, manter-se-ia como Supervisor de Rendimento, ou mesmo “mero” psicólogo. Afinal de contas, quem era ele para se achar digno da posição de Técnico de Vibrações Positivas?... São tempos estranhos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Esses 6 meses de experiência acabaram por se resumir a 4 até que a nova posição de T.V.P. foi oficialmente admitida. Facto é que os dados obtidos através do inúmeros testes foram muitos reveladores do desempenho de Positivo. Tanto que muita gente no Ministério chegou a pensar que se tratava de resultados arranjados, pelo que convocaram inúmeras reuniões e entrevistas com as pessoas com quem Positivo trabalhava, como forma de averiguar a veracidade dos resultados obtidos. Reuniram-se também várias vezes com o personagem, factor que muito influenciou para o aceleramento de todo o processo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Tudo isto resultou numa mediatização que nunca esperou acontecer. Era convidado várias vezes para falar na televisão, tinha uma rubrica semanal numa estação de rádio e os convites para visitas a instituições inundavam a sua caixa de correio. Tinha acordado que apenas seguiria aqueles que o Ministério encaminhasse, pelo que lhe custava ter de dizer que não a alguns. Porém, sem muita gente saber, lia todos, e por vezes não conseguia resistir a aceitar. Era um erro, era sempre um erro, mas um erro que ele cometia várias vezes. Era um erro pois havia sempre alguém que sabia, e quando confrontado com uma rejeição, trazia ao assunto a visita não oficial de Positivo a determinado sítio… Além de toda esta comoção tinha, quase todos os dias, ao chegar a casa, pessoas à sua espera, que queriam tomar café consigo, conversar, muitas vezes entrar… A sua VIDA estava a acontecer a uma velocidade impressionante, e quando deu por si, estava a trabalhar uma média de 14h por dia… Isto pois, como não podia estar com toda a gente a toda hora, decidiu abrir um consultório. Recebia grupos de pessoas não muito grandes em blocos de 45 minutos, quinzenalmente, e cobrava cerca de um terço do que outro psicólogo cobraria. Mas era demasiado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Dava o máximo que podia de si, tinha sucesso, todo o sucesso que alguém pode desejar, e pelas melhores razões, pois este advinha do simples facto de tornar as pessoas ao seu redor mais felizes, a sentirem-se melhor. Contudo, sentia que nunca era o suficiente. A cada dia tinha mais pessoas a pedirem a sua presença, pedidos esses a que Positivo continuava a aceder muito mais do que deveria… Por isso, ia deixando de viver a sua alegria que tanto o caracterizava, de si para si, vivendo com um sentimento latente e constante de um cansaço perturbador e pesado. Passava os seus dias esquecendo a dor e ausência de prazer que sentir dentro de si, empurrando para o fundo estes sentimentos, para que pudesse assim ser o melhor, apesar de único, a fazer o que fazia… Progressivamente ia deixando de sentir prazer em ajudar as pessoas, em fazê-las felizes, pois a cada vez que observava um resultado do seu trabalho, os pedidos multiplicavam-se e a constatação da miséria que existia ao seu redor e que, nem ele nem provavelmente ninguém, conseguiriam concertar era demasiado massacrador. Não se permitia sonhar, pois a realidade das coisas era demasiado óbvia…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Por isso um dia, o Positivo matou-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Abandonou o Hospital de Setúbal nessa tarde… o sentimento de dever cumprido era algo que já não conhecia muito bem. Da viagem de 4 minutos até ao seu carro, 3 pessoas o interpelaram. Não conseguia, não tinha tempo. Tinha, a começar no espaço de uma hora, em Lisboa, sessões de terapia de grupo que se arrastariam até às 21h.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando saiu do seu consultório, a ideia de que não teria ninguém à sua espera em casa seria, por um lado, perfeita, e por outra a constatação da VIDA horrível que vivia… por um lado, pensava em não ter ninguém à sua porta de casa a pedir minutos do seu tempo, o que seria bom e relaxante, uma vez que fosse… por outro lado, pensava em não ter ninguém à sua espera &lt;i style=""&gt;dentro&lt;/i&gt; de casa, apenas o pesado vazio, o pesado sentimento de solidão que preenchia os poucos momentos em que estava sozinho. A VIDA que levava não lhe permitia manter uma relação. Sem o saber, Positivo tinha optado, fazia muito tempo, em fazer as pessoas ao seu redor felizes, antes de se fazer a si mesmo. Pensou, ingenuamente, que tudo seria possível, mas não foi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim, chegou a casa nessa noite, e as paredes relembravam-no constantemente que mais ninguém ali esperava por ele. O pensamento bailava na sua mente, como tantas vezes antes o tinha feito. Em tantas vezes antes, Positivo fez tudo menos puxar o gatilho. Os rostos dos seus colegas, das crianças com quem trabalhava costumavam fazê-lo parar. Ninguém sabe, nem saberá o porquê de, naquela vez, não o terem feito. Positivo chorava, sentado na sua cama, com o cano encostado à sua pele. A dor era demasiado forte, e sentia-se esgotado, sem forças, sem Energia…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;No dia seguinte ao anúncio que chocou Portugal, a mesma jornalista, anunciando o funeral duma das pessoas mais queridas do povo português, concluiu a notícia que tinha dado no dia anterior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Confirma-se que Positivo, Paulo Olívio Soares Ilha, cometeu suicídio. As autoridades não quiseram adiantar mais quanto ao método, mas vizinhos falam de terem ouvido um disparo. Podemos ainda dizer que… – &lt;/b&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;voz treme e esforça-se por não chorar. A mesma jornalista tinha, certa vez, entrevistado a fantástica pessoa que fora Positivo… – &lt;b style=""&gt;Junto do corpo de Positivo foi encontrado um bilhete dizendo apenas… “Sempre tentei dar tudo o que podia. Mas devia ter dado apenas tudo o que podia”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;FIM&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-3935179020366099119?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/3935179020366099119/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=3935179020366099119' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3935179020366099119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/3935179020366099119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/08/positivo-estria-experimental.html' title='Positivo [Estória Experimental]'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-7508853299277569127</id><published>2008-07-21T12:09:00.000+01:00</published><updated>2008-07-21T12:10:10.313+01:00</updated><title type='text'>Viver</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Vejo o espanto nos olhos da pessoas ao meu redor como o meu motor, aquilo que me dá energia para continuar… é-me difícil, por vezes… tantas vezes… acompanhar as expectativas que deixam em mim, e isso materializa-se numa vontade cruel de dar dois passos e comprar um grama. Incrível como aquilo que funciona como motor também, ao mesmo tempo, tanto nos pode desacelerar…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Sento-me no sofá, vejo as pequenas nuvens provenientes do chá, que arrefece, e penso nisso. Sei que não o vou fazer, mas, não sei porquê, quero imaginar que sim. Vejo-me a sair, olhar à volta para ter a certeza que não sou seguido, chegar à estação central, e apenas pedir meio grama a Magnus. Não preciso de dizer mais nada. Não preciso de lhe dizer que tipo de droga quero, não preciso de lhe dizer para não me enganar, não preciso de mais nada senão a mera frase e um par de notas… Vejo-me a sentir a adrenalina expectante, pelo que se avizinha a um par de minutos, nascer dentro de mim, proporcionando-me um prazer quase tão gratificante como o efeito da droga propriamente dito. Entro na estação, deixo 5 coroas na máquina, e vejo as portas do quarto de banho a abrirem-se. Vejo-me a pensar no quão quero usufruir o momento, e volto para o exterior, onde fumo um cigarro, para que tudo esteja como deve estar, e para poder ficar no quarto de banho o tempo que me apetecer. Vejo-me a voltar a entrar, a ignorar a cara que o porteiro faz, fechar a porta, arregaçar as mangas. Tiro o cinto, aperto-o no braço, até ao ponto em que dói e fica roxo. Pouso os óculos no chão, num sítio que não me faça, daí a uns minutos com o equilíbrio a menos de 100%, os pisar. Tiro a agulha do invólucro, faço a sopa, e vejo-me a entrar naquele pico que me deixa num outro lugar, num outro lugar onde… tudo não é melhor, mas tudo não é o que é aqui. Aquele lugar que dura apenas um determinado período de tempo. Vejo-me a encostar-me para trás e a entrar em prazer indescritível. Vejo o tempo passar, e vejo-me sair do quarto de banho. A cara do porteiro… não a consigo ignorar... vejo-me a pensar no quão filho da puta que ele é, e apetece-me matá-lo. Saio, vejo o sorriso de Magnus e apetece-me atirá-lo para a frente do metro, por ter agitado diante do meu nariz o produto! Mas então?... Vejo-me a pensar nos últimos dois anos… na última vez que consumi, uma semana antes de ir para a desintoxicação, um mês e qualquer coisa antes de ir para a Comunidade Terapêutica. Vejo a cara dos meus colegas de recuperação, dos que tiveram sucesso e dos que não tiveram, e vejo o seu olhar de desilusão, que compete com o meu inexpressivo, em completo desalinho com a miséria e vontade de desaparecer que vai dentro de mim. Estupidamente, vejo-me a querer consumir, comprar mais, apenas para que não sinta esta vergonha que se abate sobre mim. Vejo-me a ligar aos meus pais, perguntar como vão as coisas, e dizer que gosto deles… apenas numa tentativa completamente frustrada de me mostrar que sou um bom filho, que me preocupo, e que nada muda apenas com um consumo. Vejo-me a, antes de ir para casa, comprar uma garrafa de vodka, que sei que vai acabar nessa mesma noite. Vejo-me a pensar que não tem mal algum, pois é o que toda a gente faz de vez em quando, beber um copo… vejo os dias passar e não sei se me vejo no dia seguinte a ir outra vez ter com Magnus, se a beber uma garrafa de vodka todos os dias, se a ter uma overdose, se a me suicidar mais tarde, se a entrar em outro tratamento onde terei, mais uma vez, de conviver com os erros que cometi e nunca deveria ter cometido… quando tudo estava na minha mão, quando não podia já culpar a minha má infância, os meus momentos difíceis… consegui falhar de novo… vejo o peso desse falhanço ser demasiado pesado para ter de o enfrentar todos os dias, e vejo-me a desaparecer, um dia, do tratamento, acabando a dormir, completamente pedrado, num passeio de Oslo. Vejo-me a acordar e não conseguir lidar com a cara das pessoas que passam que, não conseguindo mentir, me mostram o lixo em que estou… vejo tudo isto e muito mais, num ciclo vicioso de falsas razões, pretextos e antecedentes que acabam por ser consequentes, consequentes que antecedentes acabam por ser, tudo num circulo interminável que me leva à morte, destruição… ver a minha VIDA passar ao meu lado sem que eu faça algo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Dou um gole no chá preto, e sinto a vontade de viver isso tudo. Penso na razão por que o sinto, e não consigo, como nunca consegui, encontrá-la. Apesar de tudo, penso na maneira como aprendi a viver com esta grande questão e escolho… viver…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-7508853299277569127?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/7508853299277569127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=7508853299277569127' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7508853299277569127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7508853299277569127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/07/viver.html' title='Viver'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-5686180988558423281</id><published>2008-07-19T19:50:00.000+01:00</published><updated>2008-07-19T19:51:10.345+01:00</updated><title type='text'>Godelieve 50</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Não sei se bebemos um whiskey ou partimos já… – &lt;/b&gt;diz-me, após os nossos lábios negociarem tréguas. O calor que sentia dentro de mim impelia-me para desaparecer no mesmo momento, fosse para onde fosse, mas a certeza que nessa noite era apenas minha, e o conforto do lugar onde me encontrava pedia-me para ficar um pouco mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Se podemos ter tudo, porquê escolher? Vamos ficar, beber um whiskey com calma… adiar o… prazer. – &lt;/b&gt;sugiro, com um sorriso que levanta outro no seu olhar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Porém, vê-la diante de mim, vestida, era demasiado pesado. Esperar segundos que pareciam horas revelava-se difícil, na ânsia de ter na minha mão as horas que pareceriam segundos. Não tinha dúvida nenhuma que, pelo menos nesses momentos em que a tinha a uma palavra de distância, não sentia nada a não ser paixão e um amor doloroso. Saborosamente doloroso. Os conflitos dentro de mim apontavam todos no mesmo sentido. Rebentar e agarrá-la, grudar-me ao seu corpo e explodir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- E se não nos tivéssemos conhecido? – &lt;/b&gt;pergunta-me. Não sei. Ou sim, sei. Sei o que seria de mim se não a tivesse conhecido. Seria a pesada leveza de espírito que apagava o meu ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Não sei nada de quem eras… até pouco de quem és. Mas eu sei quem – &lt;/b&gt;não – &lt;b style=""&gt;fui e vejo essa pessoa a planetas de distância… – &lt;/b&gt;dou uma passa no milésimo cigarro. Por culpa da Mestiba, Porto, champanhe, o mundo passa diante dos meus olhos a velocidade cruzeiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Fala-me disso…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Não quero…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Porquê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Porque tenho de prestar tanta atenção a partes da minha VIDA que já não existem? Sinto isso como passar horas e horas a analisar um sonho sem sentido! Só gosto de pensar no meu passado para perceber como o presente é tão melhor…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Mas eras… miserável?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Não, e o problema é precisamente esse… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;sinto que não me compreende. Para dizer a verdade as palavras saíram mais rápido do que planeara, pelo que eu próprio me senti confuso, com dificuldade em me organizar – &lt;b style=""&gt;Nunca me sentia miserável. Apenas ligeiramente alegre, ou ligeiramente em baixo… como se fosse proibido ultrapassar estas marcas, como se fosse proibido alcançar algum extremo alguma vez… não sei que te diga, é uma dormência constante, um não-ser…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- E comigo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Contigo… o que sentes &lt;i style=""&gt;tu&lt;/i&gt; quando comigo? Porque guardas tanto as tuas reacções?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Que queres dizer com isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Sinto como se estivesses constantemente noutro plano… Com tudo sob controlo… e o facto de saber que é impossível alguém ter tudo sempre sob controlo deixa-me confuso… a não ser que realmente aches que sim, que tens tudo debaixo do teu radar…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Dizes, então, que é impossível ter tudo sob controlo? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunta. Sinto como se esta questão tenha como única função criar o caminho para a verdadeira ideia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Sim, acho que sim. &lt;/b&gt;– revelo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Eu também acho. Mas ao mesmo tempo essa certeza que manifestas é estranha. Como podes ter tanta certeza acerca do poder de alguém, da perfeição e eficácia como alguém pode fazer alguma coisa? – &lt;/b&gt;talvez Godelieve seja a prova que estou errado, pois apanhou-me perfeitamente. Atrevo-me a dizer que… tinha a conversa sob controlo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Tens razão, não posso. – &lt;/b&gt;penso – &lt;b style=""&gt;Ou será que posso?... &lt;/b&gt;– está confusa – &lt;b style=""&gt;Sim, claro que posso… - &lt;/b&gt;estou confuso – &lt;b style=""&gt;Posso ter a certeza do que me apetecer. Qual é a pior coisa que pode acontecer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Estares errado…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Precisamente. Mas aí está a grande questão… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;ouço algumas pessoas começarem a abandonar o local. Não me parece o tipo de sítio que tenha horas para fechar, por isso não me preocupo – &lt;b style=""&gt;Se eu continuasse a viver da maneira em que vivia, estar errado seria terrível. Mas já percebi que estar certo acerca de algo, na maior parte das vezes, é relativo e não vale o esforço…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Assim como a tua própria afirmação, agora mesmo, é relativa… Para um pessimista, estar errado é óptimo! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;remata, divertida, mas com convicção. Adoro-a.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Aí está! Mas diz-me uma coisa… Foi de propósito que mudaste de assunto, ou simplesmente aconteceu? – &lt;/b&gt;pergunto, tendo uma vez tomado consciência do que se estava a passar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Que achas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Acho que não estou em nenhum psicólogo, e que não tens de me devolver as questões a toda a hora… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;o meu olhar é sério. Sinto que começo a encurralá-la um pouco, e isso agrada-me.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Porquê? – &lt;/b&gt;ri abertamente – &lt;b style=""&gt;Estou a brincar. Mas não sei que te responder, é só isso… mudei de assunto de propósito ou aconteceu?... – &lt;/b&gt;diz, de si para si, baixinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Porque não dizer a verdade?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- A verdade é aborrecida… procurá-la até é divertido, por vezes. Mas a verdade em si nada tem de especial. Geralmente traz consigo essas certezas de que falamos… e qual a piada de ter a certeza acerca de algo? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;continuamos a falar por mais uma hora. Senti Godelieve estranhamente perto, e percebi, mais uma vez, a importância que tem na minha VIDA e neste novo eu. Se a introdução deste personagem na história da minha VIDA me vez ver onde vivia, as suas ideias em si, até então, deslizavam entre as linhas do que me dizia. Ouvi-la falar era como me ouvir a mim mesmo nos últimos tempos, e o um constatar mais palpável da genuína influência do seu pensar no meu estar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Levantamo-nos a rir, não vi Godelieve pagar nem me preocupei com isso. O mundo embalava-nos numa bebedeira agradável, perto duma menos agradável náusea, que dizia olá ao virar da esquina. Não lhe prestei atenção e deixei o bem-estar permanecer. Abraçado a Godelieve percorri o vazio corredor enquanto via, de vez em quando, empregados passarem carregados de pratos e garrafas. Não cumprimentamos nem dissemos nada a ninguém ao sair. Todavia, tendo fechado a porta atrás de nós e subido os poucos degraus que nos separavam da estrada, deparamo-nos com a mesma limusina que me trouxera até ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O condutor lança um bastante tímido sorriso, abre a porta. Reparo em como repara nas longas pernas de Godelieve, à medida em que esta entra na parte de trás do veículo. Ele entra no carro, e eu permaneço do lado de fora. Apago o cigarro que acendera segundos antes, aprecio o vazio que me rodeia e penso, antes de entrar, em como, talvez uma hora antes, Godelieve acabou por não me dizer nada acerca de guardar, ou não, as suas reacções… iludiu-me deixando-se apanhar na mudança de assunto, mas isto acabou por se tornar o próprio assunto… Incrível… Abano a cabeça, sorrio, e entro no carro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-5686180988558423281?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/5686180988558423281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=5686180988558423281' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5686180988558423281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5686180988558423281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/07/godelieve-50.html' title='Godelieve 50'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1226086772853097008</id><published>2008-07-17T20:51:00.000+01:00</published><updated>2008-07-17T20:52:02.751+01:00</updated><title type='text'>50 Godelieves, 100 Estórias</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;O antro dos infiéis? Como assim? Onde? Os meus pensamentos oscilavam a cada décimo de segundo. Se inicialmente me atrevi a soltar um sorriso com a brincadeira de Godelieve, ver o seu próprio sorriso desaparecer, para me mostrar a seriedade do que me dizia fez-me pensar que, quem sabe, o que me dizia era verdade… Antro dos infiéis?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Como assim? Antro dos infiéis? – &lt;/b&gt;pergunto, sem me preocupar em esconder a minha confusão. Neste momento ouço alguém, do outro lado da cortina, tossir, como que pedindo permissão para entrar. Godelieve acede e um empregado aproxima-se, perguntando se já temos alguma decisão. Suponho que seja acerca da refeição, apesar de não ver nas mãos de Godelieve nenhum menu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Sim… Para já, como aperitivo, queremos dois Portos. Depois como entrada queremos queijo queimado com açucar e como prato principal frango cortês – &lt;/b&gt;ouço Godelieve e percebo que tenho fome. A visualização, na minha mente, dos pratos típicos que pede deixa-me a salivar ligeiramente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;E para beber?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Don Perignon, muito frio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Concerteza. – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;e afasta-se. Godelieve olha para mim e, com o seu expressivo olhar pergunta-se se concordo. Num instante percebo que me esqueci, por uns segundos, que ainda não faço ideia de onde me encontro, apesar da sugestão ser evidente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Óptimo, parece-me óptimo. Mas… estavas a dizer-me onde estamos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Bem, é o seguinte… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;adquire uma postura mais séria e inclina-se ligeiramente sob a mesa &lt;b style=""&gt;– claro que o nome não é o antro dos infiéis, apesar de ser isso mesmo… Todas as pessoas que vês, ou imaginas, aqui são provavelmente casadas ou têm algum tipo de relacionamento a que precisam de fugir. Este lugar existe há anos e anos… Nunca teve nome, e nunca teve uma única fuga de informação. As pessoas que vês aqui a trabalhar rodam anualmente e são muito bem pagas para manter o segredo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas… isso não faz sentido. E as outras pessoas que aqui estão? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunto, confuso com a estranha realidade que tenho diante de mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;As pessoas que aqui estão não têm cara. O segredo de cada um é suficiente… além do mais, está tudo muito bem controlado, de uma forma que ninguém percebe, mas que ninguém quer perceber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Como assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Por exemplo, ninguém sabe quem é o dono deste lugar. Nem mesmo os empregados. No entanto é um sistema que vai desde dezenas de quartos de hotel na cidade até este mesmo restaurante, passando, como deves ter percebido, pelos meios como se chega até aqui. É perfeito, muito bom. Claro que é caríssimo, mas quem pode pagar tem condições que não tem em mais nenhum lugar. – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;a informação que desfila diante da minha pessoa é estranha, e Godelieve faz por a partilhar de uma forma, por um lado sedutora, mas por outro lado como se fosse algo banal. Passam pela minha cabeça imagens de filmes que vi, de coisas que imaginei, e tento conciliar tudo, sem ter grande sucesso. Entrego-me, finalmente, e limito-me a oferecer um sorriso. Só em Westland…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Mas porquê esta necessidade de trair? Porque não saltar e desaparecer?... – &lt;/b&gt;pergunto. Estamos a meio da refeição. Do meu lado direito jaz uma garrafa vazia de champanhe, ao seu lado a sua sucessora, beijando a mortalidade. Os olhos negros de Godelieve espetam-se nos meus, e as suas sobrancelhas surpreendem-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Desaparecer para onde, Theodoor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Desaparecer para vinte e quatro horas por dia. Será assim tão doido e arriscado? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pausa – &lt;b style=""&gt;Sim, é, mas vivemos em tempos em que isso não é assim tão impossível, em que essa decisão não tem de trazer consigo um desenvolvimento assim tão pesado… &lt;/b&gt;- espero que acabe de mastigar. Dá um gole do champanhe e os segundos que espera para falar entram dentro de mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Achas que é isso que queres?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- É isso que queres?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Sabes… por vezes não te percebo, meu querido. Por vezes todo tu vives nos segundos em que estás comigo, mas doutras vezes sinto que vives noutro lugar qualquer, na certeza de me querer sempre do teu lado… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;aponta, revelando-me da minha eventual ineficácia em permanecer impassível e misterioso. Ainda assim, não cedo. Tiro um cigarro, sem me importar que nenhum de nós acabou de comer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;E seria isso assim tão terrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- O que seria terrível era aventurarmo-nos à procura do conhecido e perdermos tudo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- À procura do conhecido?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Sim… sempre que estamos juntos, e sempre, ou especialmente, quando não estamos juntos, vivemos sempre no desconhecido… E isso é fantástico… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;ouço as suas palavras como se fossem os meus pensamentos – &lt;b style=""&gt;Se nos aventurássemos à procura de estabilidade e certezas íamos ceder, íamo-nos tornar em apenas mais um casal, onde tudo é o que se espera… é isso que queres? – &lt;/b&gt;a beleza e sentido dos seus argumentos deixa-me numa posição desconfortável. Não quero, não sei porquê, ceder, admitir que eventualmente esteja errado, pois apesar de sentir que estou, não quero estar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Mas não achas que isso é… cobarde? – &lt;/b&gt;pergunto, apagando o cigarro, que ainda tinha algo para me dar. O champanhe sabe-me incrivelmente bem, e bebo uma taça duma só vez. Sinto que quer sorrir mas contraria tal movimento. É cansativo, ainda que prazeiroso, tentar adivinhar o que vai dentro de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Talvez sim, talvez não, não sei. Mas acho que ao perguntares isso, estás a fazer exactamente o mesmo… a querer o conhecido… a querer catalogar coisas com palavras, a querer ter controlo. Que interessa se é cobarde ou não? Porque tem de ser importante saber o que é&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Se podemos apenas apreciar o que temos… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;interrompo-a, baixinho, mais para mim que para si, acabando a sua frase.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Precisamente…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Quando estou contigo sinto sempre que é a primeira vez… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;digo, abrindo-me mais do que desejaria – &lt;b style=""&gt;As palavras têm de ser escolhidas – &lt;/b&gt;olho de soslaio para as duas garrafas vazias e percebo que talvez me tenham apanhado desprevenido, não quero dizer estas coisas – &lt;b style=""&gt;e questiono-me se o que sinto quando não estou contigo vale a pena pelos segundos em que estou…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- E a que conclusão chegas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Diz-me tu. Porque tenho de ser apenas eu a falar da confusão? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;sugiro, interessado e de volta à postura sedutora. Desta feita percebo nitidamente o seu sorriso que me devolve um ar encantado. Godelieve levanta-se, dá um toque nos seus lábios, talvez corrigindo algum deslize do batom que até então passara despercebido. No seu trono invisível, olha-me de cima para baixo, mas não sinto tal situação como metafórica. Ainda assim, levanto-me. Dá um passo para mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Eu conto os segundos para estar contigo, meu amor. – &lt;/b&gt;a sua voz é ameaçadoramente macia – &lt;b style=""&gt;E sinto cada ocasião contigo passar como efémero e irreal. Custa-me e por vezes quase sufoco, mas quando te tenho para mim e te posso beijar, vivo nesses poucos momentos tudo o que não vivi em semanas… guardo tudo o que sou para ti…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Foi o beijo mais real que demos. Não sei ao certo o que define um beijo como real, mas sei apenas que o foi. Os nossos lábios abraçaram-se e as nossas línguas embalaram-se como centenas de vezes antes, mas a fragilidade da sua frase, que apenas a trouxera, por uns breves segundos, ao mundo dos humanos, dizia-me que estava a beijar alguém que efectivamente existia. O conforto de a ter no mesmo nível em que eu sempre me encontrei, em saber que o meu desespero era partilhado, foi apenas por três instantes ameaçados pelo quanto não a queria junto de mim com o resto dos mortais. Foi apenas por três instantes ameaçados, tranquilizando-me de seguida, com a certeza de que certas pessoas simplesmente não sabem como não ser musas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1226086772853097008?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1226086772853097008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1226086772853097008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1226086772853097008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1226086772853097008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/07/50-godelieves-100-estrias.html' title='50 Godelieves, 100 Estórias'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-5042738624622608134</id><published>2008-07-17T13:32:00.000+01:00</published><updated>2008-07-17T13:33:15.399+01:00</updated><title type='text'>Godelieve 4-9</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Os meus olhos apontam para um qualquer ponto no universo, em sintonia com a minha mente, que voa dispersa, sem rédeas nem controlo. Os segundos atropelam-se, desaparecem, e o tempo funde-se num momento, de maneira a que um terço de garrafa de Mestiba depois, sinto o carro parar. Não sei se devo esperar que me abram a porta, ou se o devo fazer de imediato. Espero quatro piscar de olhos, e saio, para encontrar o meu condutor diante de mim que se preparava, imagino, para me abrir a porta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Dou um último gole de Mestiba, pouso o copo no tecto do carro, ajeito o meu colarinho. Vislumbro a minha imagem no tímido reflexo que a janela me lança, e percebo como o smoking me assenta bem. Sem dar por isso, o condutor desaparecera para dentro da limusina, e a mesma abandonou-me de seguida. Sou forçado a arrancar um sorriso quando ouço, segundos depois, o copo que largara rebentar no chão, a alguns metros de distância. Tiro um Dunhill. Estou no meio de uma estrada estranhamente limpa. De cada lado da mesma, dois prédios aparentemente abandonados, A iluminação que me chega deve-se à colaboração entre a lua e um velho poste de electricidade à minha direita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Diante de mim, uma casa velha, muito velha, guardada por uns velhos portões enferrujados e abertos. Não percebo nenhuma luz dentro da habitação, não percebo nenhuma actividade ao meu redor. Dou uma olhada no telemóvel, que me pede paciência… Lentamente caminho em direcção à casa… número 39, até que paro, ao ouvir uns passos ecoar algures perto de mim. Estranho o medo que sinto, apesar de achar que se apropria, uma vez que não sei onde estou, e o cenário não é propriamente agradável… O som aproxima-se, e consigo perceber que vem da escuridão entre a casa número 39 e o prédio à minha direita. Estou parado quase no mesmo sítio onde acendera o cigarro momentos antes, vejo a escuridão dissolver-se e uma silhueta masculina desenhar-se. A cada segundo a sua imagem se torna mais nítida, até que vejo perfeitamente os seus traços indianos, o seu fato impecável e a sua boa imagem diante de mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Boa noite. – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;diz-me, com um cordial sorriso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Boa noite. – &lt;/b&gt;devolvo, menos cordial, imagino. Algo é bastante estranho. Permanece diante de mim, olhando-me nos olhos como se meu amigo fosse, por prolongados e extensos segundos. Quando percebe que não percebo o que quer, atreve-se a perguntar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;É a primeira vez que nos visita?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Isso é certo… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;respondo, com um sorriso divertido, enquanto esmago a beata com o meu calcanhar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tudo bem. Tem o código, então? – &lt;/b&gt;pergunta, com um olhar afirmativo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Que código?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Não tem nenhum código consigo? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;volta a perguntar, com um tom de secretismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Se me dissesse que código era, eu podia dizer-lhe se o tinha ou não… – &lt;/b&gt;respondo, arrogantemente. Começa a irritar-me, o indiano… Não sei se por perceber esta irritação, o homem faz uma pequena vénia, pede desculpa, dá meia volta e começa a afastar-se. Não percebo. Que código?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Vejo as horas no telemóvel. 21h08. O meu olhar não abandona o dispositivo. Ouço os passos a afastarem-se, a misturarem-se na escuridão, e finalmente percebo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Espere! – &lt;/b&gt;ordeno. O homem para mas, não sei porquê, permanece de costas. Tiro a minha carteira e da mesma vejo o bilhete lilás. 371293. Aproximo-me do indiano e solto o número. Ele volta-se, olha-me nos olhos por um segundo, e no instante seguinte o seu olhar adquire um rosto pensador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Queira acompanhar-me, por favor. – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pede, mantendo a sua cordialidade enjoativa. Di-lo sem se voltar e começa a caminhar em direcção à escuridão. Quando os meus olhos se habituam ao negro em que imergiram, vejo mais um portão pertencente à propriedade da casa número 39, na parte lateral, este já em melhor estado. Para minha surpresa, o indiano abre o mesmo portão e entra. Não faço a mínima ideia do que se está a passar, e chego a duvidar que Godelieve tenha algo a ver com tudo o que vejo. Hesito. Ele pára e parece-me um pouco irritado. Sem falar, suplica com o olhar que continue a acompanhá-lo, ao que acedo. Percorremos um caminho de azulejos partidos, dividindo um jardim notoriamente desconsiderado, de onde nada me surpreenderia ver um qualquer felino aparecer, até que estamos perante uma escadaria que nos transporta para uns quantos níveis abaixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Ao descermos o lance de escadas, vejo diante de mim uma porta de madeira. O estado é tão lastimável que não compreendo como Godelieve escolheu este sítio para o nosso encontro…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Porém… Por mais que treine a minha mente para estar preparada para o inimaginável, tenho estes esporádicos deslizes que apenas me fazem rejubilar com a surpresa materializada. O indiano tira uma enorme chave do bolso, que usa para abrir a porta e me apresentar o brilhante cenário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Foi algo estranho, dado o contraste entre tudo o que poderia (não) imaginar e o que realmente vi. Diante de mim vi um surpreendentemente amplo salão a meia luz, carregado de fumo e leve música, e um sem número de estranhos compartimentos, divididos por biombos de pano púrpura. Estando ainda uns degraus acima do nível do salão, tinha uma visão abrangente da estranha sala. No meio um estreito corredor, de cada lado duas filas de compartimentos com cerca de 3 por &lt;st1:metricconverter productid="3 metros" st="on"&gt;3 metros&lt;/st1:metricconverter&gt;, e cuja porta parecia ser uma mera cortina de tecido. Ao contrário do pano que revestia cada compartimento, as cores das cortinas variavam imensamente, mas escorregando com o olhar até ao fundo, e vendo uma cortina lilás, algo que disse que me levariam até ali.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Sem saber para onde desaparecera o indiano, tenho outro diante de mim que, da mesma, forma, não sei de onde apareceu. Tem um sorriso simpático e pergunta-me o código. Volto a retirar o pequeno papel do bolso, e lanço, mais uma vez, o número de seis dígitos que até ali me trouxera. O olhar da pessoa que tinha à minha frente adquire uma efémera expressão de pensamento, até que solta um “concerteza” e me pede para o seguir. Não me tinha enganado, e dirigíamo-nos para o compartimento de cortina lilás, cujo número era… 13. Pelo caminho tentei, discretamente, ultrapassar os finos tecidos com o olhar, mas o que via eram apenas vultos, aparentemente sentados. Confesso que me passara pela cabeça cenas escaldantes de sexo, numa espécie de orgia à distância… Cada compartimento parecia ter um casal, até que, ao chegar ao compartimento número 13, descubro o primeiro onde apenas uma pessoa existia…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;O indiano limitou-se a guiar-me até à porta do mesmo, desaparecendo sorrateiramente de seguida. Sem saber o que me preparava para ver, respirei fundo, e mergulhei os meus dedos no desconhecido. Vi Godelieve que, com um vestido preto, um marcado mas ainda assim subtil risco da mesma cor nos olhos e com seu cabelo impecavelmente amarrado, me esperava. Estava a uns metros de mim, chamando-me com o seu sorriso. Estava sentada a uma mesa vestida com uma toalha branca e adornada por uma vela ardente, da mesma cor do seu vestido, e isso deixava-me a pensar se estaria num clube, num estranho bar, num restaurante, ou ainda num outro qualquer local cuja categoria me escapava… O som que me chegava era sedutor e situava-se algures entre a estranha fronteira entre o Jazz e Blues, como não podia deixar de ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Boa noite! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;cumprimenta-me Godelieve, quando me aproximo da mesa. Reparo que me sinto constrangido com a maneira como a cumprimentar, algo em que não tinha pensado. Tendo passado aquela cortina, por um lado sentia-me a milhares de quilómetros de todas as outras pessoas que habitavam o mesmo salão, mas por outro lado o suave murmúrio das suas vozes actuavam como o constante relembrar da ameaça que era um olhar atrevido… Todavia, após me sentar, Godelieve levanta-se, dá um passo na minha direcção, senta-se no meu colo. Cruza as pernas, e a sua saia abre-se de maneira que me permite vislumbrar as suas magníficas linhas quase até à cinta. Sinto-me repentinamente quente por dentro, e quero tocar-lhe. Eventualmente entretida com os meus conflitos, a minha diva pega, com a sua mão esquerda, na minha mão direita, e assenta-a sobre a sua coxa, carimbando o momento com um longo beijo nos meus lábios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Já te explico onde estás, meu querido… – &lt;/b&gt;solta, finalmente, trazendo alguma luz sob todo o mistério que toldava a minha mente. Sorrio inocentemente, manifestando o quão perdido me encontrava. Godelieve volta a sentar-se, e aponta com o olhar para o meu maço de tabaco, de onde tiro um cigarro para cada um de nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Sempre é uma boa alternativa ao Vrijheid, diz lá… – &lt;/b&gt;sugere, após a sua primeira e longa passa no cigarro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Parece-me ser. Se ao menos soubesse onde estou… – &lt;/b&gt;confesso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não sabias deste sítio, pois não Theodoor? – &lt;/b&gt;a pergunta é retórica – &lt;b style=""&gt;Diz-me tu onde estás… Não reparas em nada no ambiente, no que te rodeia?... – &lt;/b&gt;pergunta, desta feita visando uma resposta. Com dificuldade, o meu olhar abandona a sua figura crava-se nas frágeis paredes que nos rodeiam, atravessando as mesmas e atrevendo-se a imaginar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Vejamos… imagino que apenas casais aqui estão… imagino que esses casais estão estranhamente compenetrados um no outro… vejo… – &lt;/b&gt;estranho – &lt;b style=""&gt;vejo que os empregados… são todos indianos?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Exactamente. E que te diz isso? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Que estamos na Índia?... – &lt;/b&gt;respondo, sarcástico e divertido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Tudo bem. Já foste perspicaz o suficiente… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;parece-me ver alguma desilusão. Mas que quer, como posso fazer ideia de onde estou?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tu estás no… chamemos-lhe assim… tu estás no antro dos infiéis de Westland… – &lt;/b&gt;solta, entre mais uma passa do cigarro, com um sorriso que anseia descortinar o meu…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-5042738624622608134?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/5042738624622608134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=5042738624622608134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5042738624622608134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/5042738624622608134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/07/godelieve-4-9.html' title='Godelieve 4-9'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-8150979397031786590</id><published>2008-07-15T09:42:00.000+01:00</published><updated>2008-07-15T09:43:03.264+01:00</updated><title type='text'>Só</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Ter alguém comigo seria bom. Olho ao redor, e vejo os outros com algo que não tenho para mim. Pessoas riem, conversam, e eu rio, eu converso. Mas este pensamento, e este estranho sentimento de solidão permanece dentro de mim, a relembrar-me da sua existência, da minha existência… solitária. Saio para fumar um cigarro. Olhar à volta e ver apenas caras a sorrir fazia-me sentir como a parte errada num momento Kodak.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Acendo o cigarro e viajo para trás.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tudo, e tu? – &lt;/b&gt;minto, a alguém que passa com três canecas de café na mão e me pergunta como estou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Dou uma passa e viajo para trás. É-me difícil assimilar este sentimento de solidão. Sinto-me destreinado, como um menino que se esqueceu como se lê determinada frase. Não me sinto bem, e não tenho ninguém a visitar-me. Apenas a soma destas duas frases me permite perceber que aquilo que sinto é solidão. Quando tento explicar,… ou quando tentava, quando ainda no sub-mundo, explicar a alguém o que era isto de não saber o que se sente, ninguém me percebia. E eu não percebia o porquê de não perceber o meu interior. Muita heroína a destruir as percepções de emoções, muita ressaca a destruir a vontade de as ter. Agora sei, ou começo a saber, que antes da heroína, veio a dor, e antes da dor, não veio nada. Apenas eu apareci para a abraçar e a deixar dentro de mim. Cego, pensei que algo que escondia a minha dor me traria alguma paz. Cego, percebi que me deixou a &lt;st1:metricconverter productid="4 cent￭metros" st="on"&gt;4 centímetros&lt;/st1:metricconverter&gt; do abismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;O cigarro acaba e tenho de voltar para dentro. Olho o céu. Está bonito. Não está frio, e por isso liberto-me da minha camisola. Este sou eu, e nada mais. Rodo nos calcanhares e vejo a porta que me trará de volta a uma espécie de mundo real que, espero, um dia me receberá como um igual…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-8150979397031786590?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/8150979397031786590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=8150979397031786590' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8150979397031786590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/8150979397031786590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/07/s.html' title='Só'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-7984999734467103399</id><published>2008-07-09T16:19:00.001+01:00</published><updated>2008-07-09T16:19:44.072+01:00</updated><title type='text'>Which Witch?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Lembro-me como se fosse hoje. Era Fevereiro, o termómetro apontava 7 graus negativos, e estava um nevoeiro como nunca tinha visto. Contudo, para um Fevereiro Norueguês, este estava a presentear-me brandas noites. Trabalhava numa Comunidade Terapêutica, ajudando pessoas a libertar-se da prisão que é o mundo da droga. Vivia com eles, na mesma instituição, e tinha o hábito de dar uma corrida por dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Mas nesse dia atrasei-me. Atrasei-me e não pude correr à hora do costume. Veio o jantar, e duas horas esperei, para a comida assentar. Entretia-me à procura de emprego, viajava de site em site, até ver a hora de ir correr chegar. Porém, quando chegou essa hora, o sol tinha-se já posto. Vivendo tão no meio de nada como vivia, via o meu percurso habitual de corrida completamente imerso numa nuvem, sendo a única fonte de luz uma lua cheia, que brilhava lá no alto, ajudando um pouquinho. Decidi ir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;A cada passo, mais me emergia na escuridão. O nevoeiro era tão denso que conseguia apenas ver uns poucos metros à frente, e as ilusões ópticas abundavam. Corria pelo meio dos campos, olhava à volta, pouco via, olhava para a frente, e via uma muito subtil sombra da floresta que atravessaria. Ouvia Sigur Rós, que fazia com que todo aquele ambiente entrasse em conluio com os meus atrevidos pensamentos, e sentia estar a correr dentro dum sonho. Não de tão bom que era, mas por parecer, realmente, um sonho que vivia, mas com consciência. Não me belisquei, pois a certeza que era a realidade, existia. Continuava a correr, e mergulhei na floresta digna dum conto dos irmãos Grimm.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Passo ante passo, o coração a bater, dou uma curva à direita, tentando ter cuidado para não escorregar nas esporádicas poças de gelo que (já não) me surpreendiam. Curva à esquerda, e mais uma ilusão óptica. Lembro-me da tese que tinha feito sobre alucinações, e tenho a certeza estar a confundir um qualquer estímulo real por outra coisa qualquer. Mas não passa. Nasce no meu peito alguma adrenalina, e o ritmo de corrida abranda. Sim, parecia-me um caldeirão... &lt;st1:personname productid="em fogo. Ou￧o" st="on"&gt;em fogo. Ouço&lt;/st1:PersonName&gt; o crepitar da madeira. Não consigo ver nada mais além de dois metros para cada lado, e algo que me parecia um caldeirão… e ouvia o barulho. Seria possível estar a alucinar, em vez de estar a ter uma ilusão? Parei de correr, e permaneci uns segundos. Como sabia que não estava a sonhar, tudo me parecia muito estranho. A adrenalina continuava a arder, mas calma. Fecho os olhos durante 4 segundos, e volto a abrir. A adrenalina dispara. Não só continuo a ver o que via, a ouvir o que ouvia, mas vejo uma sombra diante do caldeirão. Sinto-a rodar, e caminhar em direcção a mim. Queria voltar-me e fugir, mas algo em mim não mo permitia, ficando ali, e cima duma dessas poças de gelo, como que hipnotizado. O vulto aproxima-se e percebo ser uma mulher. Sai de entre as árvores, e está a um metro de mim. É muito velha, mas incrivelmente bonita. Está vestida de preto e tem um chapéu em bico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;-&lt;b style=""&gt; És uma bruxa? – &lt;/b&gt;ouço-me perguntar, em português.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Sou – &lt;/b&gt;responde. Di-lo em norueguês, e percebo pela simplicidade do que diz – &lt;b style=""&gt;Tens fome? – &lt;/b&gt;pergunta. Sinto-me confuso, pois percebo perfeitamente o que pergunta, tenho quase a certeza que o faz em norueguês, e lembro-me que não sei como se diz fome nesta língua… na minha mente tento repetir, mas apenas português aparece. E como percebeu a minha pergunta?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tenho… até tenho…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Então anda comigo. – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;ordena, suavemente. Da mesma maneira, pega-me na mão, e volta a pedir-me que vá consigo. É tudo demasiado estranho e fora do normal para eu fugir. Estranhamente, sinto-me bem. Dou um pequeno pulo para saltar o pequeno fosso que separa o caminho do mato, e vou com ela. Não sei se a sua mão está quente ou fria, mas o que quer que esteja, está muito. Ela caminha, com dificuldade, em direcção ao caldeirão. Curva-se, afunda as mãos no fogo, não se queixa, e tira algo que me parece uma sopa estranha. Não sei onde a põe, mas continua a caminhar. Cada vez mais dentro da floresta, aparece outro caminho, que atravessamos. O nevoeiro vai-se dissipando, mas de certa forma que me permite continuar a vê-la, e apenas a ela. A sua casa é velha, muito velha, como as casas das bruxas devem ser. O portão range, naturalmente, ao abrir, e a porta da casa igualmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Sentamo-nos na cozinha, velha, muito velha, onde uma lareira acesa nos aguarda. Assim como não sei onde armazenara a sopa que tirara, não sei de onde a tirou agora, e como veio parar a uma tigela, que me espera, a fumegar, cima da mesa com uma toalha velha aos quadrados. Senta-se à minha frente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Que tens para mim? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunta, &lt;st1:personname productid="em noruegu￪s. N￣o" st="on"&gt;em norueguês. Não&lt;/st1:PersonName&gt; me assusto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não sei… – &lt;/b&gt;respondo, em português – &lt;b style=""&gt;E tu, que tens para mim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Não sei… acho que te posso mostrar como vais morrer… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;sugere, descansada, antes de enfiar a colher com a sopa na boca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- És a bruxa do Big Fish? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;sinto a minha pergunta estúpida, mas tenho que a fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não, filho… Isso é só um filme. Quem sabe inspiraram-se em mim… – &lt;/b&gt;graceja – &lt;b style=""&gt;Mas queres saber ou não? – &lt;/b&gt;experimento a sopa que, apesar de não saber de que é, me sabe incrivelmente bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;A sopa é de quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Não é de criancinhas, não te preocupes… é de muita coisa… mas estás a fugir à pergunta, filho. Queres saber?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Posso responder antes de ir embora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Quem te disse que vais embora? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;mais um gracejo. Tem sentido de humor, para uma bruxa. Comemos a sopa em silêncio, e pergunto-lhe como se tornou uma bruxa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Eu não me tornei uma bruxa… nunca foi a minha profissão de sonho…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas… é uma profissão? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;interrompo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Estou a brincar, filho. Tenta acompanhar… Como dizia, eu não me tornei uma bruxa. As pessoas é que me foram tornando uma bruxa…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Como assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Nem sei, filho… Pelo facto de ser diferente de toda a gente desde o momento em que nasci, pelo facto de me dar muito bem sozinha, as pessoas foram-me afastando, e criando estórias acerca de mim. Talvez por acharem que me dava bem sozinha, e que era independente, que não precisava de ninguém… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- E precisavas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Na altura precisava, sabes… Quem é que não precisa de ninguém? Na altura precisava. Não era por ser independente que não precisava de ninguém. Mas depois das pessoas te colocarem um rótulo, é muito difícil escapar. Muito mesmo. As pessoas quando te dão um rótulo, agarram-se às crenças que têm… e se fazes algo que vai no contrário do que pensam, como eu fazia, quando tentava falar com alguém, ou ter amigos, elas assustam-se… Chega a uma altura em que deixas de tentar… Claro que nasci com um ou outro talento, mas só depois de me rotularem como bruxa, tive de aceitar, não o que sentia ser, mas o que as pessoas me faziam sentir ser… Se calhar foi aí que me tornei uma bruxa…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas estás a falar comigo! Sou diferente? Porque é que tentaste comigo? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunto, intrigado. Cruzo a perna e dou um gole do café, que tanto se bebe por terras escandinavas, e que apareceu misteriosamente na mesa da cozinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Filho… – &lt;/b&gt;diz, mexendo o açúcar do seu café, que segundos antes eu não sabia onde estava – &lt;b style=""&gt;Eu estou a falar contigo… para te comer!! – &lt;/b&gt;diz, tentando imitar o lobo mau. Vislumbro uma fileira de dentes perfeitamente alinhados…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Está bem que não estás habituada a ter companhia, mas tens de treinar as tuas piadas… – &lt;/b&gt;interrompo, estranhamente descontraído, achando-me o máximo por estar a fazer uma piada dizendo que as suas piadas são más.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- É, talvez tenhas razão… &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;– responde – &lt;b style=""&gt;Bem, como dizia… Eu estou a falar contigo, meu querido, porque estás a sonhar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Não estou! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;respondo, quase chateado. Apercebo-me que a razão pela qual estava chateado, era que não queria que aquilo fosse um sonho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Estás sim, lamento. Experimenta beliscar-te… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;assim o experimentei, e solto um leve grito de dor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Agora apanhei-te! &lt;/b&gt;– ri, a bandeiras despregadas – &lt;b style=""&gt;Estás a sonhar, como te disse, mas é claro que sentes dor nos sonhos! – &lt;/b&gt;sim, desta vez apanhou-me.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Mas existes mesmo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Sim, existo. Mas não aqui no sítio para onde te guiei. Queria que me visses neste ambiente porque é o mais fascinante para as bruxas viverem… na verdade vivo num condomínio fechado em Bergen… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;vê os meus olhos arregalarem-se, mas a voltarem à posição normal, quando percebo, sem me explicar, que está a brincar. Percebe que percebo – &lt;b style=""&gt;Vivo num local parecido com este, mas que não é &lt;st1:personname productid="em Mysen. E" st="on"&gt;em Mysen.  E&lt;/st1:PersonName&gt; decidi falar contigo no teu sonho, porque se me repudiasses, não me sentiria mal com isso, pois… tinha sido só um pesadelo teu. Mas revelaste-te um jovem muito simpático! – &lt;/b&gt;coro – &lt;b style=""&gt;Sabes… quando estás habituado a ser repudiado, crias o teu próprio mundo, onde aí tudo é teu e tudo está sob controlo. Porém, quanto mais tempo passa, mais te habituas a ele, e mais medo crias em relação a falar com outras pessoas. E ganhas estranhos hobbies, como eu fiz com a bruxaria. Coisas que te mantenham ocupada e que não te façam pensar na solidão cruel que vai dentro de ti. E habituas-te.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas… as pessoas diziam que eras uma bruxa… tu dizes que não eras… no entanto, estás no meu sonho… isso não é bruxaria?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Sim, sim, ok, admito… mas é como te digo. Fica difícil demais lutares contra aquilo que dizem que és, e vais perdendo forças, não importa o quão forte sejas, e entregas-te, como disse, não ao que sentes, mas ao que te fazem sentir…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas já pensaste que podes apenas ter tido azar com as pessoas que conheceste?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Já pensei muitas vezes nisso, mas também já não-pensei nisso outras tantas… quando toda a gente que conheces diz o mesmo… claro que a informação pode simplesmente ter passado de pessoa para pessoa… mas a dada altura cheguei à conclusão que se o ser humano é alguém tão estúpido ao ponto de confiar mais em informações estúpida e indirectas acerca de outras pessoas… sem sequer lhes dar uma hipótese… então os seres humanos talvez não valham muito a pena conhecer…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas quiseste conhecer-me… &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;– digo, fazendo o Porto que magicamente apareceu na minha mão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Quis conhecer-te, porque tu nunca ouviste de mim. Porque soube de ti, e que estavas aqui há pouco tempo, e pensei em experimentar falar com alguém que não conhecesse nada de mim. Pois se fosses daqui, serias exactamente igual, meu querido… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;fico em silêncio, a pensar. Seria eu, realmente, “igual”. E estaria esta opinião acerca dos seres humanos tão acertada assim? Pensava no quão facilmente corrompível é, de facto, a mente humana. Tantas vezes que nos entregamos a preconceitos, a estereótipos, não querendo saber por nós, mas encostando-nos ao conforto que é ver a informação, por mais estúpida que é, chegar até nós, e aceitar qualquer juízo, quem sabe condenando as pessoas a ser catalogadas com imagens que não são as suas… e todos fazemos isto… e todos criticamos quem faz isto. Que estupidez. De certa forma, criticamo-nos a nós próprios, mas sem coragem de os fazer directamente, preferindo criticar tudo o resto, ignorando o facto de que também nós… nos incluímos nesse resto… Levanto-me.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Eu quero conhecer-te na VIDA real! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;ordeno. Ela levanta-se. Está à minha frente. À nossa volta uma imensidão de gelo. Estamos no meio dum enorme lago congelado. Sinto a sua pele rejuvenescer lentamente, e vejo diante de mim alguém que sei, que tenho a certeza saber quem é, mas a quem a minha mente adormecida não me deixa aceder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Filho, tu não me podes conhecer na VIDA real, porque eu não existo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Como assim? Mas disseste…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Pois menti… eu não existo, porque eu sou apenas o materializar que o teu cérebro conseguiu fazer das tuas próprias questões… não reconheceste de lado nenhum o humor foleiro? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;ouço-a dizer, não me acreditando na informação que chega até mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Mas… o facto de seres uma bruxa… isso tem algum significado escondido, então? – &lt;/b&gt;estou confuso – &lt;b style=""&gt;Eu sinto-me bem com o que penso, ou sinto, não preciso de o esconder num canto escuro no meio da floresta… ou tenho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Isso, filho, é o que tu tens de descobrir!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-7984999734467103399?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/7984999734467103399/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=7984999734467103399' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7984999734467103399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7984999734467103399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/07/which-witch.html' title='Which Witch?'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-4212225525562485147</id><published>2008-06-29T17:30:00.000+01:00</published><updated>2008-06-29T17:31:28.456+01:00</updated><title type='text'>Godelieve - Cap 41-48 [muita coisa mesmo, mas tinha de postar]</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;LXI&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Amigo… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;começa Arie. Estamos a sair do restaurante. É meia noite, as ruas estão desertas e, não conhecêssemos nós melhor esta cidade, pareceria ser o final duma promissora noite – &lt;b style=""&gt;Nunca pensei dizer-te isto… mas estou completamente apaixonado por ti! – &lt;/b&gt;oferece-me, com um sorriso radiante – &lt;b style=""&gt;Tu és completamente estúpido! Tu ouviste o que disseste ao Ruud. “O” Ruud! Que tomates pá! Claro que tenho pena que hoje seja a última noite em que te vejo com VIDA, mas ainda assim… parabéns! – &lt;/b&gt;o seu tom é de gozo misturado com euforia. Acendo um cigarro e caminhamos estrada fora, com o Blues Bar como objectivo. Penso na excitação de Arie, e na maneira como não a sinto dentro de mim. Ao invés, sinto um misto de paz e loucura habitar o meu corpo, descansando na minha mente. “Porque é que não fiz isto há mais tempo?”, ocorre-me. Por um lado, ainda bem que não. Mas esse… lado… é muito específico, pois refiro-me a que, se o tivesse feito há mais tempo, talvez não fosse convidado para a festa onde a minha VIDA começou a mudar. Mas por outro lado, tinha-me poupado de um monte de hipocrisias e situações desconfortáveis. Claro, claro que podia ter simplesmente dito ao verme que não estava, nem nunca estaria, interessado em entrar para a sua lista, e que se me voltasse a convidar poder-nos-íamos chatear… Mas francamente… Qual é a piada disso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Dei as 300 Repúblicas como quase perdidas, pois apesar de ter voltado a ouvir Jazz, não era bem Jazz, mas mais uma das tantas tentativas frustradas de fazer soar a novo, algo que tem de soar a velho. Poucos conseguem, sendo a minha amiga sueca Lisa das únicas… Apesar de por vezes abusar um pouco. Enfim, nada é perfeito neste mundo imundo. Pois tendo dado as Repúblicas como quase perdidas, permanecia em mim a vontade de continuar a beber, com o meu caro e complicado amigo, ao som de algo que soasse a velho. O Blues Bar, cujo nome não prima pela originalidade, tinha a espectacular característica da sua música ser, ou ao vivo, ou proveniente duma grafonola. Muito à velha guarda, como um bom bar deve ser. Por vezes quase aplaudia a resistência do governo face às novas modas globais, que tendem a tornar os diferentes cantos do mundo como meras divisões da mesma casa...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Chegamos ao prédio cuja cave alberga o bar destino. À nossa frente um portão de ferro azul claro contaminado quase na totalidade pela ferrugem insistente. Abrimos o portão, entramos, tudo é muito escuro, sendo a única luz que nos chega muito ténue, proveniente duma pequena janela, algumas escadas abaixo. O bar, apesar de com o conhecimento de muita gente, funcionava de forma ilegal. Nunca percebera… ou melhor, nunca quis perceber se tinham algum acordo com alguém no governo, na polícia e se sim, que acordo era. Mas o que é certo era que, apesar de para uma clientela algo seleccionada, o bar funcionava para lá das prontas horas a que muitos dos restantes fechavam. Batemos à porta, dona dessa pequena janela que nos fazia adivinhar actividade interior, e vemos uma pequena porta, dum vidro espesso, atrás dessa mesma janela, se abrir. Dá lugar a um par de olhos aparentemente femininos, cansados, e muito velhos. Procura um outro olhar conhecido, e pára no meu. É impossível saber se sorri, mas a porta abre-se, e vemos o interior dumas das pérolas da cidade. É completamente sem estilo, e talvez seja isso que o faz tão interessante. O chão, apesar de sempre plano, ora é de alcatifa, de tacos, ou de pedra. O mesmo acontece com as mesas, os candeeiros, o balcão. Ao entrarmos e pousarmos os casacos, sentimos cada olhar pregado na nossa nuca, mas apenas por alguns instantes, voltando cada pessoa para as suas conversas, para as suas bebidas. Tenho dificuldade em ver uma mulher que seja, senão a senhora que, curvada se arrasta até ao balcão e tira dois copos. Bebamos nós os que bebermos, os copos serão aqueles. No meio, numa pequena mesa de madeira escura, uma grafonola faz soar Nina Simone. Belo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sentamo-nos ao balcão e pedimos dois whiskeys. Sinto o entusiasmo de Arie.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Pá já tinha ouvido falar deste sítio, mas nunca aqui tinha vindo. Costumas cá vir? – &lt;/b&gt;pergunta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;De vez em quando… – &lt;/b&gt;respondo, arqueando os ombros, o que acaba por ser mais esclarecedor do que a frase. Ainda se queixa um pouco por, em tantos anos, ser a primeira vez que ali vamos, mas dou pouca importância. Não me apetece falar muito. Na verdade, penso se não preferiria, neste momento, que Arie fosse para casa, e me deixasse como companhia apenas Nina Simone, algum whiskey, e os meus pensamentos antecipatórios do dia seguinte. Estar com Godelieve. Estar com aquela mulher que conseguira, momentos antes, permanecer tão estática quanto uma simples fotografia, perante o seu apaixonado, e especialmente, perante as palavras do mesmo. Não sei se quero falar com ela acerca desta noite. Mas, da mesma forma, não sei se não quero…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;E amanhã, como vai ser? – &lt;/b&gt;pergunta-me Arie. Falava dum qualquer assunto que se prendia com alguma coisa. Não sei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Não sei amigo… Disse-lhe para aparecer no Vrijheid, mas não lhe disse horas nenhumas, pelo que muito provavelmente, dei-lhe o poder de decisão. Não a estou a ver a jogar pelo seguro e aparecer cedo… – &lt;/b&gt;verdade…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;E depois?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Depois o quê? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunto, mais para mim do que para si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Depois vão para onde?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Tens razão… Ainda não pensei nisso. Foda-se e da última vez em que estivemos juntos, e na vez anterior, foi tudo perfeito… Foda-se nem sei o que vou fazer… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;respondo. Queria ter pensado &lt;st1:personname productid="em algo. Por￩m" st="on"&gt;em algo. Porém&lt;/st1:PersonName&gt;, não me sentia desesperado em descortinar o que fazer. Quem sabe pelo álcool que tinha bebido, quem sabe com a autoconfiança ganha através do episódio no restaurante, quem sabe… por ser este novo eu que teima em me surpreender a cada minuto com novos sentimentos e maneiras de estar… não me sentia desesperado. Esse sentimento muito me conhecera em alguns momentos nos passados dias, em que via tão longe os milésimos de segundo em que teria Godelieve do meu lado. Milésimos de segundo, não mais. Um piscar de olhos, entre uma ou duas respirações, e tudo se passa, passando cada bater do coração a fazer-se sentir como duas estações fossem… Assim é a VIDA, e não há nada que possa fazer. E que bom…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XLII&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Acordei tarde. O relógio mostrava uns sorridentes minutos para lá da uma da tarde. O desespero que não sentira na noite anterior permanecia discreto, como se eu tivesse ficado subitamente imune a sentimentos antecipatórios desagradáveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ligo a aparelhagem, e John Coltrane soa por todo o apartamento, quem sabe se por mais alguns ao redor. Tiro um Dunhill, e vou à varanda, sentindo, ao fumar, o Vento quente e cansando suspirar por toda a cidade. Não sei se sorrio, mas sinto um latente sorriso povoar a minha reflexão. Daqui a umas horas estarei com Godelieve. Penso se terá alguma surpresa a manga, como deixar um bilhete no bar a dizer-me para ir ter a algum lado… não seria novo. Penso se me importaria. Não. Não tenho nada mais a não ser aquilo de que me lembre no mesmo instante em que os meus olhos beijem os seus, pelo que uma elaborada surpresa sua seria algo que não rejeitaria. Penso novamente. Muitas das suas surpresas não são parcas em sentimentos semelhantes ao que referi algumas linhas antes… e não me apetece sentir que ainda vive, esse amigo a que chamo de desespero…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Encolho os ombros, volto para dentro. Abro o frigorífico, e uma garrafa de champanhe olha para mim com olhos matreiros. Fico no mesmo sítio por alguns segundos, tentando recordar-me de quando ali a deixei, mas não consigo saber. Tenho diante de mim duas opções. Sabendo que a verdadeira eventua… certamente será a que me diz que o devo ter feito quando bêbedo, não me importo de pensar, divertido, no quão longe Godelieve conseguiria ir, chegando ao ponto de entrar em minha casa e ali deixar o elixir, pensando em tudo… Sim, já agora, porque não?... Estou no chuveiro quando penso que, se a trouxer para minha casa, se não se importar de ter mais uma dado que seja acerca de quem eu sou, talvez possa tomar a iniciática de espontaneamente um dia aqui aparecer… Sim, quero-a aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Apesar de tudo, apesar de ter-me lembrado de tal opção tão em cima da hora, quero que pareça que tenho tal encontro em mente desde o primeiro instante, pelo que, numa correria algo desorganizada, tento organizar os cantos da habitação, fazendo-a ganhar um ar mais digno do repouso dum sedutor… A tarefa revela-se árdua mas nada que com uma boa música, um copo de whiskey em jejum a acompanhar e umas pausas estudadas para fumar um cigarro, passe dificilmente. Tomo o meu segundo banho, e sinto-me um pouco tonto. Não preciso de olhar para o copo de whiskey vazio para perceber o porquê. Por vezes, por menos que beba, sinto imediatamente a nuca a avisar-me que se avizinha festa. Acontece, como digo, muito raramente, mas acontece…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;No espelho do elevador vejo a imagem que me chega. Adoro este contraste de décadas que temos em Hetwestenland com o resto do mundo. Foda-se é a segunda vez em dois dias que digo apreciar uma política nacional. Mas… que dizer, é a verdade. Posso dizer que gosto de alguns resultados, ainda que deteste os meios… Na verdade, este contraste com o resto do mundo deixa-nos a nós, cidadãos, como se sentindo num filme dos anos 40, se repararmos com atenção na maneira como nos vestimos, como falamos uns com os outros, como nos divertimos. A música parou no tempo, o vestuário esticou a sua VIDA, o trato não perdeu carisma. Olho então no espelho, e sinto-me bem por ser alguém como sou. Sinto-me como nunca me senti quando vivia a minha VIDA de outros tempos, a minha VIDA de formiga num quente formigueiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Como que para comprovar a minha teoria há muito tempo descoberta, ou pensada, por toda a gente, ligo o rádio e escolho, aleatoriamente, uma estação. Charlie Parker, parece-me. Pois claro. Quando estaciono, um pouco longe do café, preparo-me para o desconhecido. Imagino que aparecerá, mas não tenho a certeza. Não tenho a certeza se esperarei, mas não posso imaginar quanto eventualmente terei de o fazer… Saio do carro, reparo nas ruas, não tão visitadas por mim durante o dia, cheias de gente, cheias de motas, essas sim, do século passado, cheias de brancos em fatos e de locais a vender artigos. No que a esta política diz respeito, posso dizer que me enoja não só o processo, mas claro, o resultado. As diferenças de privilégios entre os brancos e os locais é algo inimaginável. Daí que estes cada vez mais se segreguem, sendo Hetwestenland o país do mundo com cidades exclusivamente para locais… enfim. Arie, por exemplo, não o percebe, nem mesmo quando lhe pergunto qual o mal deles terem cidades para “eles”, quando nós temos o país para “nós”…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E assim, apesar do estacionamento ter sido, como disse, longe, com estes pensamentos demoro apenas dois segundos a estar frente ao bar. Começa mais uma etapa…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XLIII&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Não sei, meu querido… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;responde-me. Porque não sabe? Quero que saiba, pois se o souber, eu saberei, e a facilidade em suportar os dias de espera torna-se, quem sabe, mais tolerável. Da mesma forma, se eu souber, posso, pelo menos tentar, encurtar essa distância. Levanta-se, e passeia nua. Reparo que se arrepia, mostrando-me que não sou o único a sentir a diferença de temperatura entre a noite e a tarde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Vais ter de saber… – &lt;/b&gt;surpreende-se. O seu sorriso é matreiro, e o seu olhar diz-me que me sente, nesse instante, da mesma forma… matreiro. Talvez simplesmente não esteja habituada a ouvir-me assim autoritário. Na verdade, não está habituada a ouvir-me, seja de que maneira for. Os nossos encontros esporádicos permitem tudo menos a criação de hábitos… estes apenas acabam por residir na distância, nos sentimentos. Estou habituado a ter Godelieve longe de mim, estou habituado a sentir-me com vontade de a ter por perto. Mas não estou habituado a realmente tê-la… Investiga o que vê ao seu redor e volto a deitar-me completamente, vendo apenas o tecto cru. Ouço os seus passos, suaves, ora se aproximando, ora se escondendo, até que sinto o colchão ceder um pouco. Pousa cada joelho em cada lado do meu tronco e, sem eu deslocar o destino do meu olhar, este muda, tendo como paisagem a sua face. As suas mãos aterram no meu peito, e deslizam um pouco, com as unhas a deixar uma gentil recordação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Vejamos… Vou escolher continuar a não saber, mas vou deixar-te um pouco mais confortável, deixando-te com… algum conhecimento… – &lt;/b&gt;diz-me, enigmaticamente – &lt;b style=""&gt;Não te digo quando vai ser, mas posso dizer-te que vai ser o intervalo mais curto que tivemos… – &lt;/b&gt;o receio que tinha do que ouviria dissipa-se, deixando-me descansado, animado. Imagino, então, que a próxima vez que a veja seja dentro de uma semana. Sinto-me livre das típicas preocupações, das vezes em que desloco a minha atenção de Godelieve, deixando de me massacrar com o tempo que esperarei para a ver de novo, e sentindo-me em pleno para aproveitar cada segundo da sua presença.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando chego ao Vrijheid, não me espanto ao perceber que Godelieve não me espera. Sento-me, peço um Jack Daniels, e com o mesmo, o empregado traz-me um papel. Sinto-me subitamente despertado ao perceber que é da mesma cor que o primeiro que, certo dia, encontrei à minha espera no mesmo bar, com um pedido. Não o leio de imediato. Pouso-o na mesa de madeira com a informação a assentar na mesma, e tomo o meu tempo com o whiskey. Porém, ainda que não tentando ler o que tenho diante de mim, o meu olhar escapa e cola-se ao bilhete lilás, fazendo-me pensar em quantas horas terei de esperar, ou onde terei de ir…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Alguns minutos depois, o copo está vazio, e eu estou mais perto de não assim me sentir. Pego no bilhete, e vejo uma morada. Leio uma vez, duas vezes, e percebo, com admiração, que a morada… é a minha morada. A minha morada? Leio de novo, apenas para confirmar o que já sabia. Peço outro whiskey, e encosto-me para trás, pensando no quanto isto me apanhou desprevenido. Claro que, apesar de pensar que Godelieve seria bem capaz de fazer algo assim, nunca pensei que fosse capaz de fazer algo assim. &lt;b style=""&gt;“Incrível” – &lt;/b&gt;a única coisa em que consigo pensar. No entanto, à medida que vou bebendo, sentido o travo prazeirosamente amargo da bebida, vou caindo um pouco na realidade, ficando apenas com a surpresa que sabe onde vivo, deixando de lado a surpresa de que me espera na minha própria casa, sendo que tal não é possível. Concerteza me esperará no hall, com um sorriso e uma promessa de bons momentos. Sim, de certeza…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Pago a bebida, e deixo o bar. Queria ser eu a escolher onde nos encontraríamos. Escolhi, e vamos encontrar-nos onde escolhi, mas não por minha opção. Sinto-me um peão no seu jogo, sem qualquer parecer nas suas decisões, e a indecisão que sinto quanto ao que sentir acerca disso deixa-me confuso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;A viagem escapa-se em breves instantes, e estou em frente ao meu prédio. Entro, procuro por si no hall, não a encontro. Saio novamente, fumo um cigarro, ela não aparece. Começa a nascer em mim, a par de algum nervosismo face a sua ausência, a ideia de que possa estar, realmente, em minha casa. Mas como? Tiro do bolso o bilhete lilás, que leio pela enésima vez, e presto atenção a esse pormenor que é o facto da morada ser precisa ao ponto de ter o número da minha porta… &lt;b style=""&gt;“Bem…”&lt;/b&gt;…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Eis que me encontro no mesmo sítio onde me encontrava poucos momentos antes… Espero um pouco, não ouço nada. Abro a porta, não vejo nada. Não a chamo, limito-me a perscrutar o que me rodeia, na esperança de ver as suas linhas. Passeio na sala, em todo o apartamento, não a encontro. É quando me preparo para fumar um cigarro na varanda que dou por si. &lt;b style=""&gt;“Como é incrível, e fantástico, que me faças constantemente sentir como um personagem dum romance qualquer…” – &lt;/b&gt;penso, extasiado. Está sentada numa espreguiçadeira, bebe algo que me parece um Martini, usa apenas a parte inferior de um bikini laranja, e protege-se do sol com um largo chapéu da mesma cor. Não me viu, não sei se me ouviu. Sorrio e num segundo deixo de me preocupar, ou de pensar em como conseguiu entrar, apenas me concentro no quão deliciosa é, na maneira como me faz sentir. Olho para dentro de mim e sinto-me perto de mim como apenas Godelieve me faz sentir. Na aparelhagem inspiro o som de Diana Krall. Tiro a garrafa de champanhe do frigorífico, duas taças, e levito até si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Isso é uma grande notícia, sabes… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;respondo-lhe, baixinho, deixando o meu olhar abandonar o tecto branco e concentrando-me completamente no seu rosto. – &lt;b style=""&gt;E temos ainda todo o fim-de-semana… – &lt;/b&gt;Deita-se em mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não desta vez… – &lt;/b&gt;ouço-a dizer – &lt;b style=""&gt;Só nos temos por mais um par de horas… desta vez…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XLIV&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;O quê? A gaja&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Não a trates por gaja, por favor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Tudo bem. Mas… estás-me a dizer que ela entrou no teu apartamento? Amigo, não sei em que te estás a meter, mas deixa-me dizer-te que me parece estupidamente interessante, e interessantemente estúpido. Ela é perigosa… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;diz-me Arie. Estamos no Blues Bar, numa noite de Terça-Feira. Bebo um Calvados, ouvimos boa música enquanto lhe conto os pormenores menos reveladores do fim-de-semana. É perigosa? Sei-o bem, como o sei. É perigosa pela maneira como me despertou, como me mostrou sentimentos que já não estava habituado a manejar, como me mostrou que a VIDA poderia ser mais do que aquilo que conhecia. Um perigo que traz consigo simplesmente a natureza de viver e existir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Sim, é… Mas sabes que nem sequer falamos de como lá entrou! Quer dizer… posso pensar que surripiou as minhas chaves. Mas é impossível. Tinha de mas tirar, sair de onde quer que estivéssemos, enquanto eu dormia, copiá-las e voltar! Não, não é possível… – &lt;/b&gt;constato, procurando mentalmente outras opções. Nada me parecia ter cabimento ou sentido. Antes de estar com ela, de a ver sentada na minha varanda, a possibilidade do que efectivamente se verificou tinha atravessado o meu pensamento, e sempre pensei que, caso confirmasse o que pensava, lhe perguntaria como o tinha feito. Contudo, vê-la levou-me, como sempre, para um universo distinto, onde os planos nunca chegam a acontecer, onde tudo se faz e cria ao sabor da ocasião, onde não existo além dos segundos que nos distanciam. Incrível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;O teu porteiro tem a chave? – &lt;/b&gt;pergunta-me Arie, apresentando uma opção desconhecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Tem, mas ela não lha pediu, tenho a certeza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Como é que tens a certeza?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Não faz o estilo dela… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;concluo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quarta-Feira. Acordo a pensar na minha certeza da noite anterior. A minha pequena VIDA junto de Godelieve ensinara-me vezes sem conta que certezas era algo que não existia neste mundo onde apenas vivíamos nós os dois. Ainda assim, imaginava todo o cenário que levaria Godelieve a pedir a chave ao meu porteiro, e simplesmente, não sei porquê, tudo se me afigurava como estranho, sem bater certo. Apesar de, como disse, saber que não posso ter certezas com Godelieve, sei que quando descubro os processos que levaram a um qualquer resultado, ainda que nunca o imaginasse, as coisas fazem sentido e batem maravilhosamente certo. Não, não tinha sido assim. Porque não lhe pergunto? Porque não preciso de saber. É bom conseguirmos manter-nos na escuridão em relação a alguns assuntos. Creio que na maior parte das vezes o fazemos porque morremos de medo do que a resposta pode significar. Todavia, desde há algum tempo atrás, tenho escolhido permanecer debaixo da sombra do mistério em algumas ocasiões, simplesmente porque sim, abraçando o bom que é não tudo saber, a beleza da incerteza. Sabendo tudo, dissecando todos os detalhes da nossa VIDA quotidiana leva à inevitabilidade de ver a nossa existência como uma folha de cálculo, em que temos consciência de tudo o que se passa… Claro que o mais curioso é a ilusão que é olhar para esta folha e julgarmo-nos senhores das nossas decisões, detentores do conhecimento daquilo de que somos feitos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Uma vez entregando-se à realidade que é o simples facto de que nunca nos conheceremos a cem por cento, de que todos os dias nos modificamos, nos transformamos, deixamos de procurar querer saber tudo. Passamos a entregarmo-nos aos sentimentos, a existir de Vento em poupa… Sorrio ao pensar se serão estes mais alguns pensamentos passageiros que assaltam a minha reflexão ameaçando partir. Não sei… Sinto que todo este tempo em que permaneci morto mentalmente, sem pensar nem questionar nada fez com que, subitamente, uma vez que comecei a fazê-lo, a minha mente queira recuperar o tempo perdido, e passam por mim milhares de filosofias, pensamentos… É estranho, e nem sempre fácil de controlar, mas de qualquer maneira, controlo é algo que sinto que não tenho de ter…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ligo a Arie, e ouço os toques caírem na escuridão, não atende. Penso, desta feita duma forma mais despreocupada, que estará com Helga. Escolhi respeitar a cobardia do meu amigo, por mais estranho que isto possa parecer. Talvez o cobarde esteja a ser eu, por estar a ver uma estupidez e permanecer no silêncio. Mas ainda sinto que deve ser ele e apenas ele a mo dizer. Talvez para o confirmar, ligo para a casa da sua amada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Sim? – &lt;/b&gt;atende Adriaan, com a sua voz de menino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Olá filho! – &lt;/b&gt;respondo, efusivamente. Noto a sua alegria, que me recorda que não tenho estado com ele. Sem grandes rodeios, pergunto-lhe quem está em casa, recebendo como resposta “&lt;b style=""&gt;a mamã e o tio Arie&lt;/b&gt;” – já é tio… vai ser difícil para Adriaan mudar de tio para “papá”… Mudo habilmente de assunto, e peço para chamar a sua mãe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Helga, olá, tudo bem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Olá! Sim, tudo bem. Diz?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Estava a pensar se podia ir buscar o Adriaan agora… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;quero, realmente ir buscá-lo, estar com ele. Mas não tem de ser “agora”, posso esperar, não tenho que fazer mais tarde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Hum… sim, mas tem de ser agora? É que agora não dá muito jeito…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Por acaso agora era mesmo perfeito… é que mais tarde tenho umas coisas para fazer… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;respondo, diabolicamente. Quase que vejo os perfeitos contornos duma figura vermelha em cima do meu ombro… Helga toma o seu tempo até responder, e quando o faz solta um seco “ok”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Estou à sua porta dez minutos depois. Helga abre, e vejo o meu rebento correr na minha direcção. Examino com atenção, procurando indícios que me contem se cresceu, se sofreu alguma mudança que eu tenha perdido. Não me parece. Faço por entrar, e não vejo mais ninguém. Confesso que qualquer dos desfechos seria confirmador do papel que Arie almeja alcançar na VIDA de Helga. Se ali estivesse, isso dir-me-ia algo, quanto mais não fosse o simples facto de eu ver com os meus próprios olhos ambos no mesmo local. Como não está, confirma-me, não que ali esteve, mas das suas intenções. Sendo que já sabia que ali tinha estado, pela boca do meu inocente filho, o facto de já não estar revela a sua visita como tudo menos inocente, pois se assim o fosse, não tinha por que desaparecer…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Passei o fim de tarde na alegre companhia de Adriaan, que me mostrava ser a mais eficaz pessoa em retirar os meus pensamentos da silhueta de Godelieve. Pensava na maneira como Helga, nestes últimos tempos, também o fazia, mas duma forma diferente. Diferente pois os meus pensamentos não mudava tanto de pouso, mas simplesmente eram agitados, divididos, confundidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Helga, mulher das duas faces, uma a mesma de sempre, a outra a de nunca, voltaria a me surpreender nesta mesma noite. O seu toque voltaria a ser necessitado, os seus olhos voltariam a ser observados, a sua VIDA voltaria, ainda que por uns breves segundos, a respirar…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XLV&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Salto No Tempo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Nunca me chegaste a dizer como entraste em minha casa… – &lt;/b&gt;pergunto-lhe, não procurando necessariamente uma resposta. A curiosidade fazia-se sentir, não digo que não, mas o sentimento de não saber talvez seja mais prazeiroso que o satisfazer duma necessidade de conhecimento…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Pois não, tens razão… – &lt;/b&gt;responde, sem mais nada dizer. Estamos em sua casa. Não percebi muito bem como combinamos que fosse Godelieve a decidir o nosso destino nesta noite, sendo que da última vez, apesar de termos feito o que eu tinha planeado, sinto que não foi por minha decisão. Penso nos últimos dias, e recordo com exactidão o momento em que nos vimos pela última vez…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não desta vez… – &lt;/b&gt;ouço-a dizer – &lt;b style=""&gt;Só nos temos por mais um par de horas… desta vez… – &lt;/b&gt;e cala-se por uns longos minutos. Vejo o seu corpo elevar-se com delicadeza a cada inspiração minha. Da maneira como está deitada, chega apenas até mim o delinear das suas perfeitas longas pestanas, que se vão fechando por períodos mais prolongados… Os meus braços apertam-na, e tento senti-la por mais algum tempo. Penso nos dias que se avizinham sem si, e o desespero de não a ter não se faz sentir de forma tão esmagadora como doutras vezes… mas ainda assim sinto cada segundo como fatal, como anunciador da sua doce ausência… Curioso. Pensando realmente bem, como posso tratar a sua ausência como doce? É facto que não trato, mas não menos verdade é que foi o que me saiu, o que atravessou o meu espírito. Talvez a constante inconstância que sinto em relação a Godelieve tenha encontrado alguma momentânea paz, e os meus sentimentos de amor-ódio tenham proposto umas tréguas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Embalado pelos meus próprios pensamentos, deixei-me escapar do mundo consciente. Entrei num sonho qualquer, em que tinha Godelieve dum lado, numa Savana, correndo, e do outro Helga, num mato qualquer cheio de neve, esperando-me, olhando-me. Sem sequer pensar na estupidez do contraste da natureza avanço pelo meio dos dois destinos, o meu olhar pousa em Helga, e quando volta para Godelieve nada vejo… até que, ao fundo, percebo um felino… parece-me um leopardo, a abrandar o ritmo, até que dá volta e meia sob si mesmo e se deita no chão, espetando as garras do seu olhar na minha pele. Quando volto a procurar Helga, esta, por sua vez, assume o formato duma ave. Ora me parece um mocho, ora uma coruja, um corvo, e outras formas cujo nome desconheço. Na savana está frio, apesar de me parecer ver o sol ao fundo. No mato está calor, apesar de ver o branco da neve preencher todo o panorama. Aproximo-me do leopardo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Vem, querido… – &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;chama.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Vai, querido… – &lt;/b&gt;ouço o pássaro dizer, por detrás do meu ombro…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando acordo, os meus braços abraçam um pedaço de nada que Godelieve me deixou. Sinto o frio dançar no meu quarto, e o peso da solidão que ela deixou para trás como algum estranhamente reconfortante. A minha mente viaja uns anos, e desta vez sinto-me como um adolescente que suspira pela sua amada. Sem fechar a janela, saio do quarto e mudo o som da aparelhagem, deixando a tocar Dizzie Gillespie, A Night in Tunísia. O som agitado é algo que sinto entrar-me no espírito. Sirvo-me de um whiskey, sento-me no sofá frio de cabedal beje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Dou algum tempo para que, caso queira, explique como conseguiu entrar, e quando vejo que não o faz pergunto se não terá algo para ouvirmos. Olho à minha volta e o nervosismo ainda não me deixou. Já que tenho de o sentir, escolho apreciá-lo. Dou alguma atenção ao meu interior, e pego nas partículas de fogo que sinto no meio dos pulmões, oscilando, ora subindo, ora descendo ao longo dum qualquer feixe imaginário dentro de mim. Gosto. Olho ao redor e cada detalhe contribui para que o nervosismo não desça. De vez em quando esbarro numa fotografia de Ruud, e chega mesmo a subir um pouco. A casa é imperial, algo ainda melhor do que alguma vez imaginei. Cada centímetro do chão está coberto de tapetes típicos do norte da ilha, vermelhos com rebordos dourados. Os cortinados seguem o mesmo padrão, e cada peça de mobília ostenta uns recortes arrojados e artísticos na madeira castanha escura. Embrenhado nestes detalhes, dou um gole do copo de Mestiba, e começa a chegar até mim Billy Holiday. Vejo Godelieve voltar a entrar no hall onde me encontro, entre a sala de estar e o quarto. O quarto. Dou uma olhada subtil, e penso, desconfortavelmente, se acabarei a minha noite na mesma cama onde uma das pessoas que mais detesto costuma dormir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;É quando Godelieve se senta no meu colo que percebo que tardava o sentimento de despreocupação que a sua presença normalmente imprime &lt;st1:personname productid="em mim. Efectivamente" st="on"&gt;em mim. Efectivamente&lt;/st1:PersonName&gt;, no momento em que a sua pele volta a tocar o tecido das minhas calças, no momento em que sinto o seu peso instalar-se no meu colo, o seu tronco encostar-se a mim e o seu perfume me sorrir, volto a ser aquele que mais gosto de ser, o verdadeiro Theodoor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Toda a gente quer, e precisa, de um grande romance na VIDA, cheio de riscos, perigos, paixões assolapadas e arrependimento. E ao abraçar Godelieve, ao sentir os seus lábios trincarem os meus até ao limite da dor, ao sentir a sua alma instalar-se na minha pele, sinto intensamente a beleza de viver, nesse preciso instante, momentos há algum tempo desistidos. A minha mente abandona definitivamente a última semana, os erros, as confusões, deixando as minhas acções de tanto pesar… quase posso dizer que me sinto eu quando com Godelieve, podendo assim aliviar o peso de más decisões, lançando-as para a responsabilidade daquele pedaço de pessoa que me habita quando distante de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Levanta-se e afasta-se, deixando-me sozinho. Hipnotizado, o meu olhar segue a sua silhueta felina, e apenas aqui me lembro do sonho que tive. Godelieve como o meu felino, Helga como uma indecisão de aves qualquer que de momento não quero perceber. Claro, um felino. Claro. Encho o copo de Mestiba e bebo tudo duma vez, preparando-me para entrar onde nunca pensei entrar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Sorrio, e apenas penso, ao olhar para quem me espera, em como é bom ser eu…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XLVI&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Helga abre a porta, permaneço na entrada, vendo Adriaan desaparecer no corredor. Ouço o som da televisão acender. Helga, muda, olha-me, ostentando o seu corpo que já tinha esquecido, debaixo da camisa de dormir de seda branca. Olho para as suas bonitas, ainda que não agressivas, linhas, e penso se, só porque tive a possibilidade de a ver nua por anos, tenho de ter privilégios para sempre…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Suponho que queiras uma bebida… – &lt;/b&gt;sugere, para minha surpresa. Estava pronto para ir embora, mas o convite, que matreiro surgiu, subitamente despertou em mim uma vontade de ficar. Entro, sento-me num dos grandes bancos do pequeno bar no canto da sala. Percebo que toca, baixinho, e proveniente duma coluna escondida atrás do bar, algo que me parece ser Zero 7. Olhando o ecrã da aparelhagem confirmo, Destiny é a música. Helga desapareceu do meu campo de visão por uns momentos, e a minha mente volta a instalar-se nesses… privilégios. Sendo que não temos mais nenhuma relação, que somos apenas… amigos… não deveria coibir-se mais? É estranho, e eu próprio estranho a minha antiquada reacção, mas talvez seja apenas o medo daquilo que desperta &lt;st1:personname productid="em mim. Afinal" st="on"&gt;em mim. Afinal&lt;/st1:PersonName&gt; de contas ver aquela beira sensual do lado do seu seio a escapar pela camisa de dormir é algo que não me deixa, nem nunca deixou, indiferente. Minto. Deixou-me indiferente a maior parte da minha VIDA, mas hoje não. Que estupidez…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Volta com uma garrafa de Baileys. Senta-se do outro lado do bar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Não me digas que tinhas a garrafa no frigorífico… – &lt;/b&gt;digo, numa questão que trazia consigo já a crítica, dada a certeza que tinha, tendo a garrafa na mão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Qual é o problema? – &lt;/b&gt;Foda-se! O olhar que me lança, que sei ser sem qualquer intenção, deixa-me um pouco zonzo e descontrolado. Não sei definir bem, mas tem uma certa pureza, misturada com jovialidade. Sorrio ao pensar que, pelo menos na parte da pureza, o seu sorriso está a milhas do de algumas pessoas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Bem, não é nenhum… – &lt;/b&gt;digo, entregando-me – &lt;b style=""&gt;Mas ainda assim vou querer gelo. Ao menos iludo-me quanto à razão do frio… – &lt;/b&gt;remato, com um sorriso. Baileys no frigorífico… E que estranho é o facto de uma pessoa fazer algo mal-feito e isso apenas nos aproximar um pouco… Parece-me que estranho é a palavra do dia. Mas se pensar… com Godelieve tudo corre sempre perfeitamente. Monta para mim um espectáculo que nunca sei onde começa ou acaba. Tanto quanto eu sei, qualquer seu trejeito pode ser uma encenação, indo os seus dotes muito para além do cenário ideal, e assentando, especialmente, no estar ideal. Não creio, ou não quero crer, mas ainda assim…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Com Helga… bem, estou a re-descobrir Helga, e sinto-me mais perto de si nestes últimos tempos do que nos últimos anos. Não estou apaixonado por si, não a quero de volta. Claro que me confunde, por vezes, e claro que anda com Arie, mas ninguém é perfeito… nem eu o sou, porque me confunde, nem ela o é, porque anda com Arie…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Adriaan não tarda a adormecer, e Helga deita-o, voltando a fazer-me companhia no instante seguinte. Está sentada do outro lado do bar, e conversamos em voz baixa sobre trivialidades. Sinto assuntos mais interessantes em lista de espera. Não sei quais, até me ouvir perguntar-lhe se tem estado com alguém nos últimos tempos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Não me fizeste já essa pergunta noutro dia?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Não sei… fiz?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Acho que sim, meu querido. – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;finalmente começa a abandonar aquele olhar puro, que inocente e involuntariamente me seduzia, e dá um passo para o campo da nunca frustrada sedução.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;E que respondeste? – &lt;/b&gt;pergunto. Reparo como mantemos o tom de voz num nível estranhamente baixo. Não o fazemos por Adriaan, este dorme no seu quarto com a porta fechada, não nos ouviria. Que língua falamos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Hum… Talvez tenha respondido que não tens que saber o que ando a fazer… – &lt;/b&gt;responde, cruelmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Não tenho, tens razão… mas o facto de não ter de saber implica que não vá saber?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Como assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Simplesmente… acho que nós não sabemos, ou fazemos, apenas aquilo que temos de saber, ou fazer. Muitas outras coisas acontecem, não fruto da necessidade, mas da simples casualidade, divertimento…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Ou da simples necessidade de errar… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;completa. Levantou-se, deu a volta ao bar, aproximou-se de mim. Assentou levemente a palma da sua mão direita na minha face e disse-me esta frase que me recordou de si, que me recordou da necessidade de errar. Volta a virar-se, e senta-se no sofá – &lt;b style=""&gt;Sabes… acho que me devias apresentar a tua… amiga… – &lt;/b&gt;??? O meu silêncio fala por mim. Permaneço sentado no banco do bar. Vejo apenas o seu cabelo louro, estando o resto do seu corpo escondido. Quero dar um salto e cair na sua alma. Não estou sozinho, e isso faz com que seja mais difícil gerir e analisar os sentimentos que correm dentro de mim. A confusão de me sentir tão atraído por Helga mistura-se com as frases estranhas vindas de si mesma, com os pensamentos que partem de mim… – &lt;b style=""&gt;Sim… imagino que estejas confuso. Mas, de certa forma, acho que gosto de algumas partes deste teu novo tu. E alguns pensamentos teus acabam por chegar até mim e, duma maneira completamente estranha, fazem-me sentido… – &lt;/b&gt;impressionante como se atreve a dizer-me que Arie lhe conta o que vai dentro de mim…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;E que gostas de ouvir? – &lt;/b&gt;pergunto, ao me levantar, e sentar-me do seu lado, no sofá. A minha respiração flutua desalinhada com o resto do ambiente que tenho perante os meus olhos. O seu olhar entra dentro dos meus poros como entrou poucas vezes na minha, na nossa VIDA. Helga aproxima-se e sinto que me devo afastar. Erros? Que erros cometer? Como é confusa esta concepção de abraçar o erro como parte da VIDA. Uma vez que o fiz decidi que nunca mais buscaria a perfeição no meu estar. Mas como escolher que erros cometer? E será que, ao escolher que erros cometer, continuo nessa busca, que pensava esquecida, de almejar a perfeição? Não faço ideia, e este não saber deixa perante mim a única vontade de a beijar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- Não te posso dizer tudo o que gosto de ouvir. Senão ia entregar-te todas as armas para poderes ter o mais estúpido jogo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Como?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Ias usar-me, ter-me, ao mesmo tempo que ias usar, e ter a tua outra amiga… e se eu ficar assim, se não te deixar saber o que quero, ou não quero, posso ser eu a escolher se te quero ter… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;e beija-me. A minha língua sente o sabor do licor nos seus lábios, a minha mente explode e apenas consigo questionar a peculiaridade das situações em que escolho me colocar. A maneira como me beija afigura-se-me como nova, desconhecida, e gosto de sentir os seus lábios, que me parecem, não sei porquê, destreinados, a deitar-se com os meus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não tardamos a fazer algo que meia uma hora antes achava que nunca voltaria a fazer consigo. Sinto o seu calor entrar em mim, o meu sangue palpitar nas suas veias e os seus olhos fecharem-se de prazer. Sinto o rebentamento estranhamente perto, e faço por me controlar, faço por esperar que Helga atinja o seu próprio clímax ao mesmo tempo que o meu. as minhas mãos tentam abraçar cuidadosamente os seus seios, mas acabo por rasgar um pouco a camisa de dormir, vendo as partes do seu corpo a sorrirem timidamente. Nada me passa pela cabeça a não ser a surpresa da imagem que vejo, e a roda-viva que tudo o que existe tem de ser…&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XLVII&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando acordo, no dia seguinte, na minha própria cama, procuro sinais de ressaca. Abro os olhos, não sinto nada. Levanto-me, não me custa. Não sinto os pulmões pesados de fumar em cadeia, não sinto a cabeça latejar. Procuro sinais de ressaca que não encontro. Confunde-me, mas talvez esteja a procurar no álcool a razão para ter acontecido o que aconteceu… mas desta vez está inocente. Penso no que bebi, e facilmente percebo que meia garrafa de Baileys, de acordo com os meus padrões de ultimamente, não seria o suficiente para me deixar… assim – tudo o que consigo dizer – assim. Mas então, porque tenho este estranho sentimento de arrependimento?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ligo a aparelhagem e deixo a tocar PJ Harvey, com o álbum White Chalk. Escolho a faixa When Under Ether, cuja sonoridade combina com o meu estado de espírito. Não me interessa a letra, interessa-me apenas o leve sentido de desespero e tristeza… não a sinto em pleno dentro de mim, essa tristeza, mas mais predominantemente o tal estranho sentimento de arrependimento. Dou voltas e mais voltas à minha cabeça, enquanto fumo um cigarro na minha varanda, procuro as minhas novas filosofias de VIDA, mas nada parece conseguir fazer com que me sinta mais leve. Dever-me-ia ser indiferente, apenas uma experiência, um momento bem passado… ou se um erro, deveria aceitá-lo, e seguir. Claro que seguirei, mas a aceitação desse mesmo erro está-me a ser mais difícil do que imaginei. Talvez se fosse fácil, ou inexistente, não seria na verdade um erro, mas simplesmente algo que não fora planeado. Sim, talvez resida neste facto a eterna diferença… Talvez os erros tenham os seus tempos para serem aceites…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Momentos. Penso nos momentos que constroem a nossa existência, e se por um lado permaneço com o arrependimento dentro de mim, por outro lado sorrio perante a ironia e o prazer que é esta VIDA de constante incerteza. Sinto frio, e sinto o relógio chamar-me para o chuveiro. Algo de que, por mais que mude, não me consigo descolar. O relógio. É triste necessitarmos de certas coisas como necessitamos, como do trabalho. Foda-se, preciso de dinheiro para viver, e preciso de trabalhar para o ter. Mas porque faço algo que não me agrada inteiramente? Que posso fazer de diferente? Sinto-me tão emergido no sistema que vejo a saída como longe, muito longe, talvez apenas alcançável com o interminável galopar da idade, a utopia da reforma. Sei que quando lá chegar, se o fizer, grande parte da minha energia se terá esgotado, e morro de medo de me sentir incapaz para viver como sempre quis viver, para aproveitar os meus últimos anos de existência. Acordo! Acordo subitamente destes estúpidos pensamentos, e aí sim as minhas novas filosofias de VIDA entram em acção e têm o poder de mudança. Felizmente. Ainda que não inteiramente capazes de afastar certos sentimentos, desta feita expulsam eficazmente estes pensamentos de futuro que me desagradam. O presente. Tudo o que me interessa. Como estou, onde estou, quando estou. Existo agora, não no amanhã, e por isso mesmo o meu sorriso adquire um esgar mais genuíno, e não penso nesse futuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;O dia escorrega em menos segundos do que imaginara, e estou, ao fim da tarde, na rua frente à embaixada americana, onde tivera uma reunião. Escolhi vir a pé. O dia continua a entregar-me a mesma temperatura, que deixa no meu corpo a incrível noção de presença. Penso em Godelieve e em quando a verei. Nada combinamos. Canso-me. Por vezes, por mais que adore este jogo de gato e rato que fazemos, por mais que aprecie este não saber, canso-me. Eventualmente tudo valerá a pena, mas penso quanto tempo durará esta espécie de relação que temos. Quero-a apenas para mim. Não sei se quero envelhecer consigo, mas quero tê-la para sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Sento-me numa esplanada, do primeiro bar que encontro, peço um gim tónico. Penso no que seria envelhecer com Godelieve. Não sei porque hoje a minha mente está a viajar para tão longe. Todavia, desta feita, ao contrário do que fiz nesta manhã, não uso os meus princípios para afastar o que povoa a minha mente. Não o faço pois não tenho uma opinião sólida em relação que me habita, no que a isto diz respeito. Sei que a quero ter para sempre, sei que quero chegar a casa e ter alguém como ela à minha espera, sei que quero sair uma noite qualquer com Arie e saber que, nesse instante, tenho alguém para quem voltar. Quase sinto que quero conhecer a verdadeira Godelieve. Penso na diferença que haverá entre o foder, o gostar, a paixão e o amor. Sinto cada um destes termos como escadas num espectro invisível e que eu, completamente cego, vou percorrendo, às apalpadelas. E não sei onde me encontro. Sei que o primeiro termo como o mais importante cedo pereceu, sei que o terceiro, o guardo dentro de mim, mas entre os restantes, tanto a sua presença como o seu grau, é para mim um completo mistério. Não a quero amar. Pelo menos ainda não. Mas significará que não o farei, ou que não o faço, simplesmente porque não o quero? Se tal sentimento não viaja dentro de mim, porque preciso tanto de a ter?... E porque não o quero sentir? Acho que, no fundo, me assusta a posição incrivelmente frágil em que qualquer pessoa que ama se encontra… Quando amamos não somos nós. Somos pedaços da nossa alma misturados com aquilo que achamos que a outra pessoa quer que sejamos. E como avaliar com exactidão aquilo que os outros querem de nós? Impossível. E precisamente por ser impossível, quem ama estará, de certa forma, vetado ao insucesso, a menos que o sentimento seja partilhado pela outra pessoa. E com Godelieve… como posso saber? Como posso saber aquilo em que pensa, se tampouco sei o que eu próprio penso quando na sua presença?... Não demoro muito a perceber que talvez eu tenha sido, de uma maneira, aquilo que espera que eu seja, e sendo assim, a matemática é simples… esta é apenas o resultado da equação que acabei de enunciar, em que do outro lado estava o amor…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Meu deus, como é terrível e ao mesmo tempo incrivelmente saboroso pensar… Como que um interminável caminho, pensar leva-nos, guia-nos através de estradas de poeira que não nos deixam perceber o destino. O fio condutor entre cada pensamento torna-se cada vez mais delgado, sendo, a partir de um certo momento, impossível perceber onde estamos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XLVIII&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quero testar Godelieve. Quero, mas não sei se consigo. É Sexta-Feira, saio do parlamento, e o sol pergunta se não quero dar um mergulho no mar. Quero testar Godelieve, e não ir ao Vrijheid, ou a minha casa, os dois únicos sítios onde pode ter deixado alguma mensagem, creio. Se fizer exactamente o que me apetece, que é ir para a praia, estou a estudar a sua precisão, o seu domínio do nosso destino. Mas por outro lado reconheço o impossível que é Godelieve seguir-me de tal forma, e chego à conclusão que ir para a praia seria o mesmo que estar a negligenciar o nosso encontro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim, entro no carro e passados alguns poucos minutos estou onde quero estar. Não tenho calções, mas não me importo. Abro a porta de trás, dispo-me e lanço toda a minha roupa para dentro do carro, ficando apenas de boxers. Sinto os raios de sol queimarem a minha pele, penso no dia anterior. Não consigo perceber a falta de coerência que o tempo tem &lt;st1:personname productid="em Hetwestenland. Mas" st="on"&gt;em Hetwestenland. Mas&lt;/st1:PersonName&gt; agrada-me. Não poderia, agora que me encontrei, ser mais feliz em qualquer outra parte do mundo senão neste país podre, cheio de vícios e corrupção, mas cheio do perfume sedutor que é o “não saber”. Em mais nenhum país no mundo “não se sabe” como &lt;st1:personname productid="em Hetwestenland. Fecho" st="on"&gt;em Hetwestenland. Fecho&lt;/st1:PersonName&gt; o carro, entro na praia. Sinto a areia quente como lava cor de trigo, vejo o mar, calmo, a agradecer ao sol a minha presença. Sento-me. Sofro um pouco, pois quero correr, mergulhar. Mas sento-me. Sento-me e olho ao redor por uns minutos. Tudo é tão assustadoramente real. Tento absorver as sensações que me são transmitidas, mas é demasiada informação. Tento prestar atenção ao azul do mar, à brisa que, sorrateira, me apaixona, ao riso dos meninos a brincar, às cores que constroem a minha realidade. Por um momento percebo o quão mágico tudo é, e sinto que o mundo foi feito para mim, mais ninguém. Sinto cada átomo de mim, cada átomo do mundo onde me incluo como uma peça de teatro a que eu, sozinho, assisto de rasgado sorriso e a que aplaudo entusiasticamente. Deito-me para trás e construo a minha própria melodia. Fecho os olhos, vejo Godelieve. Sinto a verdadeira razão pela qual estou na praia, e não em casa ou no Vrijheid. Quero ser meu. O amor por Godelieve… usei a palavra amor. Escapou-me, sinceramente. Não interessa… o amor que sinto por Godelieve, sinto-o tão poderoso como destruidor, e se por um lado me agrada, por outro desagrada-me esse agrado. Vim para a praia porque era o que eu queria fazer, porque queria dizer a mim próprio que ainda sou meu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Levanto-me e corro. Tento largar, numa corrida, todas as concepções que o mundo impõe sobre mim, e por uns breves segundos, em que vejo apenas o meu destino, em que sinto as minhas pernas, destreinadas, a queixarem-se violentamente… por uns breves décimos de segundos em que salto, em que antecipo a queda e mergulho no atlântico frio, sinto-me diluído, um pedaço de areia e água abraçado pelo mar…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Devolvo com um sorriso a cara de espanto do Sr. Tom, o porteiro, ao ver-me entrar de tronco nu e cabelo molhado no hall do prédio. Sinto-me como um adolescente, e recordo-me de como sabe bem não fazer o que esperam de nós, mas fazer o que quero fazer. Porque se afasta o humano tanto do que é ser humano?... Buscaremos na falsidade a genuinidade?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Vejo-me no espelho do elevador, e compreendo a cara de Tom, sendo que tenho o cabelo completamente cheio de areia. Penso em chegar a casa, fumar um bom cigarro, a beber uma boa cerveja, a ouvir uma boa música na minha varanda, e de seguida começar a pensar &lt;st1:personname productid="em Godelieve. Corrijo" st="on"&gt;em  Godelieve. Corrijo&lt;/st1:PersonName&gt;, começar a pensar no nosso encontro, pois a pessoa já me habita o pensamento. Sem problemas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Começava a encontrar-me surpreendido por não me ter ainda surpreendido, até que, ao chegar à alva porta número 39, vejo um pequeno envelope lilás colado na mesma. “&lt;b style=""&gt;Porquê lilás?...&lt;/b&gt;” – penso, divertido, ao abrir o mesmo envelope.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- 371293 – “Só pode ser um número de telefone…” – &lt;/b&gt;penso, alternando o meu ar para uma expressão de dúvida – &lt;b style=""&gt;“Bem, logo vejo…”&lt;/b&gt;. E assim continuo com o planeado. Sentado sob Nieuwe Adelaars, ouvindo Sigur Rós, e bebendo uma Shift, a melhor cerveja nacional, continuo com os meus pensamentos a saltitar de momento &lt;st1:personname productid="em momento. Vejo" st="on"&gt;em momento.  Vejo&lt;/st1:PersonName&gt;, ao fundo, o mar onde instantes antes eu me elevara, aprecio a adrenalina e nervosismo dentro de mim, sorrio voltado para dentro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Boa tarde. Suponho que falo com Theodoor. – &lt;/b&gt;ouço, do outro lado, uma voz masculina anunciar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Hum… Sim, eu suponho que sim… igualmente… – &lt;/b&gt;respondo, com alguma surpresa. Pensava no estranho que era Godelieve ter, por um lado, deixado um número de telefone, mas ao mesmo tempo ter-me contactado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Tenho instruções ir buscá-lo dentro de quinze minutos. Está bom para si? – &lt;/b&gt;a imagem que o espelho me devolve diz que não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Quinze minutos é capaz de ser um pouco puxado… Meia hora, pode ser? – &lt;/b&gt;pergunto, às cegas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Certamente. Alguma bebida, snack, ou música, em particular? –&lt;/b&gt; não percebo. Não percebo mas entrego-me, fingindo que percebo perfeitamente o que se passa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;- &lt;b style=""&gt;Hum, sim, concerteza. Mestiba e Miles Davis, pode ser?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;- Sim, sem problema. Algum cd em particular? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunta, depois de uma pausa para, imagino, anotar os meus pedidos. Quando peço o Straight no Chaser, lança-me a última questão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;- A indumentária é smoking, obrigatoriamente. Sugerimos que traga algo leve, fácil de trocar. Obrigado. – &lt;/b&gt;e desliga. Estou confuso, muito confuso. Bebida, música, indumentária, que se passa? Gosto. Modifico a minha confusão ligeiramente. Um toque aqui, um toque ali, e as minhas sobrancelhas abandonam o olhar carregado e elevam-se um pouco, emprestando ao meu ar a energia descontraída e surpresa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Assim, tomo banho a ouvir o In Your Honor acústico dos Foo Fighters, com todas estas questões por resolver a inundar a minha mente. Passados os pedidos 30 minutos, estou pronto. Sem saber o que a voz queria dizer com algo leve, optei por umas calças de fato de treino e uma t-shirt. Sentia-me nervoso e algo ridículo, pois podia estar a falhar completamente. Ainda assim, desci, sai do prédio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não sabia o que procurava, pelo que simplesmente esperei para ser encontrado. Acho que sempre recordarei os segundos em que vi o que vi, imaginei o que imaginei e, com agrado, confirmei. Ao fundo, do outro lado de um semáforo, uma limousine preta, naturalmente, esperava, nervosa (ou seria eu?) para avançar. Achei-me, como tantas vezes o faço, como o personagem do melhor filme de sempre, com a vantagem de que isto estava realmente a acontecer-me. Apago o cigarro quando o veículo estaciona à minha frente. Esperava ver Godelieve sair de uma qualquer porta, mas ao invés vejo um rosto familiar sair do lado do condutor. Aquela cara não me era, de todo, estranha. Não sabia ser era quem, uma vez, me tinha dado um bilhete no Vrijheid, se era quem me tinha conduzido até à mansão de Godelieve, ou mesmo a pessoa que trabalhava no hotel quando… estivemos juntos pela primeira vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Não diz nada, limita-se a abrir a porta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quando entro, surpreendo-me com o espaço que tenho diante de mim. Se por fora me parece confortável mas pequeno, ao entrar deparo-me com uma espécie de dimensão alternativa, na medida em que vejo o espaço como que duplicado, confortavelmente grande. Sento-me no banco do fundo. Do meu lado direito, pendurado na porta, um smoking. Arrancamos. No tecto da limousine, um pequeno triângulo pede o meu toque, e ao recebê-lo brinda-me com o som de Miles.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Uma vez vestido, sirvo-me de um shot de Mestiba. O copo é um pouco maior do que aquilo a que estou acostumado, pelo que penso em simplesmente apreciar o agreste líquido sabor, ao invés de o destruir num segundo. Encosto-me para trás, dou um gole, imagino para onde me dirijo. Não seguimos o caminho da sua mansão, nem sei onde estou. Venha o momento…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Venham os pedaços de momentos que Godelieve me oferece, venha o toque da sua pele e a sua boca molhada. Venha qualquer surpresa me apanhar prevenido, venha a doce companhia da sua melodia… Seja o que for, em momentos como estes sinto-me estranhamente preparado para o que quer que a minha musa tenha para me oferecer. Desde que ela esteja lá, eu estou onde for preciso…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-4212225525562485147?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/4212225525562485147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=4212225525562485147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4212225525562485147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/4212225525562485147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/06/godelieve-cap-41-48-muita-coisa-mesmo.html' title='Godelieve - Cap 41-48 [muita coisa mesmo, mas tinha de postar]'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-7976892332530220288</id><published>2008-06-26T17:14:00.002+01:00</published><updated>2008-06-26T17:15:04.680+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Leva nas tuas asas as partes de mim que prometes,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Deixa-me a estoirar os momentos cansados,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Não me dês o que todos os dias repetes,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Não nos vejas nunca mais abraçados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Silencia o teu olhar massacrador,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Dá voz ao teu destino longe de mim,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Não peças mais nada do meu amor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Não vejas mais um começo neste fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;o:p&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Oferece-me as paredes como companhia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Oferece-me a tua eterna ausência,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Prefiro a solidão do dia-a-dia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Do que a tua viciada influência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:Papyrus;font-size:13;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-7976892332530220288?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/7976892332530220288/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=7976892332530220288' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7976892332530220288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7976892332530220288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/06/leva-nas-tuas-asas-as-partes-de-mim-que.html' title=''/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1725448144147443493</id><published>2008-06-19T16:44:00.000+01:00</published><updated>2008-06-19T16:50:28.476+01:00</updated><title type='text'>Só</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FJVJmRuYhaY"&gt;Zero 7 – This World&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;O cenário: Ele, sozinho, algures no fim do mundo, no meio do seu quarto. Uma luz dum candeeiro despido do seu abat-jour ilumina o pouco que há para iluminar. Um pedaço de pessoa, apenas em boxers sentado no chão; um par de almas mortas estendidas dentro de si; um pedaço de terreno ao redor povoado de beatas de cigarro. Ela entra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Pago agora ou pago depois? – &lt;/b&gt;ele pergunta, olhando de baixo para cima. Está sentado no chão com o seu computador no colo. Ouve This World, Zero 7, em repetição, pela enésima vez. A puta olha, de cima para baixo, e cospe:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Pagas quando quiseres, desde que pagues…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Pago agora. Não me quero arrepender no final e mandar-te pelo caralho sem o dinheiro… Podes ficar com o troco… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;sugere, ao entregar uma engelhada nota de 50 euros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tu é que sabes… Não te conheço, mas ‘tás com um aspecto de merda… – &lt;/b&gt;diz a puta, vendo a sua cara amarelada e as olheiras que emprestam ao seu olhar um aspecto cavernoso. Todo ele é merda. – &lt;b style=""&gt;E cheira mal para caralho aqui!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Primeiro… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;começa, falando devagar para ser entendido. O álcool tolda não só a sua visão, que não lhe permite averiguar a beleza da puta, como a sua voz, e a cadência das suas palavras, que escorregam melosamente pela sua língua com sabor a tabaco – &lt;b style=""&gt;Não vais dizer asneiras… E depois, eu não te pago para me dizeres como estou, vê se entendes isso…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Ela emite um sinal, sem falar, que lhe diz que percebe, enquanto passeia pelo quarto. Com cuidado, passa por cima de si, já que as suas pernas estendidas encostadas ao armário bloqueiam a passagem, e ele vê a sua bolsa de pele falsa balançar na sua frente, e mais tarde aterrar numa cadeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Vais vestir aquelas roupas… E pôr aquele perfume… – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;ele ordena, apontando com o amarelado dedo para o canto, onde impecavelmente dobradas a puta vê uma saia branca e uma blusa vermelha, coroadas por uma embalagem de perfume cuja marca não reconhece. &lt;b style=""&gt;“Saiu-me um estranho…”, &lt;/b&gt;ela pensa, ao começar a despir-se. Ele não a vê, tampouco olha para ela… Eleva um pouco a sua cabeça, como se no tecto algo procurasse, mas os seus olhos permanecem fechados. Tenta sentir a música que ouve, e tacteia, ainda com a visão desaparecida, a garrafa de rum deitada no frio chão a seu lado. A puta, perante o que chega aos seus sentidos, sente algum medo nascer de si, e pensa duas vezes se fará o pretendido.&lt;b style=""&gt; “Fodido como ele está, nunca me conseguia fazer mal…”, &lt;/b&gt;pensa, descansada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;E agora? – &lt;/b&gt;pergunta, envergando as vestes que noutra altura outra pele vestiram. Ele abre os olhos, olha para si, e ela percebe um par de lágrimas querendo sair. Ele afasta o computador do colo, faz os boxers deslizar até aos joelhos apenas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Agora sentas-te &lt;st1:personname productid="em mim. Puseste" st="on"&gt;em mim. Puseste&lt;/st1:PersonName&gt; o perfume?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Pus. – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;e senta-se. Ele permanece imóvel, pelo que ela vai fazendo o trabalho, sentido-o entrar e sair dentro de si, sem qualquer protecção. Ora ele a olha fixamente, duma forma incomodativa, ora fecha os olhos, e sente com os dedos o delicado tecido da sua roupa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não… – &lt;/b&gt;ele diz baixinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não o quê? Queres que pare? – &lt;/b&gt;ela pergunta, quase preocupada. Sem saber como nem porquê, sente em si nascer um sentimento de pena e empatia por ele. Porém, ele abre os olhos furiosos e grita…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tu não és metade, um terço dela! Quem é que pensas que és? – &lt;/b&gt;empurra-a, violentamente, para a sua esquerda. Ela rebola e sente a sua cabeça embater na mesinha que a esperava no canto. Ele fica no mesmo sítio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Que caralho! Que é que ‘tás a fazer filho da puta?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Eu disse para não dizeres asneiras! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;ele cospe, desta feita literalmente, na sua cara. Ela continua no chão, e sente a sua saliva quente e mal cheirosa deslizar pelo seu rosto. Levanta-se abruptamente e prepara-se para abandonar o quarto. Ele levanta-se também e agarra-a, começando a despi-la, rasgando a roupa e partes da sua pele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Onde é que ias com a roupa dela, hã? –&lt;/b&gt; ele grita, em pé, com os boxers nos calcanhares, os olhos carregados de sangue, lágrimas. Ela grita, enquanto ele a deixa completamente nua e a empurra porta, com o pontapé, deixando-a apenas com a sua bolsa, completamente nua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;A música continua a tocar, e ele chora, sem soluçar. Não quer chorar, não quer pensar no passado, mas a certeza de ter tido algo que nunca mais se terá tira qualquer realidade ao discernimento, qualquer discernimento da realidade… A puta não era metade dela, um terço, um milésimo, assim como ninguém o será, nunca mais… Alguém pontapeia a porta. Ele não sabe quanto tempo passou, mas a música terá tocado mais umas vinte vezes… Gritam do outro lado e ele distingue uma voz masculina agressiva e a voz da puta… &lt;b style=""&gt;“Estou fodido…”&lt;/b&gt;, ele não pensa… Levanta-se e sabe que a única maneira é fugir pela janela. A porta ainda aguenta, mas por pouco tempo mais o fará. Ouve os socos na madeira estranha ecoarem na sua mente, fazendo sua cabeça latejar. Levanta-se novamente, sobe os boxers, caminha até à sua janela. Abre-a. A porta está quase a ceder. É a única maneira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Sem se equivocar, salta pela janela, e aterra alguns metros abaixo, 6 andares depois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1725448144147443493?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1725448144147443493/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1725448144147443493' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1725448144147443493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1725448144147443493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/06/s.html' title='Só'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-6517244635477762901</id><published>2008-06-10T15:04:00.000+01:00</published><updated>2008-06-10T15:05:15.322+01:00</updated><title type='text'>Procura</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;" lang="EN-GB"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4H-4UW1EaXM"&gt;The Used – Blue and Yellow&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;" lang="EN-GB"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Um dia perdi-me dentro de mim. Tanto procurei, tanto procurei, que não só não encontrei, como me perdi completamente. Os anos passavam e a resposta não vinha, pelo que, certo feio dia, decidi procurá-la sozinho. Tinha um punhado de certezas, e nelas confiava para me agarrarem à VIDA que, apesar de apenas uma ilusão, me mantinha colado ao planeta e me permitia não ser triste. O punhado de certezas que tinha… esses vi-os perecer momento a momento, em anos que décadas pareciam… Enquanto tinha apenas uma dessas certezas, outrora mais que algumas, permiti-me continuar, aventurando-me cada vez mais, obcecado, viciado com o prazer e dor que havia a cada nova descoberta. A cada nova pseudo-descoberta. A cada passo que dava, a cada nova descoberta que tocava, via, apenas um pouco adiante, uma outra que me pedia que abdicasse da anterior para a poder conhecer. Não sei porquê, fui caminhando. Talvez pensando, ou sabendo, que cada uma dessas descobertas não passava, precisamente, de uma pseudo-descoberta, menos valor de cada vez dava, e confiante que a mais difícil seria a melhor, os meus passos ecoavam algures dentro da minha mente, dos territórios que talvez tivessem sido feitos para permanecer virgens… Nada aparecia, e tão depressa agarrava algo como descartava, percebendo o quão fácil é ser enganado…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Mas tinha ainda a certeza que me traria de volta á ilusão de VIDA feliz que me fazia passear pela existência com um sorriso amarelo no rosto. Ou tinha? As minhas mãos tacteavam no escuro, à procura desse mágico fio que me traria de volta, mas nada aparecia. O desespero esperava, à porta, para se fazer sentir, mas tentava, com força, manter a mesma fechada, colocando todas as minhas forças para que esta não se abrisse. Quando dei por mim, queria continuar a procurar a certeza que me agarrava ao mundo, queria continuar a procurar uma descoberta que não passasse duma pseudo-descoberta, mas estava demasiado ocupado, concentrando todas as minhas forças na porta de madeira negra que já rangia e ameaçava dar de si. A força era avassaladora, e não tive como não ceder. O desespero instalara-se e além de me deixar com um sentimento de incapacidade, toldava-me um pouco o tacto. Já caminhava às cegas… tinha perdido a certeza, e procurava, pelo outro lado, algo que me trouxesse de volta. Algo que me trouxesse para mim, para a realidade de quem sou, ou apenas para essa ilusão de VIDA que tinha tido e de que tinha abdicado. Sentia, cruelmente, que a ideia de poder, nessa altura, descobrir a minha essência, essa descoberta, se manifestava, num pontapé maquiavélico do destino, numa ilusão despida de qualquer fundamento real, de qualquer aspiração…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Continuei a caminhar. Não ia sozinho. Dum lado a sombra do desespero, do outro a pesada constatação da realidade… Ironicamente, não vivia já numa ilusão, mas na certeza de que sempre perdido viveria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-6517244635477762901?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/6517244635477762901/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=6517244635477762901' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/6517244635477762901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/6517244635477762901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/06/procura.html' title='Procura'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-1122955215228752806</id><published>2008-06-05T08:42:00.000+01:00</published><updated>2008-06-05T08:44:33.631+01:00</updated><title type='text'>Velho</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Era uma vez um senhor que já nasceu velho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Querido, as águas rebentaram!&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt; – anunciou Isaura, sua mãe, certo dia. Tomavam café em Vale de Cambra, o dia era de Verão, e era o dia ideal para ter um filho. Sim, o dia ideal. O sol aquecia, as pessoas andavam contentes, tudo estava bom, e perfeito. A correria iniciou-se e num instante estavam no hospital. Não custou muito a sair, e passados uns breves minutos, ouvia-se um choro. Porém, o choro durou pouco. O bebé terá tomado consciência que não fazia tanto sentido chorar se estava a começar a viver, pelo que simplesmente permaneceu calado, à espera do banho que o libertaria de toda aquelas secreções e sangue. Toda a gente o adorava! Era o mais querido no infantário, pois raramente chorava, e os pais diziam que era a perfeição numa criança, pois não fazia birras, não gritava, e percebia quando não lhe iam dar o que queria. Por vezes sentiam tal qualidade como algo estranho, mas no momento seguinte davam graças a deus, especialmente quando viam os filhos dos seus amigos em berreiros que incomodavam toda a gente, em birras que irritavam o mais calmo santo… Quase que nem valeria a pena falar do extremo amor que os professores sentiam por esta criança que, sentada na quarta fila, não fazia barulho, levantava sempre a mão pedindo para falar, e tinha um desempenho nos exames que, apesar de não ser brilhante, era bonzinho e bastante regular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Todavia… ninguém compreendia isto, mas não era muito popular entre os seus amiguitos… Simplesmente não gostavam dele. Entenda-se. Não é que desgostassem da criança… simplesmente não gostavam… o português tem que se lhe diga… Continuando, não era muito popular entre os seus amigos, muito devido ao simples facto de não se identificar, nem sentir qualquer prazer nas brincadeiras que estes tinham entre si. “&lt;b style=""&gt;Qual é o prazer em andar a correr uns atrás dos outros? Só se cansam, e mesmo que apanhem a outra pessoa… para quê?...&lt;/b&gt;” – pensava, enquanto fazia as suas palavras cruzadas, sentado num canto, no recreio. Certo dia, porém, foi chamado à realidade por uma menina da sua classe. Andava no terceiro ano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Porque é que não brincas nunca connosco?! – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;perguntou a menina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Porque não gosto. É estúpido andarem sempre uns atrás dos outros! Não serve para nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- E às escondidas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Oh… P’ra quê? Esconder-se dez minutos, é uma seca…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Então porque é que fazes isso?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt; – perguntou Beatriz, apontando para o caderninho de palavras cruzadas e sopa de letras – &lt;b style=""&gt;Também não serve para nada!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Ele não se lembra muito bem do que respondeu. Talvez por querer apagar o sentido que aquilo fazia, talvez por ter medo de admitir que, talvez, no fundo, simplesmente era diferente… Sempre o soubera, mas considerava essa diferença como algo de bom, algo que o distinguia. Mas naquele momento, &lt;st1:personname productid="em que Beatriz" st="on"&gt;em que Beatriz&lt;/st1:PersonName&gt;, com o delgado dedo apontando o caderno, lhe colocara aquela pergunta, algo percebeu…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;De qualquer maneira, apesar de, como dissemos, essa popularidade não ser abundante, não era uma pessoa completamente isolada. Tinha alguns amigos, e quanto mais os anos passavam, mais se aproximava duma pessoa normal. Porém, a relação que as pessoas tinham consigo eram diferentes das relações que tinham entre si. Não havia tantas brincadeiras, risadas. E este nosso personagem, chamemos-lhe Feliz, não era muito feliz. Ria-se, claro que se ria, ele era velho, não era desprovido de sentimentos, e ficava triste, por vezes, mas o que se sentia mais era irritado. A irresponsabilidade das outras pessoas fazia-o ir aos arames. Não percebia como é que, sendo ele, e tendo sempre sido, tão responsável com os outros, estes não o conseguiam ser consigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Foda-se é tão fácil! Como é que perdeste aquilo? Como é que não planeaste melhor o tempo? – &lt;/b&gt;eram as frases mais populares do Sr. Feliz…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;A VIDA do Sr. Feliz foi passando. Tinha alguns amigos, ainda que nas condições já referidas, era respeitado e tido como muito competente em tudo o que fazia. Às custas desta mesma competência, subiu na VIDA sem dificuldade, e aos 60 anos, podia gabar-se de ser rico e de ter uma grande família. Contudo. Não pensava muito. Não pensava muito porque, todos sabemos, pensar pode doer. Fazia a sua VIDA, dia após dia, olhava para o espelho apenas para se barbear, e nunca se sentava a pensar no que realmente gostava, nunca pensava acerca de quem realmente gostava. Ia seguindo o seu rumo, numa espécie de instinto, agindo, e sempre da melhor maneira, de acordo com o que a VIDA lhe dava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Poder-se-á chamar ao Sr. Feliz alguém bem sucedido na VIDA? O que é certo é que morreu, um dia. A sua família e amigos choraram por ele, mas os adjectivos que usavam para o descrever era como alguém justo, competente, inteligente. Nunca usavam adjectivos como feliz, simpático, nunca diziam que era alguém de bem com a VIDA. Claro que não diziam o contrário, igualmente. É mais fácil nomear o que existe do que aquilo que nunca existiu…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;A VIDA dele passou, e ele morreu de velho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-1122955215228752806?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/1122955215228752806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=1122955215228752806' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1122955215228752806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/1122955215228752806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/06/velho.html' title='Velho'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-7019201274189528576</id><published>2008-05-24T19:52:00.001+01:00</published><updated>2008-05-24T19:56:04.877+01:00</updated><title type='text'>Experimenting</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;Não é uma "Estória em Vão", mas apenas uma estória experimental feita para a realização de uma curta-metragem de terror (psicológico... claro)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: arial; font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Ligo a torneira. Permaneço com o olhar pregado à porcelana beje. Vejo gostas de suor misturando-se com a água fria e revolta. Sei de onde vêm mas não entendo porquê, sendo que… estou no mesmo sítio há 1h. Apoiado com ambos os braços no lavatório, penso no que se passou, no que se está a passar. Levanto a cabeça e vejo-me do outro lado do espelho. Hoje acordei como se fosse um dia qualquer… um dia qualquer… Não mais bem disposto que o normal, não menos bem disposto que o normal… Porém, a imagem que chega aos meus olhos, a imagem reflectida no espelho mostra-me alguém pálido, transpirado, com umas olheiras que sugerem 2 semanas sem dormir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;“&lt;b style=""&gt;Foda-se, tinha-me esquecido completamente que eles precisavam da farinha o mais cedo possível!...&lt;/b&gt;” – pensava Tom enquanto, nervoso, abria a porta do seu prédio. Subiu as escadas em dois passos de cada vez, e abriu a porta de madeira escura, entrando e atirando o casaco, de que se libertara em menos de 2 segundos, para o canto. Não via ninguém, a sala estava deserta. Sem estranhar, seguiu a luz que o levava à cozinha, onde esperava ver a sua mãe a fazer o que podia das doçarias sem a farinha que pedira ao filho. E por isso mesmo, não só Tom esperava ver a sua mãe como, e especialmente, a esperava ouvir alto e bom som, protestando com a demora. Ao entrar na cozinha, Tom viu sua mãe voltada para o lava-loiças, talvez aproveitando o tempo enquanto por ele esperava para ir lavando alguma coisa... Todavia, não se mexia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Mãe? – &lt;/b&gt;chamou Tom, estranhando a situação… Não sabia bem porquê, sentiu-se com medo. Sua mãe permanecia no mesmo sítio, completamente estática, sem se mexer, e isso assustava Tom, pressentindo que algo havia de errado. Com medo, antecipando uma partida, talvez como castigo pelo seu atraso, Tom, deu 3 passos em direcção à progenitora, tocando-lhe ao de leve no ombro direito. Nada. Voltou a chamá-la, e nada. Reparou no quão fria sentia a sua pele e, preocupado, prostrou-se frente a si. O que via era assustador. Impossível de descrever com precisão, Tom via sua mãe, ainda sem mexer um músculo, com os olhos fechados e a mão direita sob a boca. O coração batia acelerado e preparava-se para constatar o que receava, ao mesmo tempo esperando, a qualquer segundo, acordar desse estranho sonho. Juntou o indicador com o anelar e, lentamente, colocou ambos sob o frio pescoço da mulher… do corpo que tinha diante de si. Do corpo, apenas corpo. Não sentia nada. Nenhuma batida, nenhum som, nenhum movimento. O pânico tomava conta de si e não sabia o que fazer. Tinha dificuldade em controlar a respiração e queria sentar-se, mas precisava de perceber o que se estava a passar. Sem nada dizer, saiu da cozinha, à espera de encontrar alguém que lhe pudesse explicar… algo. Abandonando esta divisão e entrando na sala, deu dois passos direcção ao sofá, onde via seu pai. A confusão que habitava dentro de si tornava-se demasiado incómoda, e vomitou no chão, ao ver seu pai com a mão direita sob a boca, os olhos fechados, completamente imóvel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Pai?... – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;chamava, sabendo que não obteria resposta… Deu a volta ao sofá e, a medo, tocou na face tão ou mais fria que a da mãe. Reparando que a mão esquerda do pai ainda agarrava o comando da televisão, Tom voltou-se, para ver esta se ligar sozinha, automaticamente. Via apenas o formigueiro usual de faltas de transmissão até que… se viu a si mesmo, a abrir a porta do prédio, com um cara de preocupado, a subir apressadamente as escadas, a entrar em casa… horrorizado, olhou à sua volta, procurando um ponto inexistente, procurando alguém que o tivesse filmado, alguém que estivesse ali, alguém que lhe explicasse… Na ânsia de procurar ajuda, correu em direcção à varanda para chamar alguém. As ruas estavam desertas, nada se ouvia, o sol não se mostrava, apenas a lua brilhava alta, ao fundo… Como era possível, se tinha acabado de chegar e eram 3 da tarde?... Completamente confuso, olhou para o relógio. 15h. Voltou a entrar em casa, e via pela janela a luz do quente sol de Junho. Espreitava pela janela, gritava, mas as pessoas lá fora não ouviam, ninguém podia ajudar… Mais uma vez… saiu à varanda, nada… escuro. Saiu do apartamento, saiu do prédio, nada, escuro. Voltou a entrar, vendo a luz brilhante pelas janelas, correu em direcção aos quartos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;No quarto da irmã, via a mesma deitada na cama, na mesma posição que seu pai e sua mãe. Voltou-se para o quarto do irmão, a mesma coisa imagem diante dos seus olhos desfilava, desafiadora. Era demasiado. Cansado, fechou a porta com força, numa tentativa de acordar, de arrumar os pensamentos, de acordar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Tenho de estar a delirar, tenho de estar a sonhar… tenho de estar a fazer algo que não seja a viver a realidade… Sinto o frio da água espalhar-se pelo meu rosto, enquanto tento esfriar as ideias, os sentimentos que percorrem todo o meu corpo e não me deixam voltar à realidade. Tenho demasiado medo que a realidade seja mesmo esta… Esfrego os olhos com força, e quando os abro, vejo-me a mim próprio, espelhado num inexistente plano, do meu lado direito… Quero cair, quero desaparecer, quero morrer… Fecho os olhos com força… mas quando os abro, não só me volto a ver, como vejo uma sombra atrás de mim…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Tom ficou no nada, subitamente. Algo tomou conta de si. A sombra, com o indicador sob os lábios, pediu para Tom não fazer barulho, e tomou conta de si. Os movimentos de Tom fizeram seu braço direito subir ligeiramente, seu cotovelo dobrar-se. Tom via o seu corpo agir sozinho, incapaz de contrariar qualquer movimento. Nada sentia, permanecia apenas como um espectador das suas próprias acções. Via a palma da sua mão direita aproximar-se da sua face, cada vez mais parto, até que nada mais viu. Nunca mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7823104723645138510-7019201274189528576?l=estoriasemvao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/feeds/7019201274189528576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7823104723645138510&amp;postID=7019201274189528576' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7019201274189528576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7823104723645138510/posts/default/7019201274189528576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasemvao.blogspot.com/2008/05/experimenting.html' title='Experimenting'/><author><name>darkman</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07451168586894544186</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_h6puVf2fUYA/TTsht2PyEXI/AAAAAAAABEA/fQG_QSxts_A/s220/Foto0023.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7823104723645138510.post-6655589796628609410</id><published>2008-05-20T09:34:00.001+01:00</published><updated>2008-05-20T09:34:17.388+01:00</updated><title type='text'>Caminho</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XX&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas… não queres saber o nome dela? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunta-me ele… estamos deitados na cama, em Oslo, no quarto do hotel. A janela, à nossa direita, dá para o parque, onde, imagino, crianças brincam, atirando bolas de neve, vivendo a melhor altura da VIDA, em que tudo é tão simples e fácil…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;-&lt;b style=""&gt; Sabes que não quero… porque é que de vez em quando me perguntas isso?... –&lt;/b&gt; respondo, apresentando uma nova questão. Irrita-me!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não sei… acho estranho… eu sei o nome do teu marido… porque é que não queres saber o nome dela? &lt;/b&gt;– porque será? Porque será, Alf, porque será?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tu não percebes mesmo, pois não? – &lt;/b&gt;pergunto, manifestando a minha irritação – &lt;b style=""&gt;Será tão complicado de entrar nessa tua cabeça a realidade que quero viver dentro deste quarto, para lá das portas deste hotel?? &lt;/b&gt;– a minha voz sobe de tom e esforço-me por não chorar. Se nuns momentos tudo é mágico, e vivo o que realmente quereria viver… ele tem de chamar tudo aquilo que me esforço por deixar na rua, nos momentos em que o vejo, nos momentos em que estou com ele…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Mas… &lt;/b&gt;– não sabe o que dizer, nota-se – &lt;b style=""&gt;desculpa… É que não me parece justo. Eu sei o nome dele, até já via fotografia dele! – &lt;/b&gt;está irritado? Com que direito, se ele é que começou? – &lt;b style=""&gt;E estou contigo, só contigo, mas queria estar contigo como estás comigo! &lt;/b&gt;– não percebo - &lt;b style=""&gt;Não percebes que tu é que estás aqui a viver um sonho? Eu vivo esse sonho constantemente agarrado à realidade, e tu vives o sonho, o nosso sonho, que acaba por ser só teu! Foda-se! – &lt;/b&gt;não percebo o que quer dizer. Levanto-me. Vejo que respira com força. Nunca falamos nas coisas desta forma… sonho? Olho para ele e vejo que evita olhar para mim. Entro no quarto de banho. Baixo o tampo da sanita e sento-me. Como é possível que esteja ali, mesmo ali, a uns metros de mim, e estejamos tão longe?... Porque é que se arrasta tudo isto? Porque é que nos permitimos a este massacre constante que é… o de sentir a felicidade, o de sentir tal sentimento de pertença e paixão, mas vê-lo morrer, ou adormecer, de cada vez que nos despedimos, prometendo um próximo encontro… nos próximos meses… Apoio os cotovelos nos joelhos, estou nua. Com as mãos tapo a cara, e sinto as lágrimas, bravas, irromperem por entre os dedos. Com o passar dos anos, a frustração de ambos… a frustração de ele querer mais… a frustração de imaginarmos que podemos ter cometido um erro no passado, que eu posso ter cometido um erro no passado… é demasiado pesada. Mas o que é mais pesado que deixar de o ver para sempre?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XY&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- Mas… não queres saber o nome dela? – &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;pergunto. Olho para ela, que descansa ao meu lado, bela. Os anos não passaram por si. Continua a mesma pessoa por quem me apaixonei há tantos anos. Por dentro a mesma liberdade e originalidade… pela imagem que vejo, apesar dos anos se fazerem notar, fazem-no muito discretamente, acrescentando apenas 3 ou 4… Tantos anos…15? 17, sim… Será assim tanto? Lembro-me como se tivesse sido agora. Destacados para trabalhar no mesmo sítio, vindos cada um duma ponta da Noruega… Ela de Trondheim, eu de Frederikstad… Ela tinha acabado de se casar, e eu tinha uma relação sem qualquer faísca. Eu caí primeiro. Ela resistiu muito mais tempo. Não aos meus encantos, ou às minhas investidas, pois era algo que eu tentava não fazer, ainda que tantas vezes… fosse tão difícil… Ela resistiu mais tempo, não às minhas investidas, mas à constatação de que tínhamos algo ali, entre nós, que era mais forte do que aquilo que podíamos controlar… A trabalhar em Oslo, longe de tudo e de todos, durante alguns tempos vivíamos um romance cujos sentimentos que nos imprimia oscilavam entre a paixão extrema… e a culpa extrema. Bem, falo mais de si, pois, como disse… eu tinha caído primeiro… e caí redondo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;-&lt;b style=""&gt; Sabes que não quero… porque é que de vez em quando me perguntas isso?... – &lt;/b&gt;irrita-se. Porque é que, sabendo que se vai irritar, que não vai gostar da questão, a faço… sempre? Custa-me. Quanto mais o tempo passa, menos consigo, como nos primeiros tempos, estar apenas consigo… Geralmente estou consigo, mas repousa ao meu lado a consciência que, no dia-a-dia, nenhum de nós está com quem deveria estar… Eu estou casado com alguém que, apesar de tanto apreciar… não amo, nem estou apaixonado. E o que mais me dói… saber que ela, que se irrita neste preciso instante comigo, e se prepara para se levantar da cama, me ama e, mais importante até, sente paixão por mim… mas também pelo seu marido! Como me dói… Como me dói saber que os meus sentimentos por si são correspondidos, mas que não os sente apenas por mim...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Não sei… acho estranho… eu sei o nome do teu marido… porque é que não queres saber o nome dela? – &lt;/b&gt;E como a invejo… como invejo o seu sorriso, quando me vê. Morro por si, mas não morre por mim, e isso mata-me. O seu sorriso quando me vê é puro, e nenhuma consciência estranha o habita… O meu sorriso quando a vejo é pleno… É cheio, mas atrás do que se vê nos meus lábios, e ainda que estes estejam a ser tão sinceros quanto possam, há uma dor, de sentir que… agora estou contigo… agora não…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Tu não percebes mesmo, pois não?&lt;/b&gt; &lt;b style=""&gt;Será tão complicado de entrar nessa tua cabeça a realidade que quero viver dentro deste quarto, para lá das portas deste hotel?? – &lt;/b&gt;percebo. Como percebo. Percebo, mas não quero perceber. Não posso aceitar que ela jogue, ainda que sem intenção, com esta relação do modo que lhe apetece… Detesto sentir-me, ainda que saiba que tal não é verdade, como um extra… &lt;i style=""&gt;o&lt;/i&gt; extra…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;- &lt;b style=""&gt;Mas… &lt;/b&gt;– não sei o que dizer – &lt;b style=""&gt;desculpa… &lt;/b&gt;– não sei por que me desculpo – &lt;b style=""&gt;É que não me parece justo. Eu sei o nome dele, até já via fotografia dele!&lt;/b&gt; &lt;b style=""&gt;E estou contigo, só contigo, mas queria estar contigo como estás comigo! Não percebes que tu é que estás aqui a viver um sonho? Eu vivo esse sonho constantemente agarrado à realidade, e tu vives o sonho, o nosso sonho, que acaba por ser só teu! Foda-se! – &lt;/b&gt;irrito-me! Não sinto como justo esta diferença. O mais estúpido é que, se ela me dissesse para dizer o nome da minha mulher… eu não o diria. Porque apesar de tanto invejar essa sua ignorância, não lha quero roubar… Mas talvez apenas saber que ela estava disposta a estar no mesmo lugar que eu. Levanta-se da cama e, numa, entra no quarto de banho. Fecha a porta com força. Sinto-me o maior cabrão da cidade… e odeio-me por sentir isso, quando apenas fui sincero consigo. Mas odeio-me por a fazer sentir o que deve sentir agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;XX&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;~&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-family: Papyrus;"&gt;Não percebo… não percebo porque tem de arruinar momentos assim. Tem a palavra errada, no momento errado, em tantas ocasiões… Não percebo, mas percebo… Encosto-me para trás. Já não choro, mas penso nele. Penso na maneira como sei que se eu quisesse, nos casávamos amanhã… Sei que ele sabe que eu sei isto… Mas o que ele não sabe á a confusão que vai em mim, que sempre tive dentro de mim… Se ele não se sente seguro em relação a querer um futuro comigo, ainda que passados 17 anos, e tendo nós já 40… Eu não me sinto tão segura em continuar o meu casamento… mas sei que o vou fazer… amo o meu marido, mas o que sinto por ele é inexplicável, que merda… E se acabasse o casamento para viver com ele, como me sentiria, sabendo que, tendo sido mais forte, poderíamos estar juntos há tanto tempo?... Talvez seja por isso que não o faça, e veja então cada dia que passa como uma razão para não o fazer… se em tempos pareceu romântico, agora, apesar de o continuar a ser, é desesperante quando o deixo… e odeio que ele não perceba isso, e que pense que gosta mais de mim do que eu dele. Odeio, e odeio-o por isso. É como sei que o amo… o facto de o odiar por pensar que gosta mais de mim que eu dele…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.co
